Fernando Alonso protagonizou um momento de humor que arrancou gargalhadas do público nas bancadas do Circuito de Barcelona-Catalunha, ao confessar, sem reservas, que preferia assistir ao Grande Prémio de Espanha como adepto do que da sua posição ao volante do Aston Martin. As declarações do bicampeão mundial espanhol, proferidas durante o tradicional desfile pré-corrida dos pilotos, rapidamente se tornaram virais, reforçando a ligação especial entre Alonso e os seus fervorosos apoiantes em solo catalão.
Na antecâmara da qualificação para a décima etapa do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, Alonso apresentou-se descontraído e sorridente perante os milhares de adeptos que encheram o circuito. “Honestamente, este ano acho que é melhor ver a corrida das bancadas do que no carro”, admitiu o piloto da Aston Martin, gerando uma explosão de aplausos e risos. Apesar do ambiente de festa, o espanhol não escondeu o realismo face às dificuldades do monolugar verde: Alonso terminou a qualificação fora dos dez primeiros, com um tempo de 1:12.019, a mais de oito décimos da pole position conquistada por Lando Norris, da McLaren, mostrando as limitações actuais da Aston Martin no confronto direto com as equipas da frente.
O Grande Prémio de Espanha, disputado no histórico traçado de Montmeló, foi palco de uma qualificação extremamente equilibrada, onde as diferenças se mediram ao milésimo. Lando Norris garantiu a pole position com 1:11.383, batendo Max Verstappen (Red Bull) por apenas 0,020 segundos. Lewis Hamilton (Mercedes) assegurou o terceiro lugar na grelha, seguido de George Russell. Fernando Alonso, herói da casa, viu-se relegado para a 11.ª posição, enquanto o seu colega de equipa, Lance Stroll, não foi além do 14.º posto. As aspirações da Aston Martin à luta pelo pódio, que no início da temporada pareciam legítimas, sofreram novo revés nesta ronda espanhola.
Este resultado acentua a pressão sobre a estrutura de Silverstone, que tem vindo a perder terreno para McLaren, Ferrari e Mercedes na luta pelo top-3 do Mundial de Construtores. Para Alonso, a ausência de competitividade em casa, perante uma multidão que não se cansa de o apoiar, tem um sabor agridoce. “A paixão dos adeptos aqui é incrível, sinto-me sempre em casa. Gostava de retribuir com um grande resultado, mas este ano estamos a lutar mais com o carro”, afirmou Alonso após a sessão de qualificação. Mike Krack, chefe de equipa da Aston Martin, reconheceu as dificuldades: “Sabíamos que seria um fim de semana complicado. A concorrência está muito forte e ainda temos trabalho a fazer para recuperar o terreno perdido.”
Para os fãs espanhóis, a presença de Alonso continua a ser motivo de festa e orgulho nacional, mesmo que a realidade competitiva da Aston Martin esteja longe dos tempos dourados do piloto das Astúrias. O próprio Alonso, com a sua habitual franqueza, não escondeu que “os adeptos merecem mais, mas não vamos desistir. Continuamos a trabalhar para regressar às posições da frente”. A rivalidade acentuada entre Norris, Verstappen e Hamilton promete animar o campeonato, enquanto Alonso mantém o foco em pontuar e capitalizar eventuais oportunidades durante a corrida.
A próxima ronda do campeonato será em Spielberg, na Áustria, onde a Aston Martin espera introduzir pequenas evoluções no AMR24 para tentar inverter a tendência descendente. Alonso, atualmente 9.º no Mundial de Pilotos, procura recuperar posições e relançar o seu campeonato, enquanto a Aston Martin tenta reaproximar-se de um top-5 cada vez mais distante. O ambiente festivo em Barcelona foi um bálsamo para o piloto espanhol, que, apesar das dificuldades, mantém a motivação intacta: “Aqui, com este público, tudo é possível.” Os adeptos portugueses e espanhóis aguardam ansiosamente por um desfecho mais favorável já na próxima corrida, onde se espera que o azar dê finalmente tréguas ao eterno campeão das Astúrias.
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