McLaren investiga perda de velocidade face à Mercedes nas rectas com o mesmo motor

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A McLaren voltou a sentir o peso da diferença para a Mercedes nas rectas, perdendo cerca de um décimo e meio por volta, apesar de ambas as equipas utilizarem o mesmo grupo propulsor Mercedes. Este detalhe tornou-se especialmente evidente no último Grande Prémio da Áustria, onde o ritmo dos monolugares de Woking voltou a ficar aquém do esperado face à principal rival direta no campeonato.

No Red Bull Ring, a diferença entre o McLaren MCL40 e o Mercedes W17 cifrou-se entre três a quatro décimos de segundo por volta, segundo as contas de Andrea Stella, director da McLaren. “Setenta por cento do défice está nas curvas, trinta por cento nas rectas”, explicou Stella depois da qualificação. A Mercedes terminou a prova entre os primeiros lugares, enquanto a McLaren voltou a lutar pelo pódio mas sem conseguir igualar o ritmo dos Flechas de Prata nos sectores mais rápidos do circuito austríaco. Em termos concretos, o Mercedes mostrou mais velocidade de ponta — uma diferença visível em todos os stints, apesar de ambos os modelos estarem equipados com o mesmo motor Mercedes-AMG.

O contexto do campeonato só aumenta a pressão sobre a McLaren. A equipa de Woking tem-se afirmado como uma das principais ameaças à Mercedes e Red Bull em 2024, mas continua a faltar aquele “algo mais” para se tornar uma verdadeira candidata ao título. O défice nas curvas foi assumido por Stella: “É muito claro porque acontece, o carro deles gera mais apoio aerodinâmico, e isso é algo em que estamos a trabalhar e temos bons projectos a caminho”, afirmou. Já nas rectas, o mistério adensa-se, pois Stella salienta que o arrasto aerodinâmico extra pode ser parte da explicação, mas não descarta a hipótese de a Mercedes estar a operar de forma distinta o grupo propulsor, extraindo mais performance através da gestão eletrónica e dos mapas de energia.

Nas palavras de Andrea Stella, após a sessão de qualificação na Áustria, “Quando falamos da diferença para a Mercedes, tem estado sempre entre os três e quatro décimos, sobretudo nas curvas, provavelmente 70% nas curvas e 30% nas rectas. Nas curvas, é evidente, têm mais apoio, mas nas rectas pode ter a ver com arrasto adicional, ou com a forma como exploramos a unidade motriz, porque o défice de velocidade é significativo.” O responsável máximo da McLaren refere ainda que “Se tiverem acesso aos overlays de GPS, verão que perdemos claramente um décimo e meio, pelo menos, nas rectas, e temos mesmo de perceber porquê”.

O processo de “engenharia inversa” para encontrar a origem do problema, como admitiu Stella, é frustrante. “É muito difícil distinguir o que vem do arrasto e o que vem da unidade motriz. O resultado é uma diferença de alguns km/h, mas podem existir múltiplas origens e isto é típico quando se tenta dissecar o que fazem os rivais”, referiu. Stella também destacou a colaboração próxima com a divisão High Performance Powertrains (HPP) da Mercedes: “Temos melhores ferramentas graças ao apoio da HPP e agora colaboramos de forma mais eficiente. Melhorámos na gestão da energia elétrica, mas há que considerar também a potência do motor de combustão, e pode haver diferenças por causa do arrasto.”

O director da McLaren concluiu: “É justo admitir que a Mercedes tem menos arrasto do que nós, temos relações de caixa diferentes, isto pode ter impacto. A única coisa que está sob controlo da McLaren é minimizar todas as fontes de arrasto e é nesse ponto que estamos concentrados, mantendo uma colaboração muito próxima com a HPP.”

Olhando para os próximos capítulos do Mundial de Fórmula 1, a McLaren prepara-se para atacar Silverstone com a convicção de que as soluções aerodinâmicas programadas para as próximas corridas podem reduzir parte deste défice. A luta pelo segundo lugar no campeonato de construtores permanece intensa, e cada décimo conquistado nas rectas poderá ser determinante na perseguição à Mercedes. A equipa inglesa precisa urgentemente de converter a promessa dos seus projectos técnicos em resultados tangíveis, sob pena de deixar fugir a rival directa e comprometer o objectivo de regressar ao topo da hierarquia da Fórmula 1.

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