Lewis Hamilton conquistou finalmente a tão desejada vitória no Grande Prémio de Espanha, em Barcelona, ultrapassando o lendário Michael Schumacher no número de triunfos no Circuito de Barcelona-Catalunha. O britânico alcançou o topo do pódio pela sétima vez neste traçado, quebrando o empate histórico com o alemão e cimentando ainda mais o seu nome entre os maiores da Fórmula 1.
A corrida ficou marcada por uma luta intensa desde as primeiras voltas. Hamilton, ao volante do Mercedes, terminou a prova com um tempo de 1:34:12.498, superando George Russell, colega de equipa, por 4,3 segundos. Lando Norris, da McLaren, completou o pódio, ficando a 8,1 segundos do vencedor. O evento, a nona ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2026, decorreu perante bancadas cheias e sob condições climatéricas ideais para a alta velocidade.
Este triunfo tem consequências diretas na luta pelo título. Hamilton, com este resultado, ascende ao segundo lugar do campeonato, reduzindo a diferença para Charles Leclerc, da Ferrari, líder da classificação, que terminou a corrida em quarto lugar após uma qualificação surpreendente onde chegou a liderar a tabela de tempos na segunda sessão de treinos livres. A rivalidade entre Mercedes, Ferrari e McLaren intensifica-se, com estratégias e execuções cada vez mais refinadas a decidir os desfechos das provas. O recorde de Schumacher, estabelecido entre 1996 e 2004, parecia inalcançável, mas Hamilton demonstrou mais uma vez porque é considerado um dos melhores de sempre, não só igualando como superando o marco do alemão.
No final da corrida, Hamilton partilhou o significado emocional deste feito histórico: “Acho que este é o primeiro passo da nossa história,” afirmou o britânico aos jornalistas, recordando o passado: “Acabei de me lembrar que foi há 30 anos que o Michael venceu aqui. Nessa altura, estaria em casa, sentado no sofá, como muitos de vocês, provavelmente a comer uma sandes ou uma sopa de frango. Tinha 12 anos, se não estivesse a correr, era assim que passava o domingo.” O piloto da Mercedes prosseguiu, evocando a inspiração que sentia ao ver Schumacher: “Olhava para aquele carro vermelho e pensava: ‘Como será sentar-me naquele cockpit vermelho?’ O meu é branco, o que nunca me agradou muito. Sempre quis que fosse vermelho como o do Michael. Hei-de conseguir isso um dia. Estar naquele carro vermelho, com aquele fato, em primeiro lugar, à frente daquela equipa incrível que cantava o hino nacional… foi extraordinário sentir a alegria nos olhos deles e partilhar esse momento. Quase desmaiei depois de os abraçar. O meu coração explodia de alegria.”
A corrida em Barcelona foi um verdadeiro teste à estratégia e à resistência, com a Mercedes a optar por uma ousada estratégia de três paragens nas boxes. Hamilton soube tirar partido de um Safety Car Virtual nas voltas finais para ganhar vantagem, ultrapassando Russell e selando o triunfo com autoridade. A Scuderia Ferrari, que surpreendeu com Leclerc no topo dos tempos em treinos, não conseguiu traduzir esse ritmo em corrida, enquanto a McLaren de Norris e Piastri mostrou-se competitiva, mas incapaz de acompanhar o ritmo imposto pela Mercedes.
Este recorde de Hamilton ganha ainda mais peso quando se recorda o icónico triunfo de Schumacher no Grande Prémio de Espanha de 1996, sob chuva intensa, considerado uma das melhores exibições em piso molhado da história da Fórmula 1. Nessa tarde, Schumacher partiu atrás, mas dominou completamente, terminando com mais de 45 segundos de vantagem sobre Jean Alesi e conquistando a primeira vitória ao serviço da Ferrari – um momento que marcou o início de uma era vitoriosa para a equipa italiana e cimentou o estatuto de ‘Regenmeister’ do alemão.
Com este resultado, Hamilton reforça o seu estatuto de lenda viva e relança a luta pelo campeonato. A próxima ronda será o intenso e imprevisível Grande Prémio da Áustria, onde se espera nova batalha entre Mercedes, Ferrari e McLaren. O campeonato ganha nova vida, com pequenas diferenças a separar os principais candidatos ao título. Para Hamilton, esta vitória não é apenas mais um número; é a confirmação de que continua a escrever páginas douradas na história da Fórmula 1, inspirando uma nova geração – tal como Schumacher o inspirou há três décadas.
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