Oliver Bearman voltou a destacar-se no panorama da Fórmula 1, ao atribuir à sua mudança precoce para Itália e à estrutura da Ferrari Driver Academy a rápida maturidade que hoje demonstra nas pistas. O jovem britânico, que surpreendeu o paddock ao estrear-se de forma relâmpago pela Ferrari no Grande Prémio da Arábia Saudita de 2024, aos 18 anos, com uma prestação notável e pontos conquistados, reflecte agora sobre o percurso que o levou ao sucesso, já na sua segunda época com a Haas.
Na temporada de 2026, Bearman ocupa actualmente a 11.ª posição do Mundial de Pilotos, somando 18 pontos, enquanto o seu colega Esteban Ocon segue apenas com 3 pontos em 16.º, evidenciando o crescimento e consistência do jovem britânico face à experiência do francês. Bearman terminou inclusive a sua época de estreia com mais pontos do que Ocon, reforçando o seu papel enquanto um dos talentos emergentes do campeonato. O impacto da Ferrari na sua formação não se fez apenas sentir dentro de pista, mas também fora dela, com a experiência intensa de adaptação a uma nova cultura e língua em Maranello, cidade que o acolheu desde tenra idade.
O piloto da Haas recordou, em entrevista ao podcast F1 Off The Grid, os desafios de ter deixado o Reino Unido ainda adolescente para se juntar à academia da Ferrari em Itália: “Olhando para trás, para a pessoa que era quando me mudei para Itália, tinha 16 anos, acho eu, ou até um pouco menos. Não estava nada preparado para o que a vida me reservava”, confessou Bearman. O britânico acrescentou ainda: “Foi uma grande experiência ser lançado aos lobos, mudar de país, não falar a língua. Tive de aprender italiano rapidamente, se queria comer pizza e massa, entre outras coisas.”
O jovem piloto revelou também as dificuldades de adaptação a uma cidade pequena como Maranello: “Maranello é uma excelente cidade, mas é um pouco rural. Ao fim de semana não se passa grande coisa e eu não conhecia ninguém, por isso ficava por minha conta. Quando consegui o meu carro, comecei a conduzir por todo o lado, adorei a liberdade.” Bearman confessou ainda uma das frustrações da juventude: “Quando fiz 17 anos já tinha carta, mas não podia conduzir na Europa até aos 18, tive de esperar mais um ano, o que foi irritante.”
A convivência diária com adultos, desde engenheiros a mecânicos e treinadores, foi outro dos factores determinantes para a sua evolução: “Tive de amadurecer muito rapidamente. Estava sempre rodeado de adultos, pessoas muito mais velhas do que eu. Passei a ter de estar ao nível deles, porque era com eles que passava o tempo.” Bearman explicou ainda o ritmo acelerado com que a sua carreira evoluiu após os primeiros testes: “Depois do primeiro teste, fiz a minha primeira sessão de treinos livres e tudo avançou a grande velocidade. Só seis meses depois já estava a fazer a minha primeira corrida. Foi tudo muito rápido, mas no bom sentido. Essa mudança e a estrutura da Ferrari disciplinaram-me e fizeram de mim quem sou hoje.”
Com a temporada a meio, a ascensão de Bearman dentro do plantel da Haas é notória e começa a ser falada entre as equipas de topo, não só pelos resultados, mas pela maturidade com que enfrenta os desafios. O britânico está já a preparar-se para a próxima ronda do campeonato, o Grande Prémio da Hungria, onde espera consolidar a sua posição no top-10 do Mundial de Pilotos e continuar a bater recordes pessoais. O desempenho frente a Ocon e a consistência demonstrada desde a estreia reforçam o seu estatuto de promessa a seguir atentamente, enquanto as equipas preparam as movimentações de mercado para 2027. Fica clara a importância do investimento da Ferrari na formação de jovens talentos, com Bearman a servir como exemplo de sucesso e de como uma aposta estruturada pode transformar adolescentes em protagonistas do Mundial de Fórmula 1.
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