Colton Herta viveu em Barcelona o fim-de-semana mais determinante até à data na sua missão de conquistar um lugar na grelha de Fórmula 1. O piloto norte-americano não só concretizou o tão aguardado primeiro treino livre (FP1) ao volante do Cadillac MAC-26, como também assinou a sua melhor prestação de sempre em Fórmula 2, mostrando finalmente argumentos para justificar a aposta que fez quando trocou a IndyCar pela aventura europeia.
Na sexta-feira do Grande Prémio de Espanha, disputado no Circuito da Catalunha, Herta completou 27 voltas no FP1 de F1, ficando a 4,334 segundos do melhor tempo e a menos de dois segundos de Valtteri Bottas, o outro piloto da Cadillac nessa sessão. Apesar do fosso para a frente, a equipa ficou satisfeita com o trabalho de desenvolvimento efectuado. Em paralelo, na Fórmula 2, Colton foi oitavo nos treinos livres e, pela primeira vez em 2026, repetiu esse resultado na qualificação – garantindo uma posição privilegiada para a corrida sprint, onde arrancou de terceiro graças à inversão do top 10. Terminou o fim-de-semana com um 5.º lugar na sprint e 15.º na corrida principal, sublinhando o progresso num contexto de altíssima exigência.
Este duplo desafio em Barcelona teve impacto directo na trajectória do piloto e nas suas aspirações para o futuro. O FP1 foi um marco essencial: além de somar mais um ponto para a superlicença (totalizando agora 36, a apenas quatro do limiar mágico dos 40 necessários para ingressar na F1), teve a oportunidade de mostrar à Cadillac – e ao paddock – que consegue cumprir à risca os programas de desenvolvimento e adaptação às exigências dos novos regulamentos de 2026. No panorama da F2, o salto qualitativo foi evidente: até Barcelona, Herta não tinha conseguido qualquer qualificação dentro do top 10 e nunca beneficiara da inversão de grelha nas sprints, algo que finalmente mudou em solo catalão.
Na habitual conferência pós-FP1, Herta partilhou o que mais o impressionou: “Só a velocidade do carro, não é? Sempre que se fala de um F1 numa volta lançada, é mesmo a velocidade pura que impressiona. A travagem, a aceleração, as curvas – tudo é mais rápido do que alguma vez experimentei”, afirmou o piloto, vencedor de nove corridas de IndyCar e presença habitual na frente das míticas 500 Milhas de Indianápolis. Questionado sobre a dificuldade de adaptação, reconheceu: “É difícil dizer numa hora de pista, porque não se chega a ficar confortável. O trabalho no simulador foi importante, mas a sensação real é sempre diferente. Acho que toda a preparação foi muito útil.”
O responsável máximo da Cadillac, Marc Hynes, elogiou a postura do americano: “Tenho enorme admiração pelo Colton, por ter vindo para a Europa depois da vida confortável que tinha na IndyCar. Sabíamos que seria difícil entrar directamente na F2 sem conhecer os circuitos e a gestão dos pneus. Hoje foi o início da jornada que ele veio procurar – foi muito entusiasmante para toda a equipa vê-lo em pista. É um marco para nós e para ele. Cumpriu o programa, recolhemos os dados necessários e ele fez um grande trabalho.”
Na F2, Herta explicou à imprensa o porquê da evolução em Barcelona: “Aqui é onde tenho mais experiência. Todos os pilotos europeus conhecem bem este circuito, há imensos testes de inverno aqui. Tive três dias de testes no F2 antes da época começar, por isso voltar a algo familiar foi uma grande ajuda. Desde os treinos livres, notei logo uma diferença clara na velocidade em relação às provas anteriores. Isso foi fundamental.”
Apesar de ter realizado uma corrida sprint de alto nível – incluindo uma manobra ousada sobre Nikola Tsolov na chicane para conquistar provisoriamente o último lugar do pódio –, Herta voltou a demonstrar que os pontos altos da sua carreira podem ser acompanhados por momentos menos felizes: um erro na travagem para a curva 5, já na última volta, relegou-o de terceiro para quinto, desperdiçando aquele que podia ter sido o seu primeiro pódio na disciplina.
No rescaldo do fim-de-semana, Herta mostrou-se pragmático: “Como piloto, quero competir, quero ganhar, quero fazer bons resultados. É para isso que lutamos. Infelizmente, neste momento, isso ainda não está a acontecer. Mas penso que tem sido claro que estamos a melhorar de corrida para corrida. Se continuar a evoluir o ritmo e a fazer o meu trabalho nos FP1 de F1, é tudo o que posso pedir.”
Graeme Lowdon, director da Cadillac, reforçou a importância do desafio: “Quando o Colton decidiu vir para a F2, sabia que ia ser difícil. Novos circuitos, novos pneus, abordagem diferente, tudo novo. Ele não veio com a ilusão de que ia dominar. Veio com o objectivo de se adaptar, de aprender os pneus, os fins-de-semana de corrida, as pistas. Não se pode fazer isso longe dos holofotes. Gosto da forma como está a enfrentar o desafio – é isso que espero de um verdadeiro piloto.”
O próximo capítulo da temporada escreve-se já no Red Bull Ring, na Áustria, onde Herta tentará confirmar se o salto de Barcelona foi um ponto de viragem ou apenas um lampejo. No campeonato de F2, permanece fora do top 10 – o que significa que, para já, apenas os treinos livres de F1 lhe vão permitindo somar pontos para a superlicença. Mas a evolução demonstrada em Barcelona deixa antever que o sonho da F1 está, finalmente, ao alcance.
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