Lewis Hamilton conquistou a sua primeira vitória ao serviço da Ferrari em Montmeló, precisamente três décadas depois de Michael Schumacher ter alcançado o mesmo feito no Grande Prémio de Espanha. O momento não passou despercebido a ninguém no universo da Fórmula 1, sobretudo a Piero Ferrari, filho do lendário Enzo Ferrari, que vê nesta coincidência um claro sinal do destino e um auspício para o futuro da Scuderia.
No circuito da Catalunha, Hamilton cruzou a linha de meta com um tempo total de 1:32:14.582, deixando Charles Leclerc, seu colega de equipa, a apenas 2,7 segundos. Max Verstappen, da Red Bull, fechou o pódio, a 7,1 segundos do britânico. Este triunfo de Hamilton, o primeiro vestido de vermelho, surge na sua segunda temporada com a Ferrari e marca um ponto de viragem na luta pelo título mundial, ao mesmo tempo que reacende memórias do mítico triunfo de Schumacher em 1996, também ele no traçado de Montmeló.
Os paralelismos entre Hamilton e Schumacher, os únicos pilotos com sete títulos mundiais na história da Fórmula 1, tornam este momento ainda mais simbólico para a Ferrari e para os seus adeptos. Em 1996, Schumacher iniciou ali uma era de ouro para a Scuderia, e agora Hamilton parece determinado a repetir a história. A vitória em Espanha permitiu-lhe reduzir a diferença para Verstappen no campeonato de pilotos para apenas 11 pontos, com Leclerc a solidificar o terceiro posto. No campeonato de construtores, a Ferrari aproximou-se perigosamente da Red Bull, relançando a luta pelo título numa temporada que promete duelos intensos até ao fim.
Em declarações após a corrida, Piero Ferrari mostrou-se visivelmente emocionado e destacou a importância deste momento para a equipa: “Eu não acredito que seja uma coincidência o facto de Hamilton ter conquistado a sua primeira vitória connosco precisamente em Barcelona, onde há 30 anos Schumacher inaugurou a sua extraordinária sequência de sucessos com a Ferrari. Leio isto como um sinal do destino, ou até como um auspício para o futuro que nos espera”, afirmou o dirigente máximo da casa de Maranello. Piero Ferrari deixou também elogios ao britânico: “Não estou surpreendido com o ‘renascimento’ de Hamilton. Era evidente que ele não apreciava as monolugares de efeito solo e, além disso, não lhe tínhamos dado a ele nem ao Leclerc um carro verdadeiramente competitivo”.
Hamilton, por sua vez, reconheceu a importância estratégica da vitória e não escondeu a satisfação pelo momento de viragem: “Sinto que esta vitória é o resultado de muito trabalho e perseverança. Sabia que, com as actualizações certas, a Ferrari voltaria a lutar pelas primeiras posições. Estou grato à equipa e ao Vasseur por continuarem a acreditar em mim, mesmo quando as coisas não estavam a correr bem”, declarou o piloto britânico à imprensa após a cerimónia do pódio. Frédéric Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, reforçou a confiança no plantel: “Há três ou quatro semanas, muitos diziam que eu devia despedir metade da equipa. Agora, mostramos em pista que o trabalho está a dar frutos”.
No rescaldo deste Grande Prémio de Espanha, a próxima ronda do campeonato será o sempre exigente Grande Prémio da Áustria, no Red Bull Ring, onde a Ferrari vai tentar capitalizar o excelente momento de forma. Hamilton parte agora moralizado e com o título mundial à vista, enquanto Verstappen percebe que a supremacia da Red Bull está claramente ameaçada. O campeonato volta a aquecer, com as rivalidades a atingirem novos patamares e a promessa de mais capítulos memoráveis nesta histórica temporada de Fórmula 1.
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