Adrian Newey sugere possível retirada de Fernando Alonso se Aston Martin não melhorar

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O futuro de Fernando Alonso na Fórmula 1 voltou a ser tema de acesa discussão, depois de Adrian Newey ter deixado no ar a hipótese de o bicampeão mundial se retirar caso a Aston Martin não mostre sinais claros de progressão com o pacote de evoluções previsto para o Grande Prémio da Hungria. O ambiente em Silverstone, palco da próxima ronda do Mundial, está carregado de expectativa, numa altura em que a equipa britânica atravessa uma das fases mais complicadas dos últimos anos.

A Aston Martin tem vivido uma época marcada por dificuldades, encontrando-se regularmente nas últimas posições da grelha e a lutar apenas pelo orgulho dos seus pilotos. Fernando Alonso e Lance Stroll, ambos com notória experiência e ambição, têm tido poucas oportunidades para mostrar o seu verdadeiro potencial enquanto a equipa e a Honda procuram soluções para o AMR26, um monolugar que não acompanhou a evolução dos rivais. Os resultados modestos reflectem-se nos tempos de volta, frequentemente a mais de um segundo dos líderes, e nas classificações finais, quase sempre fora dos pontos.

No Campeonato do Mundo de Fórmula 1, esta situação deixa a Aston Martin numa posição ingrata, bastante aquém das expectativas criadas pela surpreendente temporada de 2023. O peso das responsabilidades faz-se sentir sobretudo em Alonso, que, aos 42 anos, continua a mostrar um nível competitivo impressionante mas exige sinais claros de evolução para prolongar a carreira. O pacote de melhorias agendado para o Grande Prémio da Hungria é visto como uma autêntica prova de fogo para o futuro do espanhol na equipa. Caso não haja progressos significativos, o piloto poderá ponderar seriamente pendurar o capacete no final do ano, cenário que agitaria o mercado de pilotos e retiraria à Fórmula 1 uma das suas figuras mais carismáticas.

Adrian Newey, recentemente contratado pela Aston Martin como consultor técnico, abordou frontalmente estas questões em declarações ao site oficial da equipa antes do Grande Prémio da Grã-Bretanha: “Ambos os pilotos têm mostrado frustração, e por vezes isso transpôs-se para a comunicação social. Mas é compreensível. São animais competitivos. Querem estar na luta pela frente”. O engenheiro britânico revelou ainda as conversas tidas com Alonso e Stroll: “Tive várias conversas com ambos sobre onde estamos e para onde vamos”.

Confrontado com a possibilidade de Alonso abandonar, Newey foi claro quanto ao peso que o novo pacote de evoluções terá no futuro do espanhol: “É muito importante. O Fernando está realmente ansioso pela atualização e, se funcionar, esperamos que continue no cockpit por mais uma época. Dada a sua experiência, a sua sensibilidade no carro e a capacidade de orientar o desenvolvimento, é um ativo tremendo. Mas quer ver progresso claro e tangível. Se conseguirmos mostrar que estamos a avançar de forma decisiva, ele está absolutamente comprometido em continuar ao volante”.

Sobre a estratégia de introdução das evoluções, Newey explicou a razão por trás da decisão de concentrar tudo numa única etapa, em vez de trazer pequenas melhorias ao longo de várias corridas: “Foi uma decisão dolorosa. Enquanto os outros têm vindo a acrescentar performance, nós temos estado praticamente parados em termos relativos, por isso cada fim de semana pode ser mais doloroso que o anterior. Mas acreditamos que é a decisão certa – o investimento certo para o nosso futuro. Os nossos parceiros – Aramco, Valvoline, Honda e outros – entendem que este é um período difícil, mas necessário, para sairmos mais fortes, com um salto decente na segunda metade desta época e um ainda maior para o próximo ano”.

A expectativa para o Grande Prémio da Grã-Bretanha é, por isso, moderada. Newey admitiu que, “salvo milagres”, a Aston Martin continuará a lutar pelas posições do fundo do pelotão em Silverstone. No entanto, dentro da estrutura da equipa, há confiança de que o momento de viragem está próximo e que os resultados começarão a aparecer após a Hungria.

Com o campeonato a meio, a Aston Martin enfrenta uma encruzilhada crucial. Se o pacote de evoluções corresponder às expectativas, Alonso poderá renovar a confiança no projeto e continuar a ser uma referência em 2025. Caso contrário, o paddock poderá assistir à despedida de um dos maiores talentos da história recente da Fórmula 1. Todas as atenções estarão centradas na próxima prova em Silverstone e, sobretudo, no muito aguardado Grande Prémio da Hungria, onde se decidirá mais do que o futuro imediato da Aston Martin: está também em jogo a continuidade de Fernando Alonso no pináculo do desporto automóvel.

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