Verstappen pondera partida da via das boxes após problema grave no motor

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Max Verstappen deixou o paddock de Silverstone em sobressalto ao admitir que poderá arrancar da via das boxes no Grande Prémio da Grã-Bretanha, após detetar um grave problema na unidade motriz do seu Red Bull. O tetracampeão mundial manifestou publicamente a sua insatisfação durante a qualificação, afirmando que o motor “não estava a responder como habitualmente” e classificando a situação como “um desastre”.

Na sessão de qualificação para o Grande Prémio da Grã-Bretanha, Verstappen conseguiu apenas o sétimo melhor tempo, ficando a 0,642s da pole position alcançada por Lando Norris, da McLaren, que assinou 1:25.123. Oscar Piastri (McLaren) e George Russell (Mercedes) completaram o top-3. Verstappen, que registou 1:25.765, ficou atrás dos dois McLaren, dos dois Mercedes e de Charles Leclerc (Ferrari), num dia em que a Red Bull evidenciou dificuldades inéditas na era híbrida recente. A diferença para Norris sublinha a gravidade do problema de potência reportado pelo neerlandês, que não escondeu o desalento: “Foi simplesmente inacreditável. O carro não avança. Não puxa como antes, e numa pista como esta é ainda mais doloroso”, declarou Verstappen aos jornalistas presentes em Silverstone.

O impacto desta qualificação atípica é significativo tanto para o campeonato como para o moral dentro da Red Bull. Verstappen, que chegou a Silverstone na liderança do Mundial, vê a concorrência cada vez mais próxima, especialmente após a vitória de Norris na Áustria e a consistência dos pilotos da Mercedes. Questionado sobre as implicações para a luta pelo título, Verstappen foi perentório: “Nem vale a pena perguntarem-me isso. Já o disse na semana passada: não se pode avaliar um campeonato por um fim de semana isolado. As equipas trazem atualizações em momentos diferentes e, por isso, as diferenças mudam constantemente. No geral, estamos aquém do que é necessário”, reconheceu o campeão da Red Bull, sublinhando a necessidade de evolução contínua.

A incerteza quanto à fiabilidade do motor levou Verstappen a ponderar uma decisão radical: “Se deixarmos o carro como está, não faz sentido correr. Prefiro mudar tudo e arrancar da via das boxes, porque se não fizermos nada, vamos andar para trás na mesma”, afirmou o neerlandês em declarações ao jornal holandês De Telegraaf. Com esta opção, Verstappen quebraria o regime de parque fechado, mas acredita ser a única alternativa realista para evitar um domingo penoso. “Tentei tudo na qualificação, mas o problema manteve-se. O motor não reage, e isso preocupa-me muito para a corrida”, admitiu, revelando que a equipa técnica da Red Bull ainda não conseguiu identificar a origem do problema.

Do lado da Red Bull, o ambiente é de preocupação e análise intensa. Os engenheiros continuam a investigar a anomalia detectada no RB22, e Helmut Marko, conselheiro da equipa, reconheceu que “há um problema claro que precisa de ser resolvido antes do arranque”. A decisão de mudar componentes e aceitar uma penalização poderá ser comunicada apenas horas antes da corrida, dependendo do diagnóstico final.

Com o campeonato a entrar na fase decisiva do verão europeu, cada ponto é crucial e as margens para erro diminuem. Verstappen, que viu a sua vantagem no Mundial apertar-se nas últimas provas, sabe que uma má corrida em Silverstone poderá relançar totalmente a luta pelo título. A próxima ronda será na Hungria, onde a Red Bull terá de mostrar respostas concretas se quiser manter o comando do campeonato perante a ameaça crescente da McLaren, Mercedes e Ferrari.

As atenções estão agora centradas na decisão da Red Bull para o alinhamento de Verstappen. Se o neerlandês partir da via das boxes, terá de empreender uma recuperação épica para minimizar danos. Caso alinhe em sétimo, arrisca-se a ser presa fácil para os rivais. Independentemente da estratégia adoptada, a pressão está do lado da Red Bull, que vê a sua hegemonia seriamente ameaçada em 2024. A corrida de Silverstone poderá marcar um ponto de viragem no campeonato e será uma dura prova à resiliência de Verstappen e da estrutura austríaca, num momento em que o pelotão da Fórmula 1 nunca esteve tão competitivo.

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