Verstappen desiludido com falta de ritmo da Red Bull em Silverstone

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Max Verstappen voltou a ser assolado pela má sorte, desta vez na qualificação para o Grande Prémio da Grã-Bretanha em Silverstone, onde um problema com a unidade motriz do seu Red Bull RB22 limitou as suas hipóteses, obrigando-o a arrancar apenas da sétima posição da grelha. Depois de uma prestação sólida na Áustria, onde ficou a escassos segundos da vitória, o panorama em Silverstone confirma um declínio preocupante no ritmo da Red Bull face à concorrência.

Na sessão de qualificação, Verstappen registou um tempo significativamente atrás dos líderes, não conseguindo aproximar-se do topo da tabela. A ausência de competitividade do monolugar ficou evidente nos sectores mais rápidos, com uma diferença de mais de meio segundo para a pole position, o que agrava a preocupação da equipa austríaca quanto à capacidade de resposta em circuitos que exigem uma gestão energética apurada. O neerlandês terminou a sessão a 0,604 segundos do primeiro classificado, uma desvantagem incomum para aquele que, até há pouco, dominava o campeonato. O Grande Prémio de Silverstone, parte integrante do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2026, marca assim um ponto de viragem para a Red Bull, que se vê a perder terreno para rivais diretos como a McLaren, a Mercedes e a Ferrari.

A situação no campeonato torna-se cada vez mais complicada para Verstappen e para a Red Bull. Com este resultado, Verstappen corre o risco de perder ainda mais pontos na luta pelo título, principalmente quando comparado com o ritmo consistente apresentado por Lando Norris e Lewis Hamilton nas últimas provas. A Red Bull, que em 2025 dominou com autoridade, enfrenta agora uma realidade em que a gestão energética dos seus carros não acompanha as exigências dos circuitos mais desafiantes do calendário, como Silverstone e os próximos Spa-Francorchamps e Monza. Recordes que pareciam ao alcance no início da temporada estão agora ameaçados, e a pressão interna aumenta para encontrar soluções rápidas, apesar das limitações impostas pelo teto orçamental.

No final da qualificação, Verstappen não escondeu o desalento e foi perentório quanto às perspetivas de recuperação imediata. “Não deviam voltar a fazer-me essa pergunta”, respondeu o piloto quando confrontado com a possibilidade de lutar pelo título, recordando o ressurgimento da Red Bull no pós-verão do ano passado. Em conversa com jornalistas, Verstappen foi ainda mais explícito: “Não somos muito bons nestes circuitos, quando a gestão de energia é crítica. Este fim de semana, o equilíbrio do carro também não esteve ideal.” O neerlandês lamentou ainda o impacto que isto terá em pistas como Spa e Monza: “Vão ser praticamente iguais. É uma pena porque Spa é um dos meus circuitos preferidos, mas este ano vai ser muito diferente.” Perante a insistência dos media neerlandeses sobre o verão, Verstappen reagiu com humor: “Sim, mas as férias de verão nunca são longas o suficiente!”

Christian Horner, responsável máximo da equipa Red Bull, também admitiu as dificuldades: “Sentimos que estamos a perder terreno nos circuitos onde a energia é um fator decisivo. Temos de analisar profundamente o que podemos melhorar, mas as limitações do teto orçamental dificultam grandes evoluções técnicas.” Verstappen acrescentou ainda: “Com o teto orçamental, não podemos trazer tantas atualizações quanto gostaríamos. Vamos avaliando corrida a corrida, mas onde a gestão de energia é determinante, temos mais dificuldades.”

Além da quebra de performance, o azar tem acompanhado Verstappen ao longo da temporada. Para além do problema na unidade motriz em Silverstone, recorde-se o incidente com a asa traseira na Áustria, o abandono inexplicável na Austrália e a desistência em Mónaco quando partia da segunda posição. O próprio piloto resume o sentimento de frustração: “É como se tivesse atropelado um gato preto. Não sei porque acontece, mas não sou muito supersticioso, por isso acredito que vai melhorar eventualmente.”

Olhando para a frente, a próxima paragem é o Grande Prémio da Hungria, uma pista onde a gestão de energia volta a ser relevante, mas com características distintas de Silverstone. A Red Bull terá de reagir rapidamente se quiser manter vivas as aspirações ao título. Uma má prestação em Budapeste poderá afastar Verstappen de forma definitiva do topo da classificação, e abrir caminho para uma batalha a dois entre Norris e Hamilton. No entanto, com o campeonato ainda longe do fim, tudo poderá mudar caso a Red Bull consiga surpreender com alguma evolução técnica ou se a sorte finalmente sorrir ao neerlandês. O que é certo é que a pressão está no máximo e a margem de erro reduz-se a cada prova disputada.

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