Toyota e Cadillac protagonizam um duelo empolgante nas últimas três horas das 24 Horas de Le Mans, com o BMW a perder terreno e a afastar-se da luta direta pela vitória, numa das edições mais imprevisíveis dos últimos anos do FIA World Endurance Championship. A batalha pelo triunfo absoluto no Circuit de la Sarthe está agora reduzida à resistência nipónica da Toyota e à ofensiva americana da Cadillac, com todos os olhares postos na estratégia e fiabilidade nos momentos decisivos.
À entrada para as últimas três horas da lendária prova de resistência, os dois Toyota GR010 Hybrid estavam destacados na frente, pressionados pelo Cadillac V-Series.R número 12 da Hertz JOTA, enquanto o BMW M Hybrid V8 número 20, que chegou a liderar, caiu para quarto após um pit stop atribulado de Robin Frijns. Frijns liderava com quatro segundos de vantagem na 20.ª hora, mas uma entrada menos conseguida nas boxes atirou o BMW para trás dos Toyota e do Cadillac, permitindo a Norman Nato assumir a liderança, seguido pelo Toyota número 8 de Ryo Hirakawa.
A ordem manteve-se até ao momento em que um Full Course Yellow, causado por um LMP2 imobilizado, abriu a janela perfeita para Brendon Hartley, que substituiu Hirakawa, saltar para o comando. Pouco depois, Nyck de Vries, ao volante do Toyota número 7 após substituir Kamui Kobayashi, protagonizou uma manobra arrojada na curva Mulsanne e ultrapassou Norman Nato, elevando ainda mais a intensidade do duelo Toyota-Cadillac. Às 13h locais, de Vries colava-se ao para-choques de Hartley e, via rádio, pedia luz verde à equipa Toyota para atacar a liderança.
Norman Nato, no Cadillac, estava já a cinco segundos da frente, enquanto Sheldon van der Linde, recém-entrado no BMW, via o sonho da vitória a escapar-se, 20 segundos mais atrás em quarto lugar. Entre os Hypercar, mais três carros permaneciam na volta do líder: Antonio Giovinazzi no Ferrari 499P número 51, Charles Milesi no Alpine A424 número 35 e Robert Kubica no Ferrari AF Corse número 83, este último vítima de uma paragem recente que o fez perder o top 5. Já o Ferrari número 50 foi oficialmente retirado devido a problemas eletrónicos, depois de um contratempo anterior com o extintor ter hipotecado as suas hipóteses.
No pelotão LMP2, o drama também imperou: o Oreca 07 Gibson número 30 da Duqueine Team, que liderou grande parte da corrida, foi forçado a abandonar devido a uma falha brusca nos travões. Richard Verschoor, que tinha acabado de assumir o volante de Julien Andlauer e detinha uma vantagem de quatro segundos sobre Reshad de Gerus (Inter Europol Competition, número 343), viu-se ultrapassado e depois obrigado a encostar, reportando via rádio que os travões tinham “explodido”, colocando um ponto final nas aspirações da sua equipa e dos companheiros Andlauer e Doriane Pin.
Com esta reviravolta, a Inter Europol ficou numa posição dominante, com de Gerus a liderar Nick Yelloly (Inter Europol número 43) por apenas um segundo, enquanto Ollie Gray, ao volante do Forestier Racing by Panis número 29, relançado pelo último safety car, se mantinha a 29 segundos do topo. O Vector Sport número 26 e o CLX Motorsport número 37 eram os outros sobreviventes na volta do líder, ao passo que o CrowdStrike Racing by APR número 4 estava bem encaminhado para vencer a classe LMP2 Pro-Am.
Na LMGT3, a disputa pelo triunfo estava ao rubro entre Corvette, Aston Martin e Lexus. Eduardo Barrichello, no Aston Martin Vantage GT3 Evo número 23 da Heart of Racing, tirou partido de um safety car que eliminou a confortável vantagem do Corvette número 33 da TF Sport. Barrichello aproximou-se rapidamente de Nicky Catsburg, assumindo o comando ao manter-se em pista enquanto Catsburg cedia o lugar a Edgar. Pouco antes da 21.ª hora, o brasileiro entregou o carro a Jonny Adam, devolvendo a liderança a Edgar e colocando o Lexus número 78 da Akkodis ASP, com Jack Hawksworth, a apenas cinco segundos da frente. Adam caiu para quarto, atrás do Aston Martin “irmão” de Zacharie Robichon, enquanto José María López fechava o top 5 ao volante do segundo Lexus ASP, número 87.
No rescaldo destas últimas horas, a Toyota reforça a sua candidatura à vitória, mas a Cadillac mantém-se à espreita de qualquer deslize, com a gestão do tráfego e da fiabilidade a assumirem papel decisivo. O desfecho das 24 Horas de Le Mans promete ser decidido nos detalhes, com as equipas e pilotos a enfrentarem o último e implacável teste de resistência, concentração e estratégia. A próxima ronda do Mundial de Resistência será o Grande Prémio de São Paulo, mas para já, todas as atenções estão centradas em Le Mans, onde cada segundo pode definir uma página da história do automobilismo.
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