O desfecho das 24 Horas de Le Mans 2026 ficou marcado por uma polémica ordem de equipa na Toyota, que acabou por garantir a vitória do trio Nyck de Vries, Kamui Kobayashi e Mike Conway no Toyota #7. Numa das decisões mais discutidas da história recente da clássica francesa, a formação japonesa viu-se envolvida numa troca estratégica de posições entre os seus dois carros, deixando o #8, que liderava com Brendon Hartley ao volante, relegado a um papel secundário após forte pressão interna.
A consagração do Toyota #7 concretizou-se após 24 horas intensas no Circuito de La Sarthe, com a equipa a completar 367 voltas, deixando o BMW #20 de Robin Frijns a 22,3 segundos. O Toyota #8, depois do episódio das ordens de equipa e de problemas de degradação de pneus, terminou em terceiro lugar, a 38,7 segundos dos vencedores. O Cadillac #12 ficou em quarto, fora da sequência estratégica ideal, enquanto o Ferrari #51 foi o melhor representante da Scuderia, terminando em quinto, já a mais de 100 segundos de Kobayashi. Nas restantes categorias, o LMP2 foi conquistado pelo #43 da Inter Europol Competition — Jakub Smiechowski, Tom Dillmann e Nick Yelloly — beneficiando da avaria do #30, que liderava confortavelmente antes de um problema de travões. No LMGT3, domínio absoluto para o #33 Corvette Racing, graças a uma prestação notável de Nicky Catsburg durante a noite e à condução final de Jonny Edgar, com Ben Keating a completar o trio vencedor.
A polémica das ordens de equipa da Toyota surgiu nas primeiras horas da manhã de domingo, quando Brendon Hartley, ao volante do #8, liderava perante Nyck de Vries no #7. A equipa instruiu Hartley a ceder passagem ao neerlandês na recta Mulsanne, devido ao facto de De Vries ter pneus 27 voltas mais frescos. Hartley hesitou em cumprir a ordem, levando De Vries a demonstrar a sua frustração pelo rádio: “Não estou a perceber porque é que não me deixam passar, isto está a complicar a nossa corrida.” Perante a tensão, a Toyota optou por inverter as posições através da próxima janela de boxes, o que acabou por acontecer naturalmente no reabastecimento seguinte. Kamui Kobayashi e Sébastien Buemi assumiram então os respetivos carros, com Kobayashi a consolidar a liderança até à bandeira de xadrez.
No final, Nyck de Vries, visivelmente emocionado, comentou: “É o meu primeiro triunfo absoluto nas 24 Horas de Le Mans e sou grato à equipa pelo trabalho incrível, apesar de tudo o que se passou. Foi uma corrida muito dura, mas nunca baixámos os braços.” Kamui Kobayashi, já bicampeão em La Sarthe, destacou: “A vitória só foi possível porque todos mantiveram a calma nas horas críticas. A gestão dos pneus e do tráfego foi decisiva.” Questionado sobre a estratégia, o diretor da Toyota, Kazuki Nakajima, defendeu a decisão: “A prioridade era garantir o melhor resultado para a Toyota, mesmo que isso implique decisões difíceis. Os nossos pilotos são profissionais exemplares.” Do lado do Toyota #8, Sébastien Buemi admitiu o desagrado: “Faltou-nos aderência nas últimas horas, não conseguimos responder ao ritmo do #7 e do BMW. Claro que queríamos vencer, mas hoje não foi possível.”
A vitória do Toyota #7 relança o campeonato do Mundial de Resistência (WEC), com De Vries a juntar-se ao restrito grupo de vencedores absolutos em Le Mans. A BMW confirma a evolução do seu programa de Hypercar, subindo ao pódio e ameaçando a supremacia nipónica. A Ferrari, apesar de uma corrida consistente, não conseguiu igualar o ritmo dos rivais japoneses e alemães, mas mantém-se na luta pelo título. O resultado coloca pressão adicional sobre a Toyota para gerir internamente as rivalidades e garantir que episódios como o deste domingo não minam o ambiente competitivo da equipa.
Seguem-se agora as 6 Horas de Monza, onde os protagonistas de Le Mans voltam a medir forças. O campeonato ganha nova vida, com a Toyota a reforçar a liderança nos construtores, mas com BMW e Ferrari cada vez mais próximas e motivadas. Resta saber como as equipas vão gerir as emoções e estratégias após uma das edições mais controversas dos últimos anos em Le Mans, onde a linha ténue entre o desporto e as ordens de equipa voltou a ser tema de debate entre pilotos, responsáveis e adeptos.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
