O Grande Prémio do Mónaco ficou marcado por uma polémica invulgar: cinco pilotos penalizados por excesso de velocidade na via das boxes, numa situação já considerada “inadmissível” por muitos intervenientes do paddock. Pierre Gasly, da Alpine, foi um dos principais prejudicados, tendo perdido o pódio devido a duas penalizações de cinco segundos cada, situação que agora pode reverter-se após a revelação de um erro no sistema oficial de cronometragem da Fórmula 1.
Os resultados finais do Grande Prémio foram profundamente afectados por estas penalizações. Gasly, que cruzou a linha de meta em terceiro, foi relegado para o sétimo lugar, enquanto Oscar Piastri (McLaren), também penalizado, manteve a quarta posição devido ao reordenamento causado pelas sanções. O vencedor foi Kimi Antonelli (Mercedes), com Lewis Hamilton em segundo, ambos pouco afectados pelos incidentes. George Russell (Mercedes) foi um dos maiores lesados: para além da penalização inicial de cinco segundos, somou ainda uma penalização de passagem pelas boxes devido a um erro da sua equipa no cumprimento do castigo original, terminando longe das posições pontuáveis.
A investigação lançada pela Alpine, através do seu Direito de Revisão, revelou que o sistema oficial de cronometragem fornecido pela FOM apresentava uma distância incorrecta usada no cálculo da velocidade na via das boxes. Este detalhe foi considerado “significativo e indisponível” no momento em que as penalizações foram aplicadas, levando os comissários a admitir a reabertura do caso de Gasly. A decisão final, que poderá devolver o pódio ao piloto francês, é aguardada para o fim-de-semana do Grande Prémio de Espanha, mas dificilmente alterará o desfecho para os restantes pilotos penalizados.
O erro teve impacto directo nas estratégias das equipas. Oscar Piastri, que recebeu uma penalização mas acabou por beneficiar da queda de Gasly, lamentou o sucedido: “Durante a corrida tornou-se evidente que algo não estava certo, porque normalmente pode haver um ou dois carros penalizados, mas não sete ou oito. É uma pena, porque afectou claramente o resultado da prova. Se não tivesse sido penalizado, não teria parado novamente, portanto já não podem alterar o resultado, pois muitas decisões foram tomadas com base nas penalizações atribuídas. Mas este tipo de situações não deveria acontecer na Fórmula 1”, afirmou o piloto da McLaren após a corrida.
George Russell, da Mercedes, deu também o seu testemunho, explicando como a situação o impediu de lutar por melhores resultados: “Não há nada que possa fazer agora, ao contrário do Pierre, que talvez consiga recuperar o seu resultado. Foi por isso que pedi à FIA, durante a bandeira vermelha, para não ter de cumprir a penalização de passagem pelas boxes e, em vez disso, penalizarem-me após a corrida caso fosse justificado, porque uma vez cumprida a penalização não há regresso possível”, revelou Russell em declarações em Barcelona. Os comissários justificaram a severidade adicional alegando que “não houve qualquer tentativa de cumprir a penalização original”, distinguindo o caso de Russell de outros erros processuais cometidos habitualmente pelas equipas.
Este episódio lança dúvidas sobre a fiabilidade dos sistemas tecnológicos em que assenta a Fórmula 1 moderna e reacende discussões sobre a justiça desportiva, sobretudo numa prova emblemática como o Grande Prémio do Mónaco, onde cada segundo conta. A decisão sobre o Direito de Revisão da Alpine poderá devolver a Gasly o pódio perdido, mas para pilotos como Russell, que já cumpriram as penalizações em pista, recuperar as posições perdidas torna-se praticamente impossível devido ao regulamento.
O desfecho desta polémica será conhecido já durante o fim-de-semana do Grande Prémio de Espanha, em Barcelona. Caso a Alpine consiga anular as penalizações de Gasly, haverá alterações nas classificações e no campeonato de construtores, com a Alpine potencialmente a recuperar pontos importantes. A pressão aumenta também sobre a FOM e a FIA, que terão de reforçar os mecanismos de controlo e garantir que situações semelhantes não se repetem. O campeonato prossegue agora mais imprevisível, com pilotos e equipas a exigirem respostas e a prepararem-se para uma recta final de temporada onde cada detalhe poderá ser decisivo.
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