George Russell, piloto da Mercedes, não escondeu a preocupação com o ritmo da McLaren nos treinos livres para o Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1, disputados esta sexta-feira no Red Bull Ring. Apesar de Kimi Antonelli, da Mercedes, ter liderado ambas as sessões, a performance dos carros papaya deixou Russell em alerta, considerando a McLaren uma “ameaça real” para o resto do fim-de-semana.
Nos factos chave do dia, Kimi Antonelli foi o mais rápido nas duas sessões de treinos livres, registando na FP2 um tempo 0,237s mais veloz do que Oscar Piastri (McLaren), enquanto Lando Norris, também da McLaren, ficou apenas mais uma décima atrás, isto apesar de ter perdido tempo de pista na FP1 devido a uma fuga hidráulica. George Russell não foi além do sexto posto na segunda sessão, após um erro na sua volta mais rápida, mas desvalorizou o incidente: “Não há nada com que me preocupar”, referiu, salientando contudo a consistência dos McLaren tanto em ritmo de corrida como em volta única. O próprio Russell destacou: “A FP1 foi bastante forte para nós os dois, mas logo a abrir a FP2, a McLaren estava a voar, para ser honesto. O ritmo de corrida deles, o ritmo de volta única, parece bastante decente. Acho que a maior preocupação é ver o ritmo da McLaren e da Ferrari também presentes. A FP1 foi tranquila, mas a FP2 foi desafiante.”
Este desempenho da McLaren ganha relevância no contexto da luta pelo campeonato, sobretudo numa fase em que as equipas procuram afirmar-se antes da pausa de Verão. A Mercedes procura consolidar o seu progresso após uma época de altos e baixos, enquanto McLaren e Ferrari tentam reduzir distâncias para Red Bull, que trouxe um pacote de evoluções significativas para a Áustria. Russell sublinhou ainda uma tendência: “Penso que eles [McLaren] são mesmo uma ameaça. Nota-se que nas provas com mais calor estão sempre fortes. Viu-se no ano passado, este ano voltou a acontecer. Miami foi a primeira verdadeira corrida quente e podiam ter vencido. Em Barcelona, o Lando teve um ritmo idêntico ao nosso e ao do Lewis. Aqui, voltam a estar muito fortes, há uma tendência nestas provas mais quentes de eles darem um passo em frente e nós talvez recuarmos um pouco. Foi uma verdadeira surpresa ver a primeira volta dos McLaren na FP2 bem no topo, e o ritmo de corrida, sobretudo do Lando, pareceu um pouco melhor do que o nosso.”
Do lado da McLaren, Oscar Piastri adotou um discurso cauteloso e realista quanto às possibilidades para o fim-de-semana: “Não sei se estamos na luta com a Mercedes. Parecemos ser os melhores do resto depois deles. Mas a verdade é que o Kimi e a Mercedes costumam encontrar muito ritmo do dia de sexta para sábado, por isso espero-os muito, muito rápidos amanhã”, afirmou o australiano, reconhecendo o salto de performance normalmente dado pela marca alemã entre treinos e qualificação.
Lando Norris, apesar do contratempo hidráulico na FP1, conseguiu recuperar o tempo perdido e mostrar competitividade, mas a McLaren mantém os pés assentes na terra. Neil Houldey, diretor técnico da McLaren, reagiu com algum humor aos elogios de Russell, mas rapidamente voltou à prudência: “Gostava de acreditar que o George tem razão, mas temos de ser realistas. Não trouxemos grandes novidades desde o último evento, apenas algumas pequenas alterações. Ainda temos oportunidades, mas vimos o quão rápido o Kimi foi e sabemos que o George também é capaz desses tempos. A Ferrari foi muito rápida em Barcelona e não há razão para não serem aqui também. A Red Bull trouxe um grande pacote para esta prova, portanto podemos esperar que estejam na frente. Na verdade, penso que pelo menos oito pilotos estão em condições de lutar aqui, e neste momento não sabemos bem onde nos situamos.”
Com a qualificação à porta, a expectativa é elevada: Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull parecem próximos em termos de performance, e o calor intenso do Red Bull Ring pode baralhar ainda mais as contas. A próxima sessão será crucial para determinar as reais forças em jogo e perceber se a tendência de superioridade da McLaren em condições quentes se confirma. Em termos de campeonato, cada ponto é vital – qualquer deslize pode custar posições importantes, tanto no Mundial de Pilotos como no de Construtores. O Grande Prémio da Áustria promete emoção e incerteza até ao cair da bandeira de xadrez.
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