Hamilton renasce na Ferrari após época desastrosa e volta à luta pelo título

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O renascimento de Lewis Hamilton em Maranello tornou-se o grande destaque da temporada, depois de um ano de estreia verdadeiramente atribulado ao serviço da Ferrari. O piloto britânico, sete vezes campeão do mundo de Fórmula 1, não só voltou a lutar pelas vitórias, como também se posiciona agora como um dos principais candidatos ao título mundial de 2026, após um 2025 de desilusão e dúvidas sobre o seu próprio futuro competitivo.

Na última corrida, o Grande Prémio da Grã-Bretanha, Hamilton cruzou a linha de meta em segundo lugar, apenas 2,3 segundos atrás do vencedor Max Verstappen, da Red Bull, com Charles Leclerc, seu colega de equipa na Ferrari, a terminar em quarto, a mais de 19 segundos do líder. O britânico registou ainda a volta mais rápida da corrida, com 1:29.412, demonstrando um ritmo impressionante, sobretudo nas últimas voltas, e consolidando a sua recuperação face ao início de 2025. Este resultado catapultou Hamilton para o segundo lugar do campeonato, com apenas 17 pontos a separá-lo de Verstappen, numa época em que a Ferrari voltou a mostrar argumentos para disputar ambos os títulos.

O contraste para a época passada é gritante. Hamilton, em 2025, não conseguiu qualquer pódio, sentiu dificuldades crónicas nos treinos de qualificação e foi constantemente batido por Leclerc, tanto ao sábado como ao domingo. Muito se deveu ao facto de não ter tido qualquer intervenção no desenvolvimento inicial do Ferrari SF-25, ao contrário do que fazia na Mercedes durante a era turbo-híbrida. No entanto, a chegada do SF-26 marcou uma viragem: Hamilton esteve directamente envolvido no seu conceito e desenvolvimento, tornando-se peça-chave na evolução técnica da Scuderia e recuperando a confiança e o estatuto de líder dentro da estrutura italiana.

Martin Brundle, antigo piloto de Fórmula 1 e actual comentador da Sky F1, recordou precisamente esse período negro de Hamilton, realçando a dimensão da sua recuperação. “O Lewis ficou tão em baixo no ano passado, não ficou? Estava a ter tantas dificuldades e dizia coisas como ‘já não sou suficientemente bom’. Foi extraordinário ouvir aquilo”, referiu Brundle, sublinhando o impacto emocional do britânico face ao insucesso. “Mas as suas emoções mudaram completamente, e agora vê-se que está a desfrutar, a saborear cada saída para a pista e a condução do seu carro. Ele parece fantástico quando está em pista.” Brundle destacou ainda a importância de Hamilton na liderança do desenvolvimento da Ferrari: “Sim, e porque razão não o haveriam de ouvir? Ele já esteve lá, já viu tudo, já fez tudo e venceu. Naturalmente, a Ferrari funciona de forma diferente, há barreiras linguísticas e novos métodos, mas a experiência dele é fundamental.”

A ascensão de Hamilton relança a intriga em torno do campeonato. A Ferrari, após anos de jejum, parece finalmente ter recuperado a capacidade de lutar de igual para igual com a Red Bull, e o britânico, com o seu papel de liderança técnica e motivação renovada, ameaça tornar-se o pesadelo da sua antiga equipa. O próximo desafio será o exigente Grande Prémio da Hungria, onde a gestão de pneus e o equilíbrio do SF-26 serão postos à prova. Caso mantenha o ritmo e a confiança, Hamilton poderá reduzir ainda mais a distância para Verstappen e consolidar o seu regresso ao topo, quebrando o domínio do neerlandês e reforçando o estatuto de lenda viva da Fórmula 1. Para já, a moral está em alta em Maranello e, com Hamilton a liderar, a Ferrari sonha novamente com o título mundial.

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