Mercedes identifica falha na bateria como causa das desistências recentes

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O abandono de George Russell quando liderava o Grande Prémio do Canadá, seguido do infortúnio idêntico de Kimi Antonelli, que ocupava o segundo lugar em Barcelona, lançaram a Mercedes numa espiral de preocupação e investigação técnica. A equipa de Brackley viu duas oportunidades de ouro escaparem-lhe devido a falhas mecânicas, acumulando já 43 pontos perdidos apenas nestas duas provas, o que comprometeu a sua vantagem no Campeonato do Mundo de Construtores de Fórmula 1 para uns agora escassos 72 pontos face à Ferrari.

No rescaldo do Grande Prémio de Espanha, a Mercedes confirmou finalmente o diagnóstico: a origem dos abandonos está relacionada com falhas na bateria do grupo motopropulsor. James Allison, director técnico da Mercedes, detalhou no programa Nu Silver Arrows Radio Show que “qualquer espectador atento terá notado que vários carros com motor Mercedes ficaram fora de prova esta época. Não são falhas idênticas, mas têm origem na mesma zona da bateria.” Allison acrescentou que a equipa está a trabalhar numa solução definitiva, afirmando que “a maioria das áreas de risco já está identificada. Com alguma sorte, quando começarmos a introduzir novos módulos ao longo da época – chamamos ‘módulo’ à bateria – a nossa sorte enquanto frota deve melhorar. Obviamente, para nós, estes abandonos são extremamente penalizadores.”

A preocupação com a fiabilidade não se limita à equipa de fábrica. As equipas-cliente, nomeadamente a McLaren, também têm sofrido com problemas eléctricos. Lando Norris viu-se obrigado a trocar de bateria durante o fim-de-semana do Mónaco e acabou por abandonar devido a configurações do grupo motopropulsor. Já em Xangai, tanto Norris como Oscar Piastri não alinharam sequer à partida, cada um por questões eléctricas distintas. Estes episódios sublinham a urgência de uma resposta eficaz por parte da Mercedes, não só para defender as suas próprias aspirações ao título, mas também para não comprometer as ambições dos seus parceiros.

Toto Wolff, director de equipa, reagiu imediatamente após o abandono de Antonelli em Barcelona, sublinhando que “não nos podemos dar ao luxo de continuar a perder pontos desta forma na luta pelo título mundial de F1. Não deixaremos pedra sobre pedra até compreendermos totalmente o que está a originar esta falta de fiabilidade.” Já James Allison, numa análise mais técnica à abordagem da equipa, explicou que “aceitamos que haverá sempre falhas. Tentamos garantir que essas falhas acontecem nos testes ou nos bancadas de ensaio, o mínimo possível em corrida, quando estão em causa pontos do campeonato.” Allison acrescentou ainda: “Quando acontece uma falha deste tipo, antes de a compreendermos completamente, tendemos a ser mais cautelosos com o equipamento, a forçá-lo um pouco menos, apenas para garantir alguma resiliência. Mas, ao mesmo tempo, outra parte da equipa procura a raiz do problema para o eliminar e voltar a introduzir uma solução suficientemente robusta.”

O ambiente dentro da Mercedes é de urgência, mas também de determinação em virar a página deste ciclo negativo. A solução definitiva para o problema da bateria ainda não tem data prevista, o que se torna particularmente relevante tendo em conta que o Mundial entra agora num ciclo exigente, com quatro fins-de-semana de corridas em cinco semanas, a começar já com o Grande Prémio da Áustria. Com as contas do campeonato cada vez mais apertadas, a Mercedes vê-se forçada a actuar rapidamente para evitar que a vantagem se esgote por completo e para não perder o comboio da luta pelo título, tanto entre construtores como entre pilotos.

A próxima ronda em Spielberg será, assim, um teste crucial à capacidade de resposta técnica e psicológica da Mercedes. Caso a solução provisória não resista, a pressão sobre a equipa aumentará exponencialmente, podendo beneficiar rivais directos como a Ferrari e a McLaren, que já demonstraram capacidade para capitalizar os deslizes da concorrência. Por outro lado, se a Mercedes conseguir estabilizar a fiabilidade dos seus carros, poderá recuperar o ímpeto e relançar-se como favorita ao título, sendo que cada ponto será agora disputado até ao limite. O desfecho deste braço-de-ferro técnico e estratégico poderá muito bem definir o rumo do campeonato nas próximas semanas.

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