O pódio conquistado por Lando Norris no Grande Prémio de Barcelona de 2026 acabou por ser uma surpresa para muitos, incluindo o próprio piloto britânico, numa jornada marcada por dificuldades de ritmo face à concorrência da Ferrari e Mercedes. Apesar de a McLaren ter conseguido um P3 e um P5, fruto dos abandonos tardios de Kimi Antonelli e Charles Leclerc, a equipa de Woking saiu da Catalunha com mais perguntas do que respostas sobre a sua performance.
No rescaldo da prova catalã, Norris garantiu o terceiro lugar com um tempo total de 1:34:12.382, a 12,4 segundos do vencedor, Lewis Hamilton (Ferrari), enquanto George Russell (Mercedes) fechou o pódio entre os dois britânicos. Oscar Piastri, por sua vez, terminou em quinto lugar, depois de partir de P7, beneficiando dos problemas alheios. Estes resultados, ainda que positivos em termos de pontos, não reflectem o domínio que a McLaren exibiu na época transacta, quando conquistou confortavelmente o Campeonato de Construtores de 2025.
A maior diferença entre Norris e Piastri em Barcelona residiu, segundo Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, na gestão dos pneus. Em declarações após a corrida, Stella esclareceu: “Definitivamente, houve uma diferença hoje em termos de ritmo de corrida. Depois de ontem, os dois pilotos estavam muito próximos um do outro. Aliás, em Q3, analisando a volta teórica perfeita, o Oscar tinha, na verdade, a volta perfeita mais rápida. Por isso, diria que a diferença de ritmo hoje teve a ver com a forma como os pilotos utilizaram os pneus, a temperatura que conseguiram gerar nos pneus e, consequentemente, a degradação ao longo dos stints.”
Stella detalhou ainda que a degradação dos pneus foi crucial para o desenrolar da corrida: “Poderia perder-se até três segundos, ou mais, do início ao fim de um stint. Isso está directamente relacionado não só com o desgaste, mas também com as temperaturas estabelecidas nos pneus. Vimos outros concorrentes a ter dificuldades; por exemplo, o Charles Leclerc, habitualmente muito forte na gestão de pneus, hoje não conseguiu acompanhar o ritmo do Hamilton. Há aqui um padrão que precisamos de investigar em detalhe, recolher toda a informação, analisar os dados e corrigir o que for necessário. Mas, sem dúvida, está ligado à interação entre carro, piloto e pneus.”
Este fim-de-semana menos conseguido coloca agora a McLaren sob pressão, numa altura em que Ferrari e Mercedes parecem ter dado um passo em frente em termos de desenvolvimento. A luta pelo título de Construtores reacende-se, com a McLaren a tentar perceber como regressar à forma que lhe permitiu dominar a época anterior. O pódio de Norris e o top-5 de Piastri são resultados sólidos, mas a diferença de performance para os rivais directos é motivo de preocupação interna.
Olhando para o futuro, Andrea Stella já aponta baterias ao Grande Prémio da Áustria, agendado para o final de Junho. O responsável máximo da McLaren antevê novos desafios no Red Bull Ring: “A Áustria é bastante diferente de Barcelona. Aqui, a estabilidade nas travagens e nas entradas em curva é absolutamente crítica. A Áustria tem mais zonas de travagem em linha recta e várias curvas que dão acesso a secções de baixa velocidade, pelo que representa um desafio distinto.” Stella acrescentou ainda que espera ver a Ferrari como referência nas curvas e a Mercedes como o melhor pacote numa volta lançada, considerando chassis e unidade motriz.
Quanto à abordagem da McLaren para as próximas corridas, Stella foi peremptório: “O nosso foco é interno. Queremos garantir que, corrida após corrida, melhoramos o nosso carro e deixamos os resultados falar por si. Sabemos que os nossos rivais também vão trazer evoluções, mas queremos traçar o nosso próprio caminho. A Áustria pode ser outra corrida com elevada degradação de pneus, pelo que é fundamental continuarmos a optimizar a utilização dos pneus.”
Com o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2026 a aquecer, a próxima ronda na Áustria poderá ser determinante para perceber se a McLaren consegue inverter a tendência e aproximar-se novamente do topo, ou se a supremacia de Ferrari e Mercedes se irá acentuar. Certo é que a luta pela supremacia está ao rubro e cada detalhe na gestão dos pneus pode fazer toda a diferença nas próximas provas.
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