O impacto fez-se sentir em Sonoma: Connor Zilisch, promissor talento da NASCAR, que até agora atravessava uma época de estreia desastrosa na Cup Series, conseguiu finalmente terminar uma corrida no top 10. Depois de seis abandonos e uma longa travessia no deserto, o jovem piloto da equipa Kaulig mostrou sinais claros de que pode, afinal, justificar o hype criado após a sua dominadora passagem pela Xfinity Series.
Zilisch, que em 2025 conquistou de forma categórica o título de Rookie of the Year ao vencer 10 corridas na Xfinity Series, subiu em 2026 à principal categoria do automobilismo americano com grandes expectativas. No entanto, o salto revelou-se bem mais duro do que antecipado: ocupa actualmente o 34.º lugar no campeonato, com seis provas terminadas prematuramente e sem qualquer top 10… até Sonoma. Na prova californiana, Zilisch cruzou a meta em sétimo, a 13,4 segundos do vencedor, abrindo finalmente a porta para uma possível viragem na sua temporada. O Grande Prémio de Sonoma, disputado no exigente circuito misto, foi a 17.ª ronda da Cup Series e permitiu a Zilisch somar pontos importantes para a classificação, embora ainda esteja longe de ameaçar os líderes do campeonato.
A chegada de Zilisch à Cup Series gerou enorme expectativa, sobretudo depois de um ano quase perfeito nas categorias inferiores. Contudo, a pressão e o nível de exigência da principal divisão revelaram-se um obstáculo de outra dimensão. Para Joey Logano, tricampeão da Cup Series pela Team Penske e actual referência na modalidade, o caso de Zilisch é um déjà-vu do seu próprio início de carreira. “O Connor tem um talento incrível. É um diamante por lapidar, neste momento, mas precisa é de tempo. Acho que o mais importante para os jovens talentos que chegam agora é darem-lhes uma verdadeira oportunidade. Eu quase perdi a minha. Aliás, tecnicamente perdi, até que a Team Penske me deu uma segunda hipótese”, afirmou Logano antes da corrida em Nashville, recordando como também ele enfrentou dificuldades após a ascensão meteórica à elite da NASCAR.
Logano, que foi apontado como o futuro da modalidade desde muito jovem, apenas conquistou duas vitórias em quatro temporadas com a Joe Gibbs Racing, enquanto via os colegas Denny Hamlin e Kyle Busch a discutir vitórias e títulos de forma regular. “A pressão era enorme. Toda a gente estava à espera que eu fosse logo campeão. Mas demorei, precisei de crescer. Felizmente, a Penske acreditou em mim e agora tenho três títulos”, explicou Logano, sublinhando as semelhanças entre o seu percurso e o de Zilisch. Para o tricampeão, o desafio de adaptação dos rookies prende-se sobretudo com a complexidade dos Cup cars e a necessidade de transmitir feedback técnico extremamente detalhado à equipa, algo que só surge com experiência. Além disso, refere, “na Cup Series, qualquer pequeno erro custa lugares. A concorrência não perdoa”.
A pressão tem sido evidente para Zilisch, que confessou na passada quarta-feira, na SiriusXM NASCAR Radio: “Já posso parar de receber notificações no Twitter a dizerem-me que ainda não terminei no top 10. São pequenas coisas, mas sinto que são boas para mim. É algo de que posso orgulhar-me e não sair da pista a bater com a cabeça na parede”. A frustração era notória, sobretudo depois de um 2025 em que parecia imparável. O sétimo lugar em Sonoma, no entanto, deu-lhe finalmente algo concreto em que se apoiar, até porque, no mesmo fim-de-semana, conseguiu ainda um segundo lugar na NASCAR O’Reilly Auto Parts Series, também em Sonoma.
O calendário, no entanto, promete ser ainda mais desafiante: após o sucesso relativo em pistas mistas como Sonoma, seguem-se 18 corridas consecutivas em ovais, começando já em Chicagoland. Aqui, Zilisch terá de provar que consegue transferir a confiança e consistência do último fim-de-semana para palcos tradicionalmente mais difíceis, onde a pressão dos patrocinadores e da própria equipa não dará margem para muitos deslizes. O risco de perder apoios ou mesmo de a equipa perder a paciência é real, caso os resultados não melhorem de forma visível.
Para já, o sétimo lugar em Sonoma representa uma lufada de ar fresco e poderá servir de rampa de lançamento para a segunda metade da época. A próxima ronda será decisiva para perceber se Connor Zilisch consegue transformar este breakthrough numa recuperação sustentada, mantendo vivas as esperanças de quem acredita que o jovem norte-americano ainda pode vir a ser uma das grandes estrelas da NASCAR Cup Series. O campeonato segue renhido, mas Zilisch sabe que, tal como Joey Logano, precisa apenas que lhe deem tempo e confiança para corresponder ao seu enorme potencial.
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