A vitória de Lewis Hamilton no Grande Prémio de Espanha, em Barcelona, marcou não só o regresso do britânico ao topo do pódio, como também acentuou as dificuldades sentidas por Charles Leclerc na Ferrari em 2026. Com oito rondas já disputadas no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, Leclerc vê-se a braços com um monolugar que parece favorecer claramente Hamilton, invertendo por completo o cenário de 2025, no qual o monegasco era quem mais brilhava na Scuderia.
Hamilton conquistou finalmente a sua primeira vitória ao serviço da Ferrari, tornando-se o centro das atenções à chegada ao lendário circuito de Silverstone, palco do próximo Grande Prémio da Grã-Bretanha. O heptacampeão mundial, agora com 106 triunfos em Grandes Prémios, lidera a equipa italiana, enquanto Leclerc luta por igual tratamento e por recuperar a confiança, numa fase em que a consistência do britânico ameaça colocá-lo como principal candidato ao título. Na classificação, Hamilton segue à frente de Leclerc, com o monegasco a perder terreno após vários incidentes e uma sequência de resultados aquém das expectativas, incluindo a última prova em Spielberg, onde terminou a mais de 20 segundos do colega de equipa.
A chegada de Hamilton à Ferrari alterou a dinâmica interna da equipa, lançando Leclerc num desafio complexo: adaptar-se a um carro que já não se encaixa no seu estilo de condução e, ao mesmo tempo, evitar que a balança penda em definitivo para o lado do britânico. Jenson Button, campeão do mundo em 2009 e antigo colega de equipa de Hamilton na McLaren, analisou a situação durante um evento promovido pela viagogo. “A Ferrari já recorreu a ordens de equipa no passado, mas não creio que seja esse o caminho que Fred Vasseur (chefe de equipa) quer seguir”, afirmou Button. “É uma Ferrari muito diferente da dos anos 90 ou do início dos anos 2000. Acredito que querem dar oportunidades iguais aos dois pilotos, ambos são extremamente talentosos e trabalhadores”.
Sobre as dificuldades de Leclerc, Button foi claro: “O carro adequava-se melhor ao Charles no ano passado e agora favorece o Lewis. Não há muito que se possa mudar devido aos regulamentos, mas o fundamental é trabalhar com o engenheiro para desenvolver o carro na sua direção. Limitar-se a copiar o setup do colega do lado não resulta se o teu estilo de condução é diferente”. O britânico acrescentou ainda que o maior problema de Leclerc em 2026 tem sido o elevado número de incidentes em pista, algo que prejudica a confiança e coloca o piloto numa posição de desvantagem logo à partida. Recordando o acidente em Monte Carlo, onde Leclerc optou por adotar o mesmo fornecedor de material de travagem que Hamilton, Button foi taxativo: “Mudou de fabricante, mas não se viu qualquer benefício na última corrida. O estranho é que o Charles sempre foi rapidíssimo, mas na Áustria faltou-lhe andamento face ao Lewis. Ao longo da época, isso pode mudar, porque há pistas que favorecem diferentes pilotos, e todos sabemos do talento do Charles – ele vai recuperar”.
Button destacou ainda o lado emocional de Leclerc: “É um piloto muito emotivo, e por vezes sair de um ciclo negativo é complicado. Precisa de ter pessoas fortes à sua volta, e penso que isso existe na Ferrari”. As palavras do campeão de 2009 sublinham a pressão interna em Maranello, onde a rivalidade entre os dois pilotos se intensifica a cada prova, sem que a liderança da equipa esteja disposta a recorrer a ordens explícitas para privilegiar um deles.
O próximo desafio será o Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone, onde Hamilton contará com o apoio massivo dos adeptos britânicos e parte como favorito, não só pelo momento de forma, mas também pelo conhecimento do circuito. Para Leclerc, Silverstone representa a oportunidade de inverter a tendência negativa e mostrar que pode lutar em igualdade de circunstâncias. No campeonato, uma vitória do britânico poderá reforçar a sua candidatura ao título e aumentar a pressão sobre o monegasco, enquanto Leclerc precisa urgentemente de um resultado forte para não perder definitivamente o comboio da luta pelo campeonato. O duelo interno na Ferrari promete marcar as próximas provas, com Vasseur a tentar gerir o equilíbrio delicado entre os seus dois pilotos de topo.
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