Verstappen e Vottas queixam-se do calor extremo nos treinos na áustria

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Kimi Antonelli voltou a dominar o pelotão ao registar os melhores tempos nas duas sessões de treinos livres de sexta-feira do Grande Prémio da Áustria de 2026, deixando os adversários directos a discutir as sobras. Numa tarde abrasadora no Red Bull Ring, marcada por uma onda de calor sufocante, o jovem italiano da Mercedes exibiu uma frieza digna de veterano, enquanto muitos pilotos e máquinas lutaram para encontrar equilíbrio e conforto nas condições extremas.

No final do segundo treino livre (FP2), Antonelli liderou com um tempo médio de 1m11,265s em pneus médios durante oito voltas, batendo Lando Norris (McLaren), que ficou a 0,202s no mesmo composto, e Max Verstappen (Red Bull), a 0,439s. Lewis Hamilton, ao volante do Ferrari, terminou o seu melhor stint a 0,508s do líder. No top-10 dos mais consistentes em ritmo de corrida surgiram ainda Nico Hülkenberg (Audi), Pierre Gasly (Alpine), Oliver Bearman (Haas), Yuki Tsunoda (Racing Bulls), Carlos Sainz (Williams) e Lance Stroll (Aston Martin). Valtteri Bottas, na Cadillac, não conseguiu realizar um stint representativo devido a problemas técnicos, tal como Sergio Pérez, cujo carro enfrentou várias paragens inesperadas.

Estes resultados colocam pressão acrescida sobre os principais rivais do campeonato. Antonelli, já líder isolado da classificação de pilotos, reforça a sua candidatura ao título numa fase crucial da temporada e distancia-se ainda mais de George Russell, seu colega de equipa na Mercedes, que não conseguiu acompanhar o ritmo: foi segundo em FP1, mas caiu para sexto em FP2, atrás das McLaren, Red Bull e Ferrari. A consistência do jovem prodígio começa a criar um fosso psicológico e desportivo dentro da própria equipa, enquanto McLaren e Ferrari tentam manter a pressão.

George Russell, visivelmente preocupado após o FP2, revelou: “A McLaren esteve a voar, para ser honesto. O ritmo de corrida deles, tal como o ritmo em volta única, parece bastante decente. O maior motivo de preocupação para nós é o ritmo da McLaren – e a Ferrari também está lá”. As palavras do britânico, partilhadas após a sessão, reflectem a crescente ameaça laranja e vermelha numa fase em que a Mercedes parecia ter conforto.

No entanto, a análise dos long runs mostra que Antonelli mantém uma margem segura. Norris foi mais rápido no início do seu stint, com tempos nos 1m10s, mas rapidamente sentiu o desgaste dos pneus a comprometer o ritmo. Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, já tinha admitido em Barcelona: “Não somos tão competitivos como em 2025 em termos de gestão e degradação dos pneus”. Esta fragilidade pode ser decisiva numa corrida onde as temperaturas elevadas prometem castigar ainda mais o composto C5 da Pirelli, que já mostrou ser um verdadeiro desafio para todos, tornando os stints longos um quebra-cabeças estratégico.

Na Red Bull, o pacote de evoluções trouxe ganhos notórios, mas ainda há trabalho por fazer, principalmente na saída da curva 3, onde a afinação do powertrain penaliza. Isack Hadjar, após um stint atribulado, desabafou: “É como se as rodas traseiras agarrassem, bloqueassem e perdes todo o apoio. Não há aderência linear, não é agradável. Estás constantemente a adivinhar o limite. Quando voltas a acelerar, o motor demora a responder e isso cria patinagem à saída. É mesmo muito mau. Só nesta curva, não sei quanto tempo perdemos, mas sente-se bastante”. Verstappen também relatou dificuldades similares, apesar de conseguir minimizar as perdas, ficando a pouco mais de uma décima do ritmo de Antonelli nos melhores momentos.

A Ferrari evidencia dificuldades de tracção à saída das curvas e problemas de equilíbrio, sobretudo no terceiro sector, onde Hamilton perdeu tempo para Antonelli. Charles Leclerc minimizou preocupações com a degradação: “A degradação não é alarmante, mas o desgaste mecânico do pneu pode ser um factor a considerar”. A introdução do novo bloco de cilindros em liga de aço parece ajudar a unidade motriz a lidar melhor com o calor, mas a diferença para a Mercedes ainda se faz sentir em performance pura e, sobretudo, na gestão do desgaste dos pneus durante stints prolongados.

No pelotão intermédio, a Audi destacou-se com Nico Hülkenberg a tirar partido dos novos componentes na traseira do carro, mostrando bom ritmo em pneus duros. Alpine, Haas e Racing Bulls andaram próximos, com ligeira vantagem para a Racing Bulls no ritmo médio. A Williams, sem actualizações para este fim-de-semana, mostrou-se menos competitiva, enquanto a Aston Martin evitou o fundo da tabela graças aos problemas recorrentes da Cadillac, cuja fiabilidade continua a ser um calcanhar de Aquiles, apesar de Bottas ter surpreendido com bons tempos em FP1 antes do incêndio no fundo do carro.

Com a qualificação à porta, antevê-se mais um duelo cerrado entre Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull, com Antonelli a partir em clara vantagem. A gestão dos pneus C5 e a resposta das equipas às temperaturas extremas podem baralhar as contas. O campeonato entra numa fase decisiva: Antonelli pode cimentar ainda mais a sua liderança, enquanto Russell, Norris, Verstappen e Hamilton procuram respostas e pontos preciosos antes da próxima ronda, o Grande Prémio de Silverstone. O espectáculo está garantido nas colinas austríacas, com as equipas a prometerem ajustes de última hora para travar o ímpeto de um líder cada vez mais implacável.

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