Red Bull vai recorrer da decisão sobre pódio de Gasly em Monaco

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A polémica decisão dos comissários de devolver o pódio do Grande Prémio do Mónaco a Pierre Gasly reacendeu intensas discussões no paddock da Fórmula 1, com a Red Bull a preparar um recurso formal por considerar tratar-se de uma questão de princípio. A controvérsia surge após a Alpine ter conseguido, durante o fim de semana em Barcelona, reverter as duas penalizações de cinco segundos aplicadas a Gasly por excesso de velocidade na via das boxes, penalizações essas que o haviam relegado do terceiro para o sétimo lugar na classificação final, beneficiando Isack Hadjar da Red Bull, que subiu a terceiro.

No centro do caso está um erro de medição no sistema de cronometragem da via das boxes do Circuito do Mónaco. Concretamente, foi detetado que a distância de referência usada para calcular a velocidade dos pilotos era 77 centímetros inferior ao previsto, distorcendo assim os resultados. O limite imposto era de 60 km/h, mas cinco das seis infrações registadas apontaram para 60,1 km/h, sugerindo que o erro afetou quase todos os casos. Gasly, que não cumpriu as penalizações em pista, viu-as somadas ao seu tempo final, ao contrário de outros pilotos como George Russell, da Mercedes, e Oscar Piastri, da McLaren, que foram obrigados a cumprir penalizações durante a corrida, com consequências diretas nas suas posições.

A decisão dos comissários de anular as penalizações a Gasly não teve apenas impacto na classificação do Grande Prémio do Mónaco, mas lançou também uma questão fundamental sobre a fiabilidade dos sistemas de medição e a aplicação das regras. Russell, em particular, foi penalizado com uma passagem pelas boxes por não cumprir corretamente a sua penalização inicial, caindo do terceiro para o 12.º lugar, o que motivou a Mercedes, segundo o diretor Toto Wolff, a consultar advogados sobre possíveis formas de contestar o resultado. “Estamos ao telefone com os advogados para perceber se existe algum tipo de recurso possível”, revelou Wolff na sexta-feira, demonstrando a gravidade da situação para a equipa alemã.

O regulamento da Fórmula 1 não prevê a anulação de uma penalização já cumprida em pista, o que complica ainda mais o cenário e coloca em causa a equidade da prova. Oscar Piastri, por exemplo, poderia ter terminado em terceiro lugar não fosse a penalização de cinco segundos aplicada ao seu pit stop. Após o veredicto dos comissários que beneficiou Gasly, tanto a McLaren como a Red Bull expressaram a intenção de recorrer, dispondo de uma janela de 96 horas para formalizar o processo, prazo que termina na terça-feira, 16 de junho.

Laurent Mekies, responsável da Red Bull, explicou aos jornalistas que a decisão de apelar está relacionada com a integridade do desporto. “Ainda não submetemos o recurso completo; temos algum tempo para isso”, afirmou Mekies. “Mas achamos que é sobretudo uma questão de princípio, para o bem do desporto, para que haja clareza na forma como lidamos com penalizações que não podem ser apeladas durante a corrida e para garantir que os resultados finais são justos.” Mekies acrescentou ainda: “Nenhum sistema de medição é perfeito; não existe um único método infalível para medir a velocidade, todos têm margem de erro. No entanto, lidamos com este sistema há muitos anos, tem sido sempre o mesmo e todos nos adaptámos. E 17 ou 18 carros conseguiram estar dentro da legalidade, por isso temos de assegurar que, enquanto desporto, temos um método suficientemente sólido para que, no futuro, haja clareza tanto para os fãs como para os concorrentes.”

Com a próxima prova do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 já no horizonte, a tensão entre equipas intensifica-se. A classificação do campeonato fica em suspenso, com múltiplos pilotos e equipas potencialmente a perder ou ganhar pontos consoante o desfecho deste processo. Um eventual recurso bem-sucedido da Red Bull poderá reverter novamente a ordem final do Grande Prémio do Mónaco, impactando as contas do campeonato de pilotos e construtores. A incerteza permanece até ao fecho do prazo de apelação, sendo claro que a questão transcende um mero incidente de corrida, colocando em debate os fundamentos da justiça desportiva e a confiança no sistema de cronometragem da Fórmula 1. O desfecho deste caso poderá estabelecer um importante precedente para a gestão de incidentes semelhantes no futuro, tornando a próxima decisão dos órgãos reguladores da modalidade absolutamente determinante para a credibilidade da competição.

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