Suspeitas de Steiner sobre alegado esquema da Mercedes para obter o aduo

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A surpreendente inclusão da Mercedes no grupo de beneficiários do ADUO (Atribuição de Desenvolvimento Unitário de Operações), com direito a mais margem para desenvolver a unidade motriz, deixou o paddock em alvoroço. O facto de a Mercedes, que venceu seis das sete corridas disputadas até ao momento nesta temporada, ter sido classificada pela FIA na categoria dos 2% de défice relativamente ao motor térmico, abriu a porta a suspeitas e interrogações por parte de equipas rivais – especialmente da Red Bull, actualmente a maior referência no que toca à performance do ICE (Internal Combustion Engine).

Segundo a listagem provisória oficializada pela FIA, a Mercedes terá direito a concessões técnicas destinadas a melhorar o desempenho não só do motor térmico, mas igualmente da componente eléctrica da unidade motriz – um trunfo considerável numa altura em que a evolução tecnológica é cada vez mais determinante. O contexto é particularmente sensível, porque estas concessões podem traduzir-se num salto competitivo relevante para a marca de Brackley. A Red Bull, sentindo-se prejudicada, já solicitou à FIA uma reavaliação dos cálculos, alegando que a sua unidade motriz, tida como referência absoluta na Fórmula 1, ficou injustamente excluída das ajudas.

No centro da polémica está a suspeita de que a Mercedes poderá ter “escondido jogo” propositadamente para beneficiar das concessões. Esta teoria ganhou força após declarações de Gunther Steiner, antigo chefe de equipa da Haas, durante o podcast Red Flags. Questionado sobre a possibilidade de a Mercedes ter deliberadamente reduzido o potencial dos seus motores para conseguir enquadrar-se nos critérios do ADUO, Steiner respondeu sem hesitações: “Poderia ser, quero dizer… Se há alguém capaz de o fazer, esse é o Toto (Wolff)”.

Steiner, conhecido pela sua franqueza e vasto conhecimento dos bastidores, foi mais longe na contextualização: “O Toto é muito inteligente. E não é nada difícil de fazer, de todo. Agora a Red Bull pediu à FIA para voltar a verificar os dados, mas obviamente a Mercedes terá tratado de garantir que estava realmente, realmente lenta. Lenta o suficiente para passar despercebida. Quero dizer, é daquelas coisas que se fazem para manter uma vantagem. Porque não fazê-lo, se podes? Se tens mais potência, é fácil reduzi-la por razões de fiabilidade. Não é proibido usar menos potência”, sublinhou Steiner.

Estas declarações incendiaram ainda mais a discussão, reavivando antigas rivalidades e suspeitas entre Mercedes e Red Bull, as duas grandes dominadoras da era híbrida da Fórmula 1. O próprio Toto Wolff, líder da Mercedes, ainda não comentou directamente as insinuações, mas fontes próximas da equipa garantem que todos os procedimentos técnicos foram cumpridos à risca e em conformidade com o regulamento. No entanto, a pressão sobre a FIA para garantir total transparência neste processo é agora máxima.

Esta situação pode inverter o equilíbrio de forças no campeonato, numa altura em que Max Verstappen (Red Bull) lidera o Mundial de Pilotos, mas sente a pressão crescente de Lewis Hamilton e George Russell, ambos da Mercedes. Caso a Mercedes consiga capitalizar estas concessões técnicas, poderá assistir-se a um regresso da equipa às vitórias de forma consistente, relançando a luta pelo título tanto de Pilotos como de Construtores.

O próximo Grande Prémio, marcado para Silverstone, será o primeiro grande teste à capacidade da Mercedes para aproveitar os eventuais benefícios do ADUO. A Red Bull, por seu lado, chega sob fogo cruzado, com a responsabilidade de defender a liderança e provar em pista que a sua superioridade não depende apenas de regulamentos favoráveis. As próximas semanas prometem ser intensas nos bastidores e na pista, com o desfecho da polémica a ter potencial para influenciar decisivamente o rumo do campeonato de 2024.

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