Red Bull reforça apelo após polémica sobre pódio de Gasly no mónaco

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O desfecho polémico do Grande Prémio do Mónaco continua a agitar o paddock da Fórmula 1, depois de Pierre Gasly, da Alpine, ter recuperado o terceiro lugar que inicialmente lhe fora retirado por penalizações de excesso de velocidade na via das boxes. Esta decisão, revertida após um recurso bem-sucedido da Alpine, deixou Isack Hadjar, da Red Bull, sem o seu primeiro pódio na categoria principal e levou a equipa austríaca a ponderar um apelo formal, acentuando ainda mais a tensão em torno da aplicação das penalizações.

A prova monegasca, tradicionalmente marcada pela imprevisibilidade estratégica, ganhou contornos ainda mais imprevisíveis quando Gasly foi sancionado com duas penalizações de cinco segundos por alegado excesso de velocidade nas boxes. No entanto, a Fórmula One Management (FOM) veio posteriormente admitir que a distância utilizada no cálculo da velocidade era “inexacta e sobrestimou a velocidade” do piloto francês. Como resultado, Gasly, que tinha caído de terceiro para sétimo, foi reintegrado no pódio após a decisão dos comissários, enquanto Hadjar regressou ao quarto posto. Oscar Piastri, da McLaren, também foi penalizado, mas, ao contrário de Gasly, cumpriu a penalização durante a prova, ficando sem margem para recurso posterior. No total, cinco pilotos foram sancionados por infrações semelhantes, mas apenas a Alpine optou por não cumprir a penalização em pista, abrindo assim caminho ao pedido de revisão após a corrida.

A controvérsia não ficou por aqui. Para Laurent Mekies, chefe da Red Bull, a questão ultrapassa a luta direta pelo pódio e assume proporções maiores para o futuro da modalidade. “Ainda não submetemos o apelo completo. Temos algum tempo para isso”, explicou Mekies aos jornalistas. “Mas pensamos que é, sobretudo, uma questão de princípio, pelo bem do desporto, para que haja clareza sobre a forma de lidar com penalizações não apeláveis durante a corrida e garantir que os resultados finais sejam justos.” O dirigente sublinhou ainda a necessidade de confiança no sistema de medição: “Nenhum sistema de medição é perfeito. Não existe uma única forma infalível de medir a velocidade, e todos têm as suas margens de erro. No entanto, temos vindo a trabalhar com este sistema há muitos anos — já era assim no dia anterior, na sexta-feira e em épocas anteriores. Todos nos adaptámos e 17 ou 18 carros conseguiram cumprir as regras. É fundamental garantir uma abordagem sólida para que, daqui para a frente, haja clareza tanto para os adeptos como para as equipas.”

Do lado dos pilotos, Gasly foi perentório ao comentar a situação: “Os rivais podiam ter feito o mesmo que nós. Se não servissem a penalização em pista, poderiam recorrer, tal como a Alpine fez.” Já Oscar Piastri mostrou-se surpreendido com a reviravolta: “Fiquei completamente surpreendido com a anulação das penalizações do Gasly”, confessou o piloto da McLaren, que lamenta não ter tido a mesma oportunidade de revisão por ter cumprido a penalização durante a corrida. Entretanto, a Mercedes também mostrou desagrado e já pediu um Direito de Revisão após o impacto negativo da penalização de excesso de velocidade de George Russell, que comprometeu a sua prestação em Monte Carlo.

Esta sucessão de recursos e reversões lançou a discussão sobre a uniformização e transparência dos processos de penalização na Fórmula 1, com várias equipas — incluindo Red Bull, McLaren e Mercedes — a ponderar ações formais para garantir que casos semelhantes não se repitam sem critérios claros. No campeonato de construtores de 2026, a Alpine mantém-se no quinto posto, a 32 pontos da Red Bull, mas este episódio pode ter implicações diretas na luta pelo título, numa altura em que cada ponto pode ser decisivo.

A próxima ronda do campeonato terá lugar no exigente circuito de Montreal, onde se espera que a discussão em torno dos procedimentos de penalização continue em destaque, com as equipas a exigirem respostas claras da FIA. Para Hadjar, a perda do pódio representa um duro golpe nas suas aspirações, enquanto Gasly procura aproveitar o novo ímpeto para consolidar a posição da Alpine. Os olhos do mundo da Fórmula 1 estarão atentos à resposta das entidades reguladoras, numa fase em que a credibilidade e a justiça desportiva estão no centro do debate.

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