Max Verstappen terminou a prova austríaca a apenas 1,6 segundos do vencedor George Russell, mas foi a prestação da Red Bull, potenciada por um pacote de sete novas evoluções no RB22, que lançou um alerta sério ao pelotão da Fórmula 1. Lewis Hamilton, que foi ultrapassado pelo neerlandês numa intensa batalha em pista, admitiu que a Red Bull terá ganhado até quatro décimos por volta com as melhorias introduzidas no Red Bull Ring, e avisa: “vão ser uma força a ter em conta nas próximas corridas”.
A classificação final do Grande Prémio da Áustria ficou marcada pelo domínio da Mercedes, com George Russell a conquistar a vitória, seguido de Verstappen (Red Bull) em segundo, e Lando Norris (McLaren) a fechar o pódio. Hamilton, depois de um início promissor e de ter liderado parte da corrida, terminou em quinto lugar, atrás do colega de equipa Russell e de Oscar Piastri (McLaren). Charles Leclerc, também da Ferrari, cortou a meta em oitavo, com o SF-26 danificado após um toque que afectou a asa dianteira. O tempo de volta mais rápido foi também para Verstappen, um sinal claro do salto de competitividade da Red Bull neste fim de semana.
A importância deste resultado vai além dos pontos amealhados. Para Verstappen, foi o melhor resultado da temporada até ao momento, encurtando distâncias para os rivais diretos no campeonato e colocando pressão adicional sobre a Mercedes e a Ferrari. O impacto das evoluções no RB22 poderá ser decisivo para manter o piloto neerlandês motivado a continuar com a equipa de Milton Keynes, numa altura em que há rumores sobre o seu futuro. A rivalidade entre Hamilton e Verstappen, adormecida nos últimos meses, reacendeu-se em Spielberg, com ambos a protagonizarem duelos intensos e trocas de posições que fizeram vibrar os adeptos. Recorde-se que, durante a prova, Verstappen chegou mesmo a pedir uma penalização para Hamilton, mas os comissários não lhe deram razão.
Depois da corrida, Hamilton não poupou elogios à transformação da Red Bull e deixou o aviso à concorrência: “Eles deram um grande passo este fim de semana”, referiu o britânico em conversa com jornalistas no paddock. “Acredito que trouxeram uma evolução de três a quatro décimos. Três décimos só do peso que tiraram do carro, o que é enorme, considerando que já estavam muito próximos em algumas das corridas, como no Mónaco, onde estavam nove quilos acima do peso.” Hamilton acrescentou ainda: “Mostra que têm um bom carro, perderam peso e ainda trouxeram várias melhorias. Vão ser uma força a ter em conta nas próximas corridas.” O piloto da Ferrari, que chegou a vencer em Barcelona, sai da Áustria com um sabor amargo, sem lugar no pódio e com a equipa italiana a ver a concorrência aproximar-se perigosamente.
Na conferência de imprensa pós-corrida, Verstappen detalhou as sensações ao volante do RB22 renovado: “O mais satisfatório foi sentir que, pela primeira vez este ano, podia realmente lutar pela vitória”, afirmou o neerlandês. “Na primeira metade da corrida estávamos mais competitivos, mas depois, por alguma razão, senti problemas na traseira do carro. De repente, tudo ficou extremamente difícil – ressaltos, corretores, tracção – parecia que tinha desaparecido. Precisamos de perceber o que se passou.” Mesmo assim, Verstappen elogiou o trabalho da equipa: “Estar tão perto da vitória é um grande esforço. Trabalhámos imenso para trazer estas evoluções, e pela primeira vez senti-me verdadeiramente competitivo e pude puxar um pouco mais, o que é claramente positivo.” Questionado sobre as áreas em que o RB22 mais melhorou, Verstappen foi direto: “Tem um pouco mais de aderência. Simplesmente é mais rápido nas curvas.”
O campeonato segue já este fim de semana para o icónico Circuito de Silverstone, com o Grande Prémio da Grã-Bretanha a prometer nova luta cerrada entre Mercedes, Red Bull, Ferrari e McLaren. O salto competitivo da Red Bull coloca agora Verstappen na rota dos triunfos e relança as contas do Mundial, com Hamilton e a Ferrari obrigados a responder para não perderem terreno. O pelotão prepara-se para uma segunda metade de temporada ao rubro, onde cada décimo poderá decidir não só corridas, mas também os destinos dos principais protagonistas do campeonato. As próximas provas serão fundamentais para perceber se esta Red Bull renovada está realmente pronta para voltar ao topo ou se Mercedes e Ferrari ainda têm uma palavra a dizer.
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