Max Verstappen não escondeu a frustração ao sair da qualificação do Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone, depois de apenas conseguir o sétimo melhor tempo, a quase oito décimos da pole position conquistada pelo jovem Andrea Kimi Antonelli. Num circuito onde, há um ano, a Red Bull parecia imparável, Verstappen viu-se incapaz de acompanhar o ritmo dos principais rivais e reconheceu publicamente que o monolugar austríaco enfrenta um “problema claro” de performance.
A sessão de qualificação foi reveladora das dificuldades da Red Bull: Verstappen terminou a 0,774s da pole de Antonelli (Mercedes), a 0,634s de Charles Leclerc (Ferrari) e a 0,425s de Lewis Hamilton (Mercedes), que fechou o top-3. No Sprint realizado durante a manhã, o cenário pouco melhorou, com o neerlandês a cair da terceira posição para sexto, depois de perder duelos em pista para George Russell (Mercedes) e Leclerc, sublinhando as limitações do RB22 no traçado britânico.
O circuito de Silverstone, com as suas longas rectas e curvas de alta velocidade, expôs ainda mais as debilidades do chassis e da unidade motriz desenvolvida em colaboração com a Ford. Apesar de não estarem sujeitos a restrições de potência (ADUO), os engenheiros da Red Bull não conseguiram encontrar soluções eficazes para o défice de velocidade em recta e o desgaste excessivo da bateria, problemas que Verstappen fez questão de salientar após a qualificação.
Em declarações aos jornalistas, o bicampeão mundial foi taxativo: “Experimentei muitas coisas diferentes durante a qualificação, mas o resultado foi sempre o mesmo. Existe claramente um problema e isso preocupa-me para amanhã, porque não faz sentido correr assim”, afirmou Verstappen, visivelmente desapontado. O piloto explicou ainda que “o carro ontem já não estava bem” e que, apesar dos ajustes feitos, “hoje não conseguimos qualquer melhoria nesse aspecto, ficou praticamente igual”. Acrescentou que “também fui muito lento nas rectas, por alguma razão, no meu carro, desde a primeira volta, estava em défice de potência”.
Verstappen detalhou a questão do sistema híbrido, revelando: “Aqui, quando se tem menos potência, passa-se mais tempo nas rectas e consome-se mais bateria. Isso tem um impacto ainda maior no último sector, especialmente à saída da curva 15, onde basicamente não há potência disponível”.
O resultado em Silverstone surge como um duro golpe, sobretudo depois da exibição sólida e vitoriosa na Áustria, na semana anterior. A perda de ritmo coloca pressão adicional sobre uma Red Bull que, apesar de continuar a liderar o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, vê os rivais da Mercedes e Ferrari a encurtar distâncias em cada grande prémio. A incerteza em torno do futuro de Verstappen na equipa também paira no ar, intensificando o ambiente de nervosismo nos bastidores de Milton Keynes.
Para Verstappen, um bom resultado este fim de semana parece improvável sem um verdadeiro “milagre”, como o próprio admitiu. O neerlandês terá de se contentar com a luta pelo top-5, numa corrida onde a estratégia e as condições poderão ser determinantes. Do lado da Red Bull, a prioridade passa agora por analisar detalhadamente os dados recolhidos em Silverstone e preparar a resposta para o Grande Prémio da Bélgica, dentro de duas semanas, onde será crucial inverter esta tendência negativa.
O campeonato mantém-se aberto com este revés para Verstappen, podendo provocar alterações nas posições cimeiras, caso Mercedes e Ferrari capitalizem as dificuldades da Red Bull. Com a temporada a entrar na fase decisiva, cada ponto conquistado pode fazer a diferença na luta pelo título, e a equipa austríaca sabe que não pode perder o foco frente a adversários cada vez mais competitivos. Resta agora saber se as melhorias técnicas chegarão a tempo de devolver a Verstappen a confiança e a vantagem que exibiu na primeira metade do ano.
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