Uma reviravolta dramática na edição deste ano das 24 Horas de Le Mans afastou a jovem promessa Doriane Pin, júnior da Mercedes F1, de uma possível vitória histórica na classe LMP2. A cerca de três horas e meia do final da lendária prova de resistência, o Oreca #30 da Duqueine Team, então a liderar a categoria, sofreu uma explosão no sistema de travagem que forçou a equipa ao abandono e baralhou as contas da corrida.
O trio composto por Doriane Pin, Julian Andlauer e Richard Verschoor parecia encaminhar-se para o triunfo em Le Mans, após uma prestação sólida que os mantinha no topo da classificação LMP2. Verschoor, ao volante no momento do incidente, relatou pelo rádio: “Os travões explodiram!”, enquanto obrigava o protótipo a encostar à esquerda da primeira chicane na recta de Mulsanne. O problema, localizado na roda dianteira esquerda, obrigou a equipa a abandonar após horas de liderança consolidada. Com esta desistência, o comando da LMP2 passou para o Oreca #343, pilotado por Reshad de Gerus, com Nick Yelloly e o #43 a apenas 4,7 segundos, prometendo um final de prova ao rubro para a categoria.
A perda do #30 teve impacto imediato na luta pelo título do Campeonato do Mundo de Resistência, numa edição em que a rivalidade entre as equipas privadas e as estruturas apoiadas por construtores se fazia sentir de forma intensa. Para Doriane Pin, que aos 20 anos procura afirmar-se não só como piloto de LMP2, mas também como a mais recente aposta da Mercedes F1 para o futuro, esta seria uma vitória de afirmação e, possivelmente, um trampolim para voos ainda mais altos no automobilismo internacional. Além disso, a Duqueine Team estava perto de se tornar a primeira formação a vencer na LMP2 com uma piloto feminina a integrar o plantel desde o início, um feito que fica, para já, adiado.
Após o abandono forçado, Richard Verschoor, visivelmente desapontado, comentou junto aos jornalistas: “Sentimos que podíamos ganhar. O carro estava perfeito, a equipa fez um trabalho incrível e só pensávamos em manter a liderança até à bandeira de xadrez. Quando perdi os travões, percebi de imediato que não havia nada a fazer. É um sentimento de frustração enorme”. Doriane Pin, pouco depois, expressou a sua tristeza e orgulho: “Trabalhámos incansavelmente para chegar aqui e liderar em Le Mans. Foi uma experiência inesquecível, mas dói muito ver o sonho escapar desta forma. Quero agradecer à equipa e prometo que vamos voltar mais fortes.” O director desportivo da Duqueine Team, em declarações após o incidente, deixou palavras de encorajamento: “A fiabilidade é sempre um teste duro em Le Mans. Saímos de cabeça erguida, porque estes pilotos deram tudo.”
Com a liderança agora nas mãos do #343 e com o #43 a não largar a perseguição, a LMP2 prepara-se para um desfecho imprevisível, onde a gestão do ritmo, a fiabilidade e a resistência física e mental dos pilotos serão cruciais até ao final. No campeonato, a desistência da Duqueine Team deixa o caminho aberto para os rivais directos somarem pontos importantes, podendo mexer de forma decisiva com a classificação geral. Doriane Pin, apesar do revés, reforça a sua posição como uma das jovens mais talentosas do panorama internacional e mantém-se na órbita da Mercedes F1, que certamente continuará a apostar no seu desenvolvimento com os olhos postos na Fórmula 1.
A próxima ronda do Campeonato do Mundo de Resistência será determinante para a recuperação da Duqueine Team, que terá agora de recalibrar estratégias e manter o foco na fiabilidade do Oreca LMP2. Os fãs aguardam com expectativa para ver se Doriane Pin e os seus colegas conseguem superar o infortúnio e regressar às vitórias, enquanto a luta pelo título se intensifica e cada ponto passa a ser precioso. Le Mans volta a demonstrar que nenhuma vitória está garantida até à última volta e que o drama é parte indissociável da história desta mítica prova.
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