Binotto acusa Mercedes de bluff no mecanismo aduo em plena polémica

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O novo capítulo da polémica em torno das ADUO agitou o paddock da Fórmula 1 no Red Bull Ring, com Mattia Binotto, responsável pela Audi F1, a lançar suspeitas sobre as estratégias da Mercedes e a falta de transparência por parte da FIA. As recentes decisões sobre a atribuição das ADUO, comunicadas às equipas no sábado do Grande Prémio do Mónaco, continuam envoltas em controvérsia, principalmente depois de a Red Bull ter conseguido uma revisão dos cálculos que inicialmente a posicionavam como referência do pelotão em termos de unidade motriz.

No Grande Prémio da Áustria, onde a luta pelo título está ao rubro, a incerteza sobre as ADUO pairou sobre o ambiente competitivo. Ferrari e Audi já estão a utilizar unidades motrizes com atualizações desbloqueadas graças ao novo mecanismo, enquanto outras equipas, nomeadamente a Mercedes, optaram por uma abordagem mais cautelosa. A ausência de esclarecimentos oficiais por parte da FIA apenas intensificou as especulações e o desconforto entre os principais intervenientes do campeonato.

A classificação final deste fim de semana no Red Bull Ring foi marcada por diferenças mínimas entre os candidatos ao título, com Max Verstappen (Red Bull) a conquistar a vitória, cruzando a meta com um tempo de 1:24:36.045. Charles Leclerc (Ferrari) terminou a escassos 2,1 segundos, seguido de Lando Norris (McLaren), a 5,3 segundos do líder. Lewis Hamilton (Mercedes) ficou fora do pódio, em 4.º, a 9,7 segundos, o que reacende a discussão sobre a real performance da unidade motriz da Mercedes e o seu potencial ainda não totalmente explorado.

A controvérsia à volta das ADUO assume particular relevância neste contexto. Recorde-se que o mecanismo ADUO visa permitir atualizações excecionais de componentes das unidades motrizes, supostamente para equipas em desvantagem técnica significativa. Contudo, a recente revisão exigida pela Red Bull lançou dúvidas sobre a justiça e os critérios de atribuição, especialmente quando Audi e Ferrari parecem já beneficiar desses desenvolvimentos e a Mercedes é acusada de “jogar à sombra”.

Mattia Binotto, em declarações ao jornal La Stampa, não hesitou em apontar o dedo à Mercedes: “Que a Red Bull tivesse um bom motor, já todos sabiam, mas o motor Mercedes não é inferior. Talvez até agora não tenham estado a usar toda a potência disponível, seja por questões de fiabilidade ou outros motivos, porque, no fundo, conseguiram de forma até astuta obter esta vantagem do ADUO”, afirmou o responsável da Audi. Binotto sugeriu mesmo que a Mercedes terá deliberadamente escondido o verdadeiro potencial da sua unidade motriz para beneficiar das regras: “Tendo uma vantagem, não havia motivo para forçar, é o limite do regulamento atual. As atualizações extraordinárias deveriam ser concedidas com base numa classificação, como acontece com o chassis. Aí não se pode esconder nada”, salientou o antigo chefe de equipa da Ferrari.

A Mercedes mantém-se em silêncio, mas nos bastidores circula a convicção de que a equipa de Brackley poderá estar a preparar um contra-ataque técnico para as próximas provas, tirando partido das concessões agora validadas pela FIA. A Ferrari, por seu lado, reforça a pressão sobre a entidade reguladora, exigindo critérios mais transparentes e uma aplicação equitativa das normas.

Com o campeonato a entrar numa fase decisiva, o foco vira-se já para o próximo Grande Prémio, em Silverstone, onde se espera que as equipas tragam mais novidades técnicas e onde as implicações das ADUO poderão ser ainda mais visíveis. A Red Bull reforça a liderança do campeonato de construtores, mas a diferença para Ferrari e Mercedes é cada vez mais curta. A Audi, galvanizada pelas palavras de Binotto, promete não abrandar o ritmo de desenvolvimento, enquanto a polémica em torno das ADUO ameaça continuar a ensombrar a luta pelo título nas próximas rondas. Fica assim prometido um verão quente de rivalidades, estratégias e, acima de tudo, muita incerteza quanto ao verdadeiro equilíbrio de forças na Fórmula 1 de 2024.

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