Norris diz que Ferrari envergonharia rivais da F1 com motor mais forte

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O domínio da Mercedes nas primeiras seis provas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2026 foi finalmente quebrado em Barcelona, onde Lewis Hamilton levou a Ferrari ao lugar mais alto do pódio, colocando fim à impressionante sequência vitoriosa da formação germânica. Com um pacote de evoluções técnicas substanciais, a Scuderia apresentou argumentos que não passaram despercebidos à concorrência, reacendendo de imediato o debate sobre o real potencial do chassis de Maranello — e lançando o alerta para o que poderá estar para vir.

O Grande Prémio de Espanha, disputado no Circuito de Barcelona-Catalunha, ficou marcado não apenas pela vitória de Hamilton, mas também pelas prestações sólidas de George Russell, segundo classificado pela Mercedes, e de Lando Norris, que fechou o pódio pela McLaren. Norris terminou a 13,2 segundos do vencedor, beneficiando do abandono tardio de Kimi Antonelli (Mercedes) e do acidente de Charles Leclerc na qualificação, que comprometeu as aspirações da Ferrari ao duplo pódio. Oscar Piastri, colega de equipa de Norris, foi quinto, cruzando a meta a 35 segundos do último lugar do pódio e a 59 do vencedor — distância que espelha o fosso crescente entre McLaren, Mercedes e Ferrari.

Estas posições reflectem alterações importantes no equilíbrio de forças do campeonato. Mercedes mantém a liderança isolada, mas a Ferrari aproxima-se com ameaças sérias, sobretudo graças ao novo pacote aerodinâmico. Segundo dados recentes da ADUO, o chassis da Ferrari é, actualmente, considerado o melhor do pelotão em desempenho nas curvas, embora o motor italiano ainda esteja a mais de 4% do rendimento dos rivais — uma debilidade que poderá ser atenuada com os dois “tokens” de desenvolvimento extra concedidos pelas regras de 2026. Red Bull, surpreendentemente, surge como referência em performance global, com a Mercedes a 2-4% e a Ferrari ligeiramente mais distante, mas em franca evolução.

O impacto destas tendências não escapou a Lando Norris, que abordou o tema com franqueza após garantir o terceiro posto em Barcelona. O piloto da McLaren sublinhou, em declarações à Sky Sports, que “temos sorte de a Ferrari não ter um motor melhor neste momento. Se tivessem, dominavam. Eles são a referência no desempenho em curva e nós nem nos conseguimos aproximar. É a realidade, estamos muito longe do que precisamos”. Norris acrescentou ainda: “Se melhorarem do lado do motor, vão envergonhar toda a gente. Temos mesmo de trabalhar e ver que melhorias conseguimos fazer. A equipa está a esforçar-se, todos na fábrica dão o máximo, mas há coisas que levam tempo e precisamos de acelerar o progresso, porque queremos manter-nos na luta.”

Oscar Piastri, que terminou em quinto, reforçou o sentimento de urgência no seio da McLaren, salientando a evolução da Ferrari: “Têm estado muito próximos de nós. Nós e a Ferrari estivemos bastante próximos na primeira parte do ano, mas nas últimas duas corridas deram um passo em frente. Este fim-de-semana, com todas as novas peças, estão a funcionar bem. Em condições de pouca aderência e pneus frágeis, isso beneficia-os. Têm muita carga aerodinâmica, provavelmente a maior de todos, e isso ajuda na gestão dos pneus. Portanto, sim, há trabalho a fazer do nosso lado. Também há trabalho para mim porque não foi uma corrida fácil”, afirmou o australiano após a prova catalã.

Com estes resultados, a McLaren mantém o terceiro lugar no Campeonato de Construtores, mas vê Mercedes e Ferrari a distanciarem-se: são agora 121 pontos de atraso para a Mercedes e 49 para a Ferrari, enquanto mantêm uma margem relativamente confortável de 52 pontos face à Red Bull, que ocupa o quarto posto. O momento é de reflexão e adaptação, com a pressão a aumentar sobre a McLaren para responder à ameaça crescente da Ferrari, que poderá tornar-se quase imbatível caso consiga explorar os “tokens” de desenvolvimento do motor.

O campeonato segue agora para o Grande Prémio da Áustria, onde se espera que as novas actualizações das equipas continuem a baralhar as contas. A Mercedes terá de defender a liderança e a Ferrari tentará capitalizar o impulso de Barcelona, enquanto a McLaren procura travar a hemorragia pontual que ameaça comprometer o seu lugar entre os da frente. O cenário promete luta intensa, com as equipas a acelerar o passo no desenvolvimento técnico e os pilotos cientes de que cada ponto poderá ser decisivo na luta pelo título de 2026.

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