McLaren destaca-se como principal rival da Mercedes nos treinos na áustria

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O calor abrasador do Red Bull Ring fez-se sentir intensamente no primeiro dia do Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1, com as temperaturas elevadas a castigarem pneus e travões, deixando vários pilotos a queixar-se das condições extremas. Liam Lawson resumiu o ambiente no final dos treinos livres ao afirmar via rádio: “Cheira terrivelmente mal aqui, a travões e ao calor”. Apesar do desconforto generalizado, os dados recolhidos começam a desenhar um esboço claro da hierarquia para a qualificação e corrida de domingo, com McLaren e Mercedes a destacarem-se como as equipas em melhor forma.

No segundo treino livre (FP2), Kimi Antonelli (Mercedes) estabeleceu o melhor tempo da sessão com 1m07.014s, seguido de perto pelos McLaren de Oscar Piastri (+0.237s) e Lando Norris (+0.325s). Max Verstappen (Red Bull) ficou-se pela quarta posição, a 0.550s do topo, enquanto Lewis Hamilton (Ferrari) e George Russell (Mercedes) ocuparam o quinto e sexto lugares, respetivamente. Nos stints longos, Russell voltou a evidenciar-se, com uma média de 1m11.220s em quatro voltas nos pneus médios, ligeiramente à frente de Antonelli (1m11.265s) e Norris (1m11.466s). Verstappen (1m11.704s) e Hamilton (1m11.773s) mantiveram-se próximos, com Piastri a encerrar o grupo da frente (1m11.777s).

Este desempenho coloca a McLaren como a principal ameaça à Mercedes até ao momento, algo admitido pelo próprio Oscar Piastri: “Não sei se estamos na luta com a Mercedes. Acho que parecemos ser os melhores do resto depois deles”, comentou o australiano após a sessão. “Mas a Mercedes costuma encontrar muito ritmo do dia de sexta para sábado. Por isso, espero-os muito rápidos amanhã. Pessoalmente, acho que foi um bom dia para nós.”

Do lado da Mercedes, George Russell reconheceu o perigo vindo da McLaren, especialmente em condições de altas temperaturas: “Há uma tendência real nestas corridas quentes de serem fortes”, afirmou o britânico. “Vimos isso no ano passado, vimos durante anos. Em Miami, na primeira corrida realmente quente, podiam ter vencido. Em Barcelona, o Lando tinha um ritmo semelhante ao nosso e ao do Lewis. Aqui, voltam a mostrar-se muito fortes. Parece que nestas corridas quentes dão um passo em frente e nós talvez recuemos um pouco.”

A Ferrari, por sua vez, terminou a sexta-feira no Red Bull Ring com sinais mistos. Apesar das expectativas elevadas após a vitória de Lewis Hamilton em Barcelona e a estreia das primeiras melhorias do motor para 2026, os tempos não foram animadores: quinto e oitavo nos tempos de volta única e nos stints longos. Segundo Charles Leclerc, o sentimento não era dos mais optimistas: “Não estou muito confiante, mas nunca se sabe”, admitiu o monegasco depois do FP2. “No momento, tal como em Barcelona na sexta-feira, havia alguns elementos que nos faziam acreditar que havia bastante desempenho no carro. Agora, está a ser difícil. Foi uma sexta-feira complicada para a equipa e vamos tentar juntar tudo e ver o que conseguimos recuperar amanhã.”

Bradley Lord, director-adjunto da Mercedes, foi cauteloso: “Barcelona ensinou-nos que não se pode tirar todas as conclusões de sexta-feira e mapear fiavelmente para domingo. Não creio que tenhamos visto tudo o que a Ferrari tem hoje.” Neil Houldey, director técnico da McLaren, reforçou: “Sabemos que a Ferrari foi muito, muito rápida em Barcelona e não há razão para não o serem também aqui.”

No campo da Red Bull, a introdução de um grande pacote de evoluções para a corrida em casa trouxe uma expectativa de redução da diferença para os líderes para dois a três décimos, segundo Laurent Mekies, chefe de equipa. No entanto, problemas alheios às novidades limitaram o tempo em pista e tanto Max Verstappen como Isack Hadjar sentiram dificuldades de equilíbrio. Hadjar foi taxativo: “Parece que é difícil extrair todo o potencial porque estamos completamente desequilibrados e com muitas dificuldades, há muito trabalho a fazer esta noite.” O ritmo de Verstappen nos stints longos revelou-se mais promissor, ficando a dois a três décimos dos Mercedes nas primeiras voltas, o que alimenta a esperança do neerlandês em lutar com os três da frente, numa pista tradicionalmente favorável à Red Bull.

No pelotão intermédio, a luta está ao rubro. Audi destacou-se com Nico Hulkenberg a registar uma média de 1m12.134s num stint de nove voltas com pneus duros, a par dos Alpine e Racing Bulls. Haas ficou ligeiramente atrás deste grupo. Williams mostrou-se insatisfeita com o ritmo em carga alta, enquanto o renovado Cadillac continua uma incógnita após múltiplos problemas, com apenas Valtteri Bottas a brilhar pontualmente no FP1. A Aston Martin, sem novidades, mantém-se como a 11.ª força do pelotão no Red Bull Ring.

Com a qualificação à porta, a expectativa é de uma luta renhida entre Mercedes e McLaren, com a Ferrari a tentar recuperar terreno e a Red Bull a trabalhar para maximizar o potencial das evoluções. A gestão dos pneus e dos travões, sob calor intenso, será determinante para o desfecho da corrida austríaca. O campeonato pode assistir a alterações na luta pelo pódio e no topo do Mundial de Construtores, com a próxima ronda em Silverstone a trazer novas oportunidades de recuperação ou consolidação para quem sair por cima do Red Bull Ring.

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