A maior fraqueza da Audi na presente temporada ficou uma vez mais exposta, com Gabriel Bortoleto a revelar que o défice do motor da marca alemã pode ultrapassar um segundo por volta, comprometendo seriamente as aspirações da equipa ao pódio. Num campeonato onde as margens são cada vez mais curtas e os detalhes fazem a diferença, o construtor de Ingolstadt vê-se confrontado com uma das maiores desvantagens técnicas da grelha.
No decurso do Mundial de Fórmula 1, a Audi somou apenas dois pontos – ambos conquistados por Gabriel Bortoleto – e permanece na luta pelo meio da tabela, sem conseguir ameaçar consistentemente as equipas da frente. No último Grande Prémio, realizado no Circuito de Silverstone, Bortoleto terminou em 13.º lugar, a mais de 50 segundos do vencedor, com a melhor volta da Audi a ser cerca de 1,2 segundos mais lenta do que a marca estabelecida pelo líder da prova. O piloto admite que, com uma unidade motriz de topo, a Audi já teria subido ao degrau mais alto do pódio esta época. “Penso que é claro que temos um chassis muito forte”, sublinhou Bortoleto após a corrida. “Ainda não é um chassis de campeonato, ainda não temos aquele carro que, com um grande motor, nos permitiria vencer corridas, mas temos um chassis muito competitivo neste momento.”
O contexto da Audi é, contudo, de construção a médio prazo: a marca prepara-se para a entrada oficial como construtor de fábrica em 2026, admitindo que o sucesso imediato é pouco realista. O próprio Bortoleto apela à paciência, frisando que o maior potencial de melhoria reside mesmo na unidade motriz. “Fica também claro através do ADUO [Additional Development Upgrades Opportunities] que temos um défice no motor e estamos a perder bastante por volta. O Mattia [Binotto] já referiu no passado mais de um segundo, dependendo do circuito, e isto não é exagero. Esta é a verdade sobre onde estamos, e é normal, porque é a primeira temporada do nosso motor. Tudo foi desenvolvido internamente, com pessoas que já estão na Audi há muitos anos. Por isso, penso que o sítio onde temos mais margem para melhorar é definitivamente o motor.”
A FIA atribuiu à Audi o direito a pelo menos duas oportunidades adicionais de desenvolvimento na próxima homologação das unidades motrizes, sinalizando que os valores de potência pura ainda estão, pelo menos, 4% abaixo dos Red Bull Powertrains, o atual padrão da Fórmula 1. Esta fragilidade técnica coloca a Audi numa posição delicada, sobretudo face à evolução rápida dos rivais diretos no pelotão intermédio, como a Alpine ou a Haas, que têm conseguido, pontualmente, intrometer-se nas lutas pelo top-10.
Apesar das dificuldades, Bortoleto mantém o optimismo quanto ao futuro da equipa. Em declarações prestadas após a última prova, o jovem piloto português reforçou a necessidade de tempo e estabilidade no projeto: “Acho que precisamos de tempo. Temos a estrutura, temos o dinheiro, temos tudo o que precisamos, as pessoas certas para vencer — só nos falta tempo para desenvolver, porque as corridas não são como o ténis ou o futebol, onde se pode mudar algo de um momento para o outro. Fabricar peças leva um tempo de preparação enorme, têm de ser desenvolvidas, testadas, postas em pista, e é preciso paciência nesse sentido. Já pedi um plano à equipa e vejo esse plano, a médio e longo prazo, com muita clareza. Por isso, estou confiante de que vamos estar a lutar muito em breve.”
A próxima ronda do campeonato será determinante para perceber se a Audi consegue capitalizar algum dos desenvolvimentos recentes nas pistas mais rápidas do calendário, onde o défice de potência é ainda mais evidente. Com a aproximação do Grande Prémio da Hungria, no circuito de Hungaroring, a expectativa gira em torno da capacidade da equipa para encurtar distâncias e, quem sabe, surpreender com uma estratégia arrojada ou um ritmo de corrida acima das expectativas. No campeonato, a Audi mantém-se fora do top-5 entre os construtores, mas qualquer ponto somado pode ser crucial na luta pelo prestígio e pelos recursos suplementares para 2025.
A saga do motor Audi está longe de terminar, mas a promessa de uma base técnica sólida e a confiança de Bortoleto deixam antever que, com trabalho e investimentos certos, o construtor alemão pode vir a ser uma das grandes surpresas da era pós-2026 na Fórmula 1. Até lá, a aposta passa por consolidar processos, acelerar o desenvolvimento do propulsor e continuar a somar quilómetros e experiência ao mais alto nível.
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