Leclerc volta a ficar dois grandes prémios sem pontos, não acontecia desde 2020

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Lewis Hamilton celebrou a sua 106.ª vitória na carreira e a primeira ao serviço da Ferrari no Grande Prémio de Espanha, mas para Charles Leclerc o fim de semana foi mais um capítulo sombrio numa fase negativa da sua passagem pela Scuderia. O piloto monegasco, que recentemente renovou contrato com a equipa de Maranello, somou o segundo Grande Prémio consecutivo sem qualquer ponto, algo que já não acontecia desde a época desastrosa de 2020 para os lados da Ferrari.

No Circuito da Catalunha, a qualificação de Leclerc ficou marcada por um erro próprio que o deixou fora das primeiras posições. Na corrida, tudo piorou quando, prejudicado pelas circunstâncias da entrada da Virtual Safety Car, o #16 viu-se forçado a abandonar devido a um problema técnico na sua SF-26, selando assim mais um zero para a sua contabilidade no Mundial de Pilotos. Estes dois fins de semana – Barcelona e o anterior em Monte Carlo, onde também ficou em branco – contrastam fortemente com o sucesso do colega de equipa. Hamilton, no mesmo período, somou um segundo lugar e uma vitória, consolidando a sua posição na luta pelo título.

O contexto para Leclerc é preocupante. Só em 2020, no pior ano da Ferrari nas últimas quatro décadas, tinha passado dois fins de semana seguidos sem pontuar: foi nos Grandes Prémios de Sakhir e Abu Dhabi, com um abandono e um 13.º lugar. Nessa mesma temporada, entre Barcelona, Spa e Monza, chegou mesmo a registar três corridas consecutivas sem pontos. Em 2024, Leclerc já tinha terminado fora da zona pontuável na Áustria e no Reino Unido, mas evitou o duplo zero graças ao sétimo lugar obtido na Sprint do Red Bull Ring, que lhe valeu alguns pontos.

Esta sequência de resultados negativos acentua a pressão sobre Leclerc, que nunca se viu tão distante do seu companheiro de equipa em termos de desempenho directo. O próprio piloto reconheceu as dificuldades, referindo no final da corrida de Barcelona: “Foi um fim de semana extremamente frustrante. Cometi um erro na qualificação que condicionou tudo e, na corrida, simplesmente nada correu a nosso favor. Sinto que estamos a perder terreno e isso é difícil de aceitar numa equipa como a Ferrari.” Frederic Vasseur, chefe de equipa da Scuderia, reforçou o apoio ao seu piloto, mas não escondeu a preocupação: “O Charles é um talento extraordinário e está a passar por uma fase complicada. Temos de analisar em conjunto o que correu mal e garantir que regressamos mais fortes já na próxima prova.”

A rivalidade interna na Ferrari está ao rubro, com Hamilton a assumir a liderança dentro da equipa e a posicionar-se como candidato real ao título, enquanto Leclerc enfrenta a sombra de uma crise pessoal e competitiva. O mau momento do monegasco ameaça transformar-se numa espiral negativa, sobretudo numa altura em que o campeonato entra numa fase decisiva e cada ponto pode ditar o desfecho da temporada.

O próximo desafio é o Grande Prémio da Áustria, onde Leclerc terá de mostrar sinais claros de recuperação para evitar agravar a sua posição no Mundial de Pilotos. Um novo fim de semana sem pontos poderá mesmo colocar em causa a sua credibilidade dentro da Ferrari, especialmente perante um Hamilton em clara ascensão. Para o campeonato, a luta pelo título ganha novos contornos, com a Ferrari a tentar equilibrar a pressão interna e a ambição de voltar aos títulos, enquanto Leclerc sabe que a Áustria pode ser a última oportunidade para inverter a maré. O futuro imediato da Scuderia e do seu piloto monegasco joga-se já na próxima corrida, com a expectativa dos adeptos elevada ao máximo.

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