A Koenigsegg decidiu fazer uma coisa pouco habitual: pegar num dos seus projetos de competição mais raros, que nunca chegou sequer a disputar uma corrida, e transformá-lo numa máquina de estrada ainda mais radical.
O resultado chama-se CCGT1 e é, essencialmente, uma interpretação moderna do CCGT original, o carro que a Koenigsegg desenvolveu para a categoria GT1 e que acabou por nunca competir devido a alterações regulamentares.

Agora, a marca sueca recupera esse espírito num hipercarro baseado no CC850, com até 1.600 cv, aerodinâmica inspirada diretamente nos carros de competição e capacidade para gerar até 800 kg de força descendente a 250 km/h. E há outro detalhe que vai agradar aos mais puristas: pode ter pedal de embraiagem. A história começa num carro que nunca correu.

Para perceber o CCGT1 é preciso recuar até ao início dos anos 2000. A Koenigsegg desenvolveu o CCGT original com o objetivo de competir na categoria GT1. Era uma máquina completamente diferente daquilo que hoje associamos aos hipercarros da marca.
Utilizava um V8 atmosférico de 5,0 litros, limitado a cerca de 600 CV para cumprir os regulamentos da categoria, pesava aproximadamente 1.000 kg e conseguia gerar mais de 600 kg de força descendente. Nos testes, o carro mostrou um ritmo bastante promissor.
O problema é que a FIA alterou as regras da GT1 apenas dois meses depois do início do programa de testes, favorecendo fabricantes capazes de produzir carros de estrada em volumes muito superiores aos da pequena Koenigsegg. O campeonato acabaria por entrar em colapso e o CCGT ficou sem lugar para competir. Um dos projetos de competição mais interessantes da história da marca acabou, assim, por nunca disputar uma corrida oficial. Agora tem 1.600 CV.

O CCGT1 pega nessa história e leva-a para um nível completamente diferente. Debaixo da carroçaria está a base mecânica do CC850, mas praticamente tudo o que interessa ao nível da carroçaria foi alterado. A Koenigsegg manteve apenas elementos como as portas e o teto amovível.
O resultado é um hipercarro com uma presença muito mais agressiva, dominado por uma enorme asa traseira e por uma aerodinâmica claramente inspirada na competição. O V8 biturbo desenvolve 1.280 CV com gasolina convencional. Mas com E85, o número sobe para uns impressionantes 1.600 CV.

É uma quantidade de potência que, por si só, já seria suficiente para transformar o CCGT1 numa máquina completamente absurda. Mas a Koenigsegg decidiu que também precisava de uma aerodinâmica à altura. A marca anuncia até 800 kg de downforce a 250 km/h. Para colocar este número em perspetiva, o CCGT1 fica entre o Jesko Attack e o Sadair’s Spear em termos de carga aerodinâmica.
A enorme asa traseira utiliza um elemento ativo com 30 graus de ajuste automático, podendo assumir diferentes configurações para privilegiar baixo arrasto, máxima carga aerodinâmica ou funcionar como travão aerodinâmico. Mas não é apenas uma questão de colocar uma asa gigantesca na traseira.

A Koenigsegg redesenhou o fundo do carro e introduziu novas soluções aerodinâmicas para manter o equilíbrio à medida que a velocidade aumenta.
Existem ainda entradas de ar nos arcos das rodas dianteiras, condutas NACA e uma entrada no tejadilho que canaliza ar para o sistema de arrefecimento do radiador de óleo e dos amortecedores traseiros. A ideia é simples: quanto mais depressa se conduz, mais o CCGT1 parece querer ficar colado ao asfalto. Uma caixa automática com comportamento de carro de corrida A transmissão também merece atenção.
A Koenigsegg mantém a sua conhecida caixa Light Speed de nove velocidades, mas introduziu uma nova interface denominada Koenigsegg Sequential Shift (KSS). O sistema permite utilizar um pedal de embraiagem para arrancar. Depois disso, o condutor pode realizar as mudanças de velocidade de forma sequencial, sem necessidade de voltar a utilizar a embraiagem.
A cada mudança existe ainda um corte de ignição, procurando reproduzir a sensação de uma verdadeira caixa de competição. Os diferentes modos são selecionados através de um comando na consola central e incluem funcionamento automático, sequencial, manual e marcha-atrás.
E para quem continua a achar que nada substitui uma verdadeira caixa manual, há boas notícias: a Koenigsegg mantém a possibilidade de encomendar a caixa manual de seis velocidades do CC850.
O CCGT1 estreia também uma nova fibra de carbono desenvolvida pela Koenigsegg e denominada Ghost Fibre. Segundo a marca, este material é simultaneamente mais resistente, mais leve e mais silencioso do que a fibra de carbono convencional.
No habitáculo encontramos ainda um novo Chronocluster de terceira geração, que combina vários instrumentos analógicos para controlar parâmetros como pressão do óleo, temperaturas, combustível, rotações, velocidade e pressão de sobrealimentação.
Há também um indicador G analógico que mede diretamente as forças a que o automóvel está sujeito. É uma solução que combina tecnologia moderna com uma apresentação quase mecânica, precisamente aquilo que se espera de um carro concebido para quem gosta de conduzir.
O primeiro verdadeiro pacote de pista da Koenigsegg A marca sueca vai ainda disponibilizar aquilo que descreve como o seu primeiro pacote de pista desenvolvido diretamente pela fábrica.
E aqui a coisa fica ainda mais séria. O pacote inclui pneus slick, gaiola de proteção, bancos de competição, macacos pneumáticos, sistema de supressão de incêndios, aquisição de dados e vários outros equipamentos destinados a utilização em circuito. A Koenigsegg promete que o CCGT1 será capaz de proporcionar as voltas mais rápidas de sempre de um Koenigsegg. Ainda não existe, no entanto, um tempo oficial ou um circuito específico que permita confirmar essa afirmação.
Como seria de esperar, a produção será extremamente limitada. A Koenigsegg vai fabricar apenas 70 unidades do CCGT1. E há um pequeno problema para quem ficou agora apaixonado por este carro: todos os exemplares já estavam reservados antes da apresentação oficial.
Ou seja, o CCGT1 não é apenas uma homenagem ao CCGT que nunca chegou a correr. É também uma espécie de declaração de intenções da Koenigsegg.
Um carro de estrada com 1.600 CV, 800 kg de downforce, aerodinâmica de competição, possibilidade de caixa manual e um pacote de pista desenvolvido pela própria fábrica.
O CCGT original nunca teve oportunidade de mostrar o que conseguia fazer numa corrida. O CCGT1 parece determinado a corrigir essa história — só que agora com matrícula.

