Lewis Hamilton conquistou a primeira vitória da época para a Ferrari no Grande Prémio de Espanha, em Barcelona, numa corrida marcada por uma reviravolta estratégica e por problemas inesperados para George Russell, que partira da pole position ao volante do Mercedes. Apesar de liderar durante o arranque e parte do primeiro stint, Russell viu o seu ritmo ser dramaticamente afetado nas voltas finais devido a um erro técnico que só agora foi revelado pela equipa de Brackley.
No final das 66 voltas ao Circuito de Barcelona-Catalunha, Hamilton cortou a meta em primeiro lugar com um tempo total de 1:31:24.683, batendo Russell por 8,6 segundos. Kimi Antonelli, da Mercedes, esteve prestes a roubar o segundo lugar a Russell, mas um problema mecânico a duas voltas do fim obrigou-o a abandonar e deixou o britânico livre para garantir o pódio. A diferença entre os candidatos ao título ficou ainda mais vincada, com Charles Leclerc a terminar em quarto e Max Verstappen, da Red Bull, apenas em sexto após uma qualificação abaixo do esperado e dificuldades em ritmo de corrida. A vitória de Hamilton foi ainda cimentada por uma escolha estratégica ousada: o britânico apostou numa estratégia de três paragens, aproveitando um Virtual Safety Car ao momento certo para minimizar a perda de tempo, enquanto Russell e Antonelli arriscaram apenas duas idas às boxes, o que acabou por se revelar insuficiente face ao desgaste dos pneus na segunda metade da prova.
Este resultado relança o campeonato numa altura crucial da temporada, com Hamilton a aproximar-se dos líderes do Mundial de Pilotos e a Ferrari a reforçar a sua posição no Campeonato de Construtores. O erro estratégico da Mercedes, aliado ao problema técnico no monolugar de Russell, reacende a discussão interna sobre a fiabilidade operacional da equipa e a tomada de decisões sob pressão. Russell, que vinha de uma série de resultados dececionantes nas últimas provas, parecia estar de regresso ao topo da sua forma, mas o ajuste incorreto da asa dianteira no seu último pit stop deixou-o com um carro demasiado sobrevirador, comprometendo o ritmo e colocando em risco até o pódio.
No rescaldo da prova, Bradley Lord, diretor-adjunto da Mercedes, explicou em vídeo de debrief pós-Barcelona: “Foi ótimo ver o George, depois de uma série difícil nas últimas corridas, de regresso ao seu melhor nível, a conquistar a pole e a lutar pela vitória. [Ele esteve] a fazer isso apesar de, na nossa última paragem, termos ajustado incorretamente a asa dianteira devido a um problema com a pistola de ajuste. Isso fez com que conduzisse com um equilíbrio muito, muito sobrevirador, o que certamente comprometeu o seu ritmo nas fases finais.” Russell, visivelmente frustrado mas diplomático após o pódio, afirmou: “Senti que tinha o controlo no início, mas da última vez que saí das boxes, o carro ficou muito difícil de segurar em curva rápida. Só mais tarde percebi a razão, mas demos o nosso melhor até ao fim.” Hamilton, por seu lado, celebrou o resultado e sublinhou a importância da estratégia: “A equipa esteve brilhante nas decisões e o carro estava perfeito no último stint. A vitória sabe ainda melhor depois de tanto trabalho nas últimas semanas.”
Com a próxima prova marcada para o circuito de Silverstone, em Inglaterra, o campeonato volta a aquecer, com Hamilton a ganhar terreno e Russell a tentar recuperar confiança após o revés de Barcelona. A Mercedes terá de repensar os seus processos de box e afinação, enquanto a Ferrari e a Red Bull não podem perder o foco face à crescente competitividade demonstrada nos últimos grandes prémios. O erro no ajuste da asa dianteira de Russell poderá custar pontos preciosos no final da temporada, mas também serve de motivação adicional para a equipa alemã corrigir detalhes e regressar às vitórias. As atenções voltam-se agora para Silverstone, onde a pressão estará ao rubro e qualquer falha se poderá revelar decisiva na luta pelo título mundial.
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