Pierre Gasly recuperou o pódio no Grande Prémio do Mónaco, após os comissários da FIA anularem as penalizações de cinco segundos inicialmente aplicadas ao piloto da Alpine. Esta reviravolta não ficou sem resposta: McLaren e Red Bull notificaram formalmente a sua intenção de recorrer da decisão, reacendendo a polémica em torno das velocidades na entrada das boxes no emblemático circuito citadino.
Na sequência da prova do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 no Mónaco, realizada no Circuito de Monte Carlo, Gasly e outros quatro pilotos foram penalizados devido a alegadas violações do limite de velocidade na via das boxes. As penalizações alteraram de imediato a classificação final, retirando o terceiro lugar a Gasly. No entanto, com base em nova evidência fornecida pela FOM, responsável pela cronometragem da Fórmula 1, os comissários concluíram que havia uma discrepância na forma como a velocidade foi medida na entrada das boxes, levando à anulação das penalizações. Assim, Gasly foi reintegrado no terceiro lugar, Isack Hadjar (Red Bull) desceu para quarto e Oscar Piastri (McLaren) também foi afetado, caindo uma posição.
Este desenvolvimento tem impacto directo no campeonato, com a Alpine a conquistar um precioso pódio e a Red Bull e a McLaren a perderem pontos importantes na luta pelo segundo e terceiro lugares do Mundial de Construtores. A decisão levanta questões sobre a precisão dos sistemas de cronometragem e a responsabilidade das equipas em adaptarem-se a eventuais margens de erro, sobretudo em circuitos tão peculiares como o do Mónaco. A rivalidade entre as equipas intensifica-se, num campeonato já marcado por batalhas renhidas e decisões técnicas controversas.
Após a audiência da FIA, Stephen Knowles, diretor desportivo da Red Bull e representante de Isack Hadjar, defendeu que “o processo de cronometragem na via das boxes foi consistente durante todo o fim-de-semana e todas as equipas ajustaram os seus sistemas em conformidade, sabendo que o cálculo da velocidade não é perfeito”. Knowles sublinhou que a Red Bull agiu de acordo com os dados disponíveis e que a alteração dos resultados prejudica quem cumpriu as regras tal como foram comunicadas.
Will Courtenay, responsável desportivo da McLaren, também contestou a alteração dos resultados, apesar de Oscar Piastri, piloto da equipa britânica, ter sido outro dos penalizados. “Mesmo sendo um dos nossos pilotos afetados, não concordamos com a revisão dos resultados. Durante os treinos-livres, todas as equipas recolheram dados suficientes para garantir margens de segurança na entrada das boxes”, declarou Courtenay, defendendo que a responsabilidade última cabe às equipas e aos pilotos.
Ayao Komatsu, chefe de equipa da Haas, reforçou esta visão ao afirmar que “a grande maioria dos 22 carros em pista conseguiu cumprir o limite de velocidade sem infringir as regras, o que demonstra que era possível evitar as penalizações com base nos dados recolhidos durante o fim-de-semana”.
Segundo o artigo 15.4 do Código Desportivo Internacional da FIA, as equipas dispõem de uma hora após a decisão dos comissários para notificarem a intenção de recorrer. Este procedimento não representa ainda um recurso efetivo, mas abre uma janela de 96 horas para as equipas analisarem em profundidade a decisão e o regulamento, antes de decidirem avançar com um recurso formal.
A polémica coloca agora a FIA sob pressão para clarificar os critérios de medição de velocidade em circuitos com características únicas como o Mónaco, enquanto as equipas avaliam os próximos passos. Caso McLaren e Red Bull avancem para recurso, a classificação final do Grande Prémio do Mónaco poderá voltar a ser alterada, com repercussões relevantes na luta pelo campeonato. A próxima ronda do Mundial realiza-se no Canadá, onde se espera que o ambiente esteja ainda mais tenso, dado o impacto desta decisão nas estratégias e na confiança das equipas nos sistemas de controlo da FIA. Os adeptos e intervenientes aguardam com expectativa o desfecho deste processo, que promete continuar a marcar a atualidade da Fórmula 1 nas próximas semanas.
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