Kimi Antonelli lançou o primeiro aviso sério do fim de semana do Grande Prémio da Áustria de 2026, ao garantir o melhor tempo da sessão inaugural de treinos livres no Red Bull Ring, numa dominante demonstração da Mercedes que terminou a primeira hora com uma dobradinha. Enquanto a formação alemã mostrou argumentos sólidos sob calor intenso, a Red Bull ficou aquém das expectativas e viu-se a braços com problemas no início da tão aguardada ronda caseira.
Logo desde o arranque da FP1, as condições climatéricas extremas tornaram-se um desafio adicional para pilotos e equipas. O termómetro do ar rondava os 30 graus Celsius, enquanto o asfalto atingia os 51 graus ao final da sessão — uma verdadeira prova de resistência para monolugares e atletas. Os organizadores tinham já classificado o fim de semana como “evento de risco de calor”, tornando a gestão dos pneus, a refrigeração dos sistemas e a hidratação dos pilotos factores determinantes.
A primeira sessão foi também marcada por intenso trabalho de desenvolvimento, com as equipas a utilizar os famosos “aero rakes” para recolher dados sobre as mais recentes evoluções técnicas. A Mercedes destacou-se pela eficácia, ao passo que a Red Bull foi forçada a adaptar-se rapidamente devido à falta de quilometragem relevante.
Antonelli fixou a referência com um tempo de 1m07,796s nos pneus macios, batendo George Russell por apenas 0,040s após este melhorar na sua segunda tentativa rápida. Oscar Piastri, ao volante do McLaren, terminou a 0,077s de Russell, completando o top 3. Max Verstappen, apesar dos contratempos, colocou o Red Bull em quarto, seguido de Lewis Hamilton, que encerrou o lote dos cinco primeiros.
A competitividade da sessão ficou patente nos tempos: as diferenças entre os principais intervenientes foram mínimas, sugerindo que tanto a qualificação como a corrida prometem ser disputadas ao milésimo. Esta primeira amostra do fim de semana austríaco deixa antever um duelo aceso não só entre Mercedes e Red Bull, mas também com a McLaren a intrometer-se na luta pelo pódio.
No contexto do campeonato, a Mercedes reforça o seu estatuto de candidata ao título, sobretudo se conseguir converter este domínio em pontos no domingo. A Red Bull, pressionada perante os seus adeptos, arrisca-se a perder terreno caso não recupere rapidamente. A rivalidade entre Antonelli e Verstappen ganha assim novo fôlego, enquanto Russell e Piastri continuam à espreita de uma oportunidade para se intrometerem na luta pelo topo.
As declarações após a sessão revelaram o estado de espírito nas principais equipas. Max Verstappen, claramente frustrado, confessou via rádio: “O equilíbrio está completamente fora… É um caos.” Já Isack Hadjar, que também perdeu tempo devido a uma suspeita de problema hidráulico, acrescentou: “Não entendo nada do comportamento do carro.” Ambos os pilotos da Red Bull evidenciaram o desalento perante as dificuldades técnicas, agravadas pelo calor e pela falta de tempo em pista.
Do lado da Mercedes, o ambiente era inverso. Antonelli, visivelmente satisfeito, afirmou após a sessão: “O carro reagiu bem desde o início. Temos margem para melhorar, mas começar assim é sempre positivo.” George Russell, segundo classificado, comentou: “Ainda estou a adaptar-me ao novo pedal do acelerador, mas o ritmo está lá e isso é o mais importante para a equipa.” Alan Permane, director desportivo da Racing Bulls, também elogiou a prestação dos seus pilotos: “Estou muito contente. Ambos estiveram muito bem em pista.”
No meio do pelotão, a luta manteve-se cerrada. Arvid Lindblad colocou o Racing Bulls em sexto, enquanto Franco Colapinto (Alpine) e Oliver Bearman (Haas) garantiram lugares no top 10. Nico Hülkenberg (Audi) e Valtteri Bottas (Cadillac) mostraram boa adaptação às condições extremas, apesar de não entrarem nos dez primeiros. Luke Browning, no Williams, protagonizou um grande bloqueio de rodas e saiu largo, mas limitou os danos a um jogo de pneus macios inutilizado.
A sessão terminou de forma abrupta quando Sergio Pérez ficou parado em pista, originando uma bandeira vermelha e impedindo as equipas de realizarem simulações de arranque. Com várias equipas a não cumprirem os seus programas de trabalho, a expectativa para a FP2 é máxima — será aí que se deverá clarificar a hierarquia real do pelotão austríaco.
O próximo passo será a segunda sessão de treinos livres, onde se espera que a Red Bull finalmente avalie todas as novidades trazidas para a sua prova caseira. Se a Mercedes confirmar o ritmo demonstrado, poderá consolidar a liderança do Mundial de Construtores, enquanto Red Bull e McLaren terão de responder à altura para não perderem o comboio da frente. O campeonato está ao rubro, e o Grande Prémio da Áustria promete ser decisivo para as contas finais da temporada.
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