Dan Ticktum reage a segunda repreensão da Cupra Kiro na Fórmula E

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Dan Ticktum voltou a ser protagonista pelas razões menos desejadas, ao receber uma segunda reprimenda formal da Cupra Kiro mesmo à porta do Grande Prémio de Sanya de Fórmula E. O britânico, que tem exibido velocidade pura e momentos de brilhantismo ao longo da temporada, sobretudo com duas pole positions consecutivas no mítico circuito de Monte Carlo, viu-se novamente no centro das atenções, desta feita devido a questões disciplinares internas.

A reprimenda agora confirmada pelo director de equipa, Russell O’Hagan, resulta de uma avaliação interna de meio da época, na sequência de vários episódios protagonizados por Ticktum ao longo das dez rondas já disputadas do campeonato. Em particular, o seu comportamento em Monte Carlo, onde foi penalizado com 33 segundos após a primeira corrida e abandonou o circuito antes de cumprir as obrigações mediáticas, agravou a tensão entre piloto e equipa. Além disso, a partir de Sanya, Ticktum foi instruído a envergar obrigatoriamente o equipamento oficial da Cupra Kiro em todas as ocasiões no paddock, uma exigência que não existia até então.

No plano desportivo, Ticktum tem enfrentado uma época repleta de contrariedades, muitas vezes alheias ao seu controlo, o que se reflete nos resultados modestos e numa classificação aquém das expectativas para um dos pilotos mais rápidos do pelotão. Apesar das adversidades, o britânico reconhece a necessidade de ajustar alguns comportamentos. “Sim, acho que, quando se lê sem muito contexto, pode parecer apenas que me portei mal, mas não é necessariamente isso”, explicou Ticktum numa entrevista concedida após o anúncio da reprimenda. “Há algumas coisas com as quais a equipa não tem estado satisfeita, uma certa falta de profissionalismo em alguns aspectos. Coisas como usar sempre o equipamento da equipa, que, muitas vezes, considero algo trivial. Mas, no fim do dia, estou a representar uma equipa. Não sou a equipa, por isso há momentos em que devo considerar mais a perspectiva dos outros. Nesse sentido, aceito, para ser honesto.”

O descontentamento de Ticktum não se limita, porém, a questões disciplinares. O piloto, actualmente sem contrato para a próxima temporada e a cumprir o seu quinto ano na estrutura de Silverstone, manifestou frustração com a forma como tem sido tratado no seio da Cupra Kiro. “Acho que, por outro lado, existe um foco excessivo em coisas que não são importantes”, acrescentou. “É complicado falar sobre isto porque, como já disse antes, no que toca aos contratos nesta equipa, não tenho estado particularmente satisfeito com o tratamento recebido. Sou um ser humano, no fim do dia, e isso afecta o meu estado de espírito de corrida para corrida, ainda por cima numa época que tem sido má. Sinto-me um pouco desiludido, para ser honesto. Não pela prestação da equipa, mas pela forma como fui tratado. Como disse, não quero alongar-me muito, mas sinto que dei muito a esta equipa.”

Russell O’Hagan, ao anunciar a segunda reprimenda, não deixou de sublinhar que também a estrutura técnica e directiva da Cupra Kiro terá de evoluir na forma como gere e apoia o seu piloto. O dirigente afirmou, após uma reunião “muito construtiva” com Ticktum, que “a equipa precisa de compreender melhor como trabalhar com Dan e extrair dele o melhor desempenho possível”. Este reconhecimento público de que a responsabilidade não é exclusiva do piloto poderá ser um passo importante para restaurar a confiança e a motivação num período decisivo do campeonato.

Com o Grande Prémio de Sanya a aproximar-se, a pressão mantém-se elevada tanto para Ticktum como para a Cupra Kiro. O britânico procura inverter a maré de maus resultados e garantir não só pontos cruciais para a equipa, mas também argumentos que possam pesar na renovação do seu contrato. A equipa, por seu lado, está consciente de que necessita de estabilidade interna e de um ambiente favorável para capitalizar o potencial do seu piloto mais rápido. A próxima ronda do campeonato será decisiva para perceber se as mudanças impostas – tanto em comportamento como na gestão interna – produzirão resultados palpáveis em pista.

No contexto do campeonato, um bom resultado em Sanya pode relançar Ticktum na luta pelos lugares cimeiros e aliviar a tensão vivida nas últimas semanas. Pelo contrário, um novo desaire poderá acentuar o clima de incerteza em torno do futuro do piloto na Fórmula E e na Cupra Kiro. A rivalidade interna e o equilíbrio de forças no seio da equipa prometem continuar a marcar a actualidade, numa temporada onde não faltam ingredientes para uma narrativa tão imprevisível como as próprias corridas de Fórmula E.

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