A Ferrari desiludiu nas 24 Horas de Le Mans de 2026, incapaz de lutar pelos lugares cimeiros após dominar as três edições anteriores da mítica prova. A ausência de ritmo competitivo desde os primeiros treinos foi evidente, culminando numa prestação aquém das expectativas para a Scuderia, que rapidamente atribuiu responsabilidades ao sistema de Balance of Performance (BoP) que regula a classe Hypercar.
No final da mais exigente corrida de resistência do mundo, a Ferrari terminou fora do pódio, com o carro número 50 a cruzar a linha de meta em 5.º lugar, a mais de duas voltas do vencedor absoluto. O triunfo coube à Toyota, com o GR010 Hybrid número 7, pilotado por Kamui Kobayashi, Mike Conway e Nyck de Vries, que completaram as 24 horas com uma vantagem de 1 minuto e 42 segundos sobre o Porsche Penske número 5. A equipa japonesa consolidou assim o seu domínio, enquanto a Peugeot surpreendeu ao fechar o pódio com o 9X8 número 93. A Ferrari, por seu lado, viu os seus dois protótipos a enfrentarem dificuldades, sem nunca conseguirem imprimir o ritmo necessário para entrar na luta directa pela vitória.
Este resultado representa um duro golpe para a Scuderia, que chegava à La Sarthe não só como campeã em título, mas também como principal candidata a um novo triunfo. As implicações para o Campeonato do Mundo de Resistência (WEC) são significativas: a Toyota reforça a liderança no campeonato de construtores e pilotos, enquanto a Ferrari vê a concorrência a distanciar-se, ameaçando as suas aspirações ao título em 2026. A polémica em torno da gestão do BoP reacendeu-se, com várias equipas a manifestarem desagrado com os ajustes de última hora que, alegadamente, desequilibraram a competitividade entre os diferentes construtores. Os recordes recentes da Ferrari em Le Mans ficam assim ameaçados, e o ambiente no paddock tornou-se ainda mais tenso entre os principais rivais.
Após a corrida, Antonello Coletta, Director Global de Competição da Ferrari, expressou o seu descontentamento com a situação: “Desde o primeiro minuto em pista que ficou claro que o campo estava desequilibrado. O BoP não nos permitiu mostrar o real potencial do nosso carro. Lutámos com tudo o que tínhamos, mas as regras não foram justas este ano.” O piloto Alessandro Pier Guidi, que conduziu o Ferrari número 51, reforçou o sentimento de frustração: “Trabalhámos arduamente, mas não tínhamos argumentos para lutar com Toyota e Porsche. É difícil aceitar quando sabemos do que somos capazes e não conseguimos sequer chegar perto do ritmo dos líderes.” Já Frederic Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, foi perentório na conferência pós-corrida: “Acreditamos na competição limpa e equilibrada. O que se passou este fim-de-semana deve ser revisto pela organização. Queremos correr em igualdade de condições.”
Olhando para o futuro imediato, a próxima ronda do WEC terá lugar em Monza, circuito emblemático para a Ferrari, onde a pressão para recuperar terreno será máxima. A equipa italiana precisa urgentemente de respostas da FIA e do ACO relativamente ao BoP, sob pena de ver as suas hipóteses de revalidar o título mundial seriamente comprometidas. Os adversários directos, em particular a Toyota e a Porsche, partem para as últimas provas do campeonato com vantagem psicológica e desportiva, enquanto a Ferrari terá de apostar numa estratégia agressiva e em eventuais alterações regulamentares para reentrar na luta. O desfecho de Le Mans não só baralha as contas do campeonato, como promete manter acesa a polémica em torno do equilíbrio de performance, tornando as próximas corridas ainda mais imprevisíveis e tensas para todos os intervenientes.
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