Charles Leclerc não escondeu o realismo ao abordar a estreia da primeira evolução do motor Ferrari sob o novo sistema ADUO, durante o Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1. Apesar da expectativa gerada à volta desta actualização, o piloto monegasco afastou qualquer ideia de “soluções milagrosas”, sublinhando que a melhoria agora introduzida não será decisiva para inverter o rumo do campeonato já neste fim-de-semana em Spielberg.
No final das duas sessões de treinos livres de sexta-feira no Red Bull Ring, Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, dominou ambas as sessões, colocando a equipa alemã na frente com um tempo de 1m05,912s. Lewis Hamilton, vencedor em Barcelona, terminou a FP2 a 0,597s do rookie italiano, enquanto Charles Leclerc foi apenas oitavo, a 0,841s do topo da tabela de tempos. Ferrari optou ainda por colocar Dino Beganovic, piloto da academia, no lugar de Leclerc durante a primeira sessão, limitando o tempo de pista do monegasco. A diferença de 72 pontos que separa actualmente a Ferrari da Mercedes no campeonato de construtores torna ainda mais urgente encontrar soluções competitivas.
O novo sistema ADUO, implementado para 2026 pela FIA, visa equilibrar o desempenho dos motores ao longo da temporada, evitando grandes disparidades de potência entre fornecedores. Na primeira avaliação trimestral, Red Bull surpreendeu ao ser considerada a referência, com a Mercedes entre 2% a 4% atrás, recebendo permissão para uma actualização. Ferrari, Audi e Honda surgiram a mais de 4% da potência máxima, o que lhes permite duas evoluções. Perante este cenário, Ferrari e Audi apressaram-se a introduzir novos componentes já na Áustria.
Apesar disso, Leclerc optou por baixar as expectativas antes do início da acção em pista. “Infelizmente, não esperamos soluções milagrosas. Houve imenso trabalho nos bastidores para garantir que o motor evoluído estivesse pronto a tempo. De certa forma, já prevíamos que estaríamos sob o ADUO, tendo em conta as análises que fizemos, por isso preparámos tudo para estrear já aqui. Não é uma revolução, mas é um passo na direcção certa e demonstra a mentalidade da equipa em não deixar nada por fazer e levar o desenvolvimento até ao limite”, afirmou Leclerc.
Enrico Gualtieri, director técnico da unidade motriz da Ferrari, corroborou esta abordagem cautelosa antes do fim-de-semana: “A evolução para Spielberg é relativamente pequena, mas temos mais novidades planeadas para breve.” Sabe-se que uma segunda evolução, com novo turbo, está prevista para depois da pausa de verão, numa tentativa de encurtar distâncias para a Mercedes.
A sexta-feira em Spielberg deixou claro que a tarefa da Ferrari será tudo menos fácil. O Red Bull Ring, com as suas curvas rápidas e voltas abaixo de 1m10s, expõe as fragilidades do SF-24 em aderência e equilíbrio, ao contrário do que aconteceu em Barcelona, onde os sectores de baixa velocidade favoreceram a Scuderia. “Temos sentido falta de aderência geral, deslizamos com os quatro pneus desde a primeira volta. O equilíbrio está muito aberto, tem sido complicado desde o início”, explicou Leclerc após a FP2.
Questionado sobre as possibilidades de inverter a tendência no sábado, o piloto da Ferrari mostrou-se reservado: “Não estou muito confiante para a Áustria, mas nunca se pode dizer nunca. Em Barcelona, à sexta-feira, também parecia que estávamos longe, e depois encontrámos performance. Agora foi um dia difícil para toda a equipa, mas vamos tentar reunir tudo e perceber o que conseguimos recuperar.” Hamilton também reconheceu dificuldades, embora menos acentuadas, dizendo: “Há potencial no carro, mas ainda não estamos onde queremos.”
O campeonato entra agora numa fase crucial, com a Mercedes a consolidar a liderança e Antonelli a afirmar-se cada vez mais como ameaça real. Para a Ferrari, o foco está em maximizar o potencial das evoluções ADUO e preparar o ataque após o verão, quando a segunda actualização prometida poderá finalmente trazer o salto necessário para relançar a luta pelo título. A próxima paragem será Silverstone, onde a Scuderia espera que as características do traçado joguem mais a seu favor. Até lá, resta à equipa de Maranello continuar a trabalhar nos bastidores e não baixar os braços perante a superioridade demonstrada pelas flechas de prata.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
