A McLaren surpreendeu o paddock ao adiar a estreia do seu inovador pacote de asa traseira de baixo arrasto, inspirado no conceito “Macarena” da Ferrari, durante o Grande Prémio da Áustria. Apesar de ter transportado o novo componente para o Red Bull Ring com o intuito de o testar no monolugar de Lando Norris durante os treinos livres, a equipa de Woking decidiu, à última hora, que o dispositivo necessitava de mais desenvolvimento antes de ser avaliado em pista, evitando assim riscos desnecessários numa fase crucial do campeonato.
Na Áustria, a McLaren optou pela configuração tradicional de asa traseira, enquanto os principais rivais também apresentavam soluções inovadoras para maximizar a eficiência aerodinâmica. A asa “Macarena”, originalmente vista no Ferrari SF-26 mas também explorada pela Red Bull, distingue-se por um mecanismo de actuação distinto: em vez de simplesmente baixar o flap superior da asa traseira como no sistema DRS convencional, o actuator faz rodar todo o flap, prometendo um efeito de redução de arrasto ainda mais acentuado. Contudo, esta solução exige robustez mecânica e fiabilidade, pois é sujeita a esforços constantes durante a corrida e pode alterar significativamente o equilíbrio aerodinâmico do carro, sobretudo na transição entre rectas e curvas.
A decisão de não colocar o novo componente em pista foi influenciada pelo risco de comprometer tempo de rodagem precioso — especialmente num fim-de-semana de sprint, onde a sessão de treinos livres tem apenas uma hora. Como agravante, Norris já tinha perdido minutos valiosos devido a uma fuga hidráulica, aumentando a prudência da estrutura técnica liderada por Rob Marshall.
Após a sessão de treinos, Norris explicou o contexto: “Temos de limar arestas, tentar garantir que funciona, e talvez daqui a algumas corridas possamos introduzi-la de forma adequada. É um excelente trabalho da equipa, a tentar avançar o mais rapidamente possível. Não é um projecto fácil, leva tempo a perceber uma asa tão complicada como esta. Mas é inovadora, é bom ver. Foi interessante ver a Ferrari a apostar nisto no início do ano, e é incrível ver como alguém que compreende os regulamentos consegue encontrar estas soluções dentro das regras. Gostava de já a termos há três meses”, comentou o piloto britânico, sublinhando a complexidade e o factor diferenciador do conceito.
Do lado técnico, Rob Marshall já tinha sinalizado antes do arranque da época que a McLaren iria adoptar uma abordagem cautelosa, estudando o comportamento do MCL40 e observando as inovações dos rivais antes de definir o rumo do desenvolvimento. O cancelamento das rondas do Bahrein e Arábia Saudita alterou o calendário e permitiu um mês extra de trabalho nas fábricas, mas a pressão do limite orçamental e a incerteza sobre o real ganho de performance destes componentes obrigam a decisões ponderadas. Com Norris a ocupar o quinto lugar do campeonato de pilotos — já a mais de metade dos pontos do líder Kimi Antonelli — e a McLaren a lutar taco-a-taco com Mercedes e Ferrari nos construtores, qualquer aposta técnica tem de ser certeira.
A perspectiva de estreia do novo pacote de asa traseira aponta agora para o Grande Prémio da Bélgica, uma vez que Silverstone, também fim-de-semana de sprint, não oferece condições ideais para testes experimentais. A equipa britânica terá assim mais tempo para validar a fiabilidade e impacto aerodinâmico do conceito, mitigando o risco de perder sessões importantes devido a eventuais falhas técnicas.
Com a próxima ronda agendada para Silverstone, a McLaren volta a centrar-se na consistência e fiabilidade, mantendo a pressão sobre Ferrari e Mercedes na perseguição ao segundo lugar do campeonato de construtores. Se a asa “Macarena” se revelar eficaz na Bélgica, poderá ser uma arma decisiva na segunda metade da temporada, permitindo a Norris e Óscar Piastri aproximarem-se das vitórias e, quem sabe, quebrar o domínio dos adversários directos. Até lá, a equipa de Woking continua a apostar na inovação, mas sem comprometer os objectivos traçados para 2024.
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