Lucas di Grassi protagonizou uma das maiores surpresas da temporada ao conquistar a primeira vitória da Lola Yamaha na Fórmula E, após partir dos últimos lugares da grelha na segunda corrida do Grande Prémio de Xangai. A espectacular reviravolta do piloto brasileiro, que ainda procura fechar a carreira em grande antes da sua anunciada retirada no final do ano, deixou o paddock incrédulo e redefiniu o equilíbrio do campeonato.
O início da corrida foi fortemente condicionado pela pista molhada, obrigando a um arranque atrás do safety car e a dividir estratégias. Vários pilotos optaram por ativar o modo de ataque logo nas primeiras voltas, enquanto outros, como di Grassi, preferiram gerir energia e aguardar pelo momento ideal para atacar, apostando num acerto de seco e pressões de pneus adaptadas – uma aposta que se revelou certeira, já que a chuva não voltou a cair. No primeiro segmento da prova, o domínio pertenceu aos Porsche oficiais, com Pascal Wehrlein e Nico Mueller a liderar confortavelmente sobre os Andretti de Felipe Drugovich e Jake Dennis, antes de o desenrolar estratégico revolucionar as contas nos derradeiros quilómetros.
A fase decisiva da corrida ficou marcada por uma luta titânica entre os três pilotos que partiram de 17.º, 18.º e 19.º: Joel Eriksson (Envision), Jean-Eric Vergne (Citroën) e o próprio di Grassi. Após uma longa neutralização para remover o Lola Yamaha de Zane Maloney, imobilizado na recta da meta com a suspensão partida, a acção foi retomada a três voltas do fim. Di Grassi, ainda com um modo de ataque por usar, aproveitou o impulso extra para superar Vergne na última volta, conquistando assim a sua primeira vitória em quatro anos e garantindo um feito histórico para a Lola Yamaha. Vergne terminou a escassos 0,565 segundos, com Eriksson a fechar o pódio a 2,903 segundos do vencedor. Wehrlein, já afastado da luta pela vitória, cruzou a meta em quarto, a mais de 11 segundos, amealhando pontos fundamentais para o campeonato, especialmente numa jornada em que Mitch Evans, da Jaguar, não alinhou devido a um problema técnico num componente standard da categoria.
Esta vitória de di Grassi não só relança o moral da Lola Yamaha, que nunca antes subira ao lugar mais alto do pódio, como agita as contas do campeonato no momento crucial da temporada. Wehrlein assume agora a liderança do Mundial com 141 pontos, nove de vantagem sobre Evans, que viu o seu avanço ruir após um fim-de-semana desastroso. Oliver Rowland (Nissan) mantém-se no terceiro posto com 114 pontos, seguido de António Félix da Costa (Jaguar) e Jake Dennis (Andretti), ambos a menos de dez pontos do pódio, enquanto Edoardo Mortara (Mahindra) fecha o top-6 com 103 pontos.
No final da corrida, Lucas di Grassi não escondeu a emoção perante os jornalistas: “É uma sensação indescritível vencer assim, vindo do fundo da grelha e numa corrida tão estratégica. A equipa fez um trabalho extraordinário na escolha do acerto e na gestão de energia. Esta vitória significa muito para mim e para a Lola Yamaha, que merecia este momento”. Jean-Eric Vergne, visivelmente frustrado mas desportista, reconheceu após a prova: “Fiz tudo para manter o Lucas atrás, mas com o modo de ataque extra era impossível defender. Ainda assim, é um bom resultado para a Citroën, numa corrida tão imprevisível”. Pascal Wehrlein, apesar de não ter subido ao pódio, mostrou-se pragmático: “O objectivo era somar o máximo de pontos e aproveitar a ausência do Mitch. Liderar o campeonato nesta fase é positivo, mas ainda há muito caminho pela frente”.
Com apenas três provas para o final da temporada, a Fórmula E prepara-se agora para o Grande Prémio de Portland, onde se antevê nova batalha intensa entre Porsche, Jaguar, Nissan e as equipas clientes. O triunfo de di Grassi dá ânimo renovado à Lola Yamaha, mas a luta pelo título está mais aberta do que nunca, com seis pilotos separados por menos de 40 pontos. Os adeptos portugueses têm motivos extra para acompanhar de perto as prestações de António Félix da Costa, que continua na órbita dos lugares do pódio e promete atacar forte na próxima ronda. O campeonato aproxima-se da reta final com emoção máxima garantida e sem favoritos claros, deixando tudo em aberto para as duas últimas jornadas decisivas.
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