Steiner critica Honda e Aston Martin após desilusão no início da época

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O insucesso retumbante da Aston Martin-Honda na presente temporada de Fórmula 1 voltou a ser tema de debate aceso, com Günther Steiner, antigo chefe de equipa da Haas e agora responsável da Tech3 na MotoGP, a lançar duras críticas ao desempenho do construtor nipónico e ao projecto liderado por Lawrence Stroll. A formação de Silverstone, que iniciou 2024 com enormes ambições após a chegada de Adrian Newey e o reforço da parceria técnica com a Honda, soma apenas um ponto no campeonato, deixando Fernando Alonso e Lance Stroll longe dos lugares de destaque nas primeiras corridas do ano.

No rescaldo do mais recente Grande Prémio, onde a Aston Martin voltou a desiludir, Steiner não poupou palavras ao abordar a falta de competitividade da equipa. “Não é que o Lawrence Stroll não esteja a tentar – são muito poucas as pessoas que investiram tanto dinheiro pessoal na Fórmula 1 como ele. Mas acredito que a Honda precisa de mais do que apenas o ADUO. Ele vai ficar com uma grande fatia dos fundos, porque estão a correr mesmo muito mal, sabes? Vai certamente ajudar, porque se continuarem onde estão, vão ter de descer para a Fórmula 2”, afirmou Steiner no podcast “Red Flags”, recuperando a velha discussão sobre um sistema de promoção e despromoção entre categorias, à semelhança do que acontece noutras modalidades.

Os dados das últimas provas são claros: a Aston Martin tem sido incapaz de acompanhar o ritmo dos seus rivais diretos, ficando frequentemente afastada dos pontos e terminando várias voltas atrás dos líderes. No mais recente evento do Mundial de Fórmula 1, a equipa britânica somou apenas um ponto, com uma diferença para o vencedor superior a um minuto, um abismo face às expectativas geradas no início do projeto. A power unit da Honda, que deveria ser uma mais-valia após o fim da colaboração com a Red Bull, está longe de corresponder, colocando em causa o investimento massivo feito por Lawrence Stroll, proprietário da equipa.

Steiner foi ainda mais longe, sublinhando a dimensão da desilusão: “A Aston Martin faz até a Cadillac parecer boa, e a Cadillac terminou a três voltas do vencedor. O que a Aston Martin está a fazer agora é, para mim, simplesmente inaceitável. Já não está à altura dos padrões da Fórmula 1. És último, mas a quilómetros de distância, e ainda por cima nem sequer acabas a corrida”, lamentou o antigo chefe de equipa da Haas. Num contexto em que a competitividade é máxima e os investimentos são colossais, a prestação da equipa de Silverstone está a ser vista como um fracasso absoluto, tanto dentro como fora do paddock.

As críticas de Steiner também tocaram a gestão interna da estrutura, apontando responsabilidades directas a Lawrence Stroll: “Não acredito que Lawrence Stroll tenha orgulho do que está a acontecer, mas a responsabilidade é dele. É a sua equipa. O Stefano (Domenicali) não tem autoridade para decidir quando devem participar, quando não, o que devem fazer ou como se devem comportar. Infelizmente para a Fórmula 1, não existe uma regra de despromoção; na maioria dos outros desportos, se não se obtêm bons resultados, adivinhem: descem de divisão”, atirou Steiner, sugerindo que a pressão deveria ser ainda maior para os projectos que não apresentam resultados à altura do investimento.

Esta prestação abaixo das expectativas traz consequências diretas na luta pelo Mundial de Construtores, com a Aston Martin já a ver as equipas rivais a distanciar-se na tabela e a pressão a aumentar internamente. O futuro imediato da formação britânica passa pela necessidade de inverter rapidamente a tendência, sob pena de comprometer toda a época e colocar em causa a confiança dos patrocinadores e adeptos. Com o próximo Grande Prémio agendado para o circuito de Barcelona, as atenções estarão centradas nas eventuais atualizações técnicas e na resposta dos pilotos, sobretudo de Fernando Alonso, que tem sido a voz da experiência num projeto que teima em não arrancar.

A ausência de resultados obriga a equipa a repensar estratégias e a procurar soluções de imediato. Se nada mudar, a Aston Martin-Honda arrisca-se a perder ainda mais terreno no pelotão e a ver reforçadas as críticas quanto à viabilidade do seu projecto de topo em Fórmula 1. A próxima ronda do campeonato será decisiva para medir a capacidade de resposta de uma estrutura que, até ao momento, está a desapontar todos os que esperavam vê-la a lutar pelos lugares cimeiros.

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