Carlos Sainz recusa lutar por nonos lugares e aponta aos pódios em barcelona

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Carlos Sainz deixou claro em Barcelona que a luta por pódios e vitórias é o seu verdadeiro foco, rejeitando satisfações com posições modestas após um desfecho frustrante no Mónaco. O piloto espanhol chega ao Grande Prémio de Espanha determinado a extrair o máximo de um monolugar que, reconhece, não tem tradição de se destacar no traçado catalão, mas encara a corrida como um teste crucial para o futuro imediato da Williams.

No Circuito de Barcelona-Catalunha, palco da décima ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 2024, Sainz enfrenta um desafio duplo: gerir as expectativas do público da casa e tentar inverter o histórico menos favorável da sua equipa neste traçado. O espanhol parte para a corrida com o objectivo de quebrar o ciclo de resultados fora do top 5, depois de um nono lugar perdido em Monte Carlo devido a um incidente a poucas voltas do final. Sainz sublinha: “Quando vou dormir na segunda-feira, já não quero saber de um nono ou décimo posto, porque, no fim de contas, o motivo pelo qual aqui estou é para lutar por pódios, vitórias e posições no top 5. Esse é o meu objetivo último.” Com a Williams a evidenciar dificuldades em circuitos de alta carga aerodinâmica como Barcelona, a esperança reside em compreender as razões dessas limitações e transformar a adversidade em evolução técnica.

A qualificação para o Grande Prémio de Espanha será particularmente exigente para Sainz e a sua equipa, que procuram minimizar a diferença para os líderes do campeonato. Numa grelha altamente competitiva, onde cada décimo faz a diferença, a Williams tem-se debatido com dificuldades em igualar o ritmo dos adversários directos. Com tempos de volta previstos na casa do 1:13, Sainz sabe que qualquer ponto conquistado será fruto de um esforço colectivo e de uma execução perfeita. “Teremos de fazer tudo na perfeição, e os pontos vão ser caros porque vai ser preciso um esforço tremendo para os alcançar”, afirmou o piloto, ciente da exigência do desafio.

O contexto do campeonato acrescenta uma pressão extra: com a luta pelo título ao rubro e os lugares no top 10 cada vez mais disputados, Sainz procura evitar perder terreno na classificação de pilotos e ajudar a Williams a consolidar a sua posição entre os construtores. Após uma série de provas onde a equipa demonstrou potencial – sobretudo em circuitos urbanos como Monte Carlo, Miami e Montreal –, Barcelona surge como um verdadeiro teste ao desenvolvimento do monolugar. O espanhol não esconde que o traçado catalão tem exposto as fragilidades do carro: “A Williams é conhecida por ter nesta pista um traçado historicamente fraco. O carro deste ano não deverá ser particularmente bom aqui, mas, ao mesmo tempo, é uma excelente oportunidade para compreendermos o porquê e identificarmos onde reside a nossa fraqueza.”

Em declarações antes da corrida, Sainz desvalorizou o facto de não ter realizado o shakedown em Barcelona no início do ano, garantindo que a sua experiência no circuito compensa essa ausência: “Já conheço este local bastante bem, são muitos anos a vir a Barcelona, pelo que não creio que vá sentir falta de ter feito o shakedown. Contudo, talvez para os engenheiros — no que toca a ter uma primeira abordagem sobre como a energia vai funcionar ao longo da volta, como iniciar a volta e como gerir as séries longas de voltas — estejamos, digamos, meio passo atrás.” Sobre a evolução do carro desde Janeiro, Sainz reconhece que “muita coisa mudou, inclusive na unidade motriz da Mercedes”, e por isso encara o fim de semana com pragmatismo e vontade de aprender.

A polémica sobre a entrada nas boxes e a penalização de Pierre Gasly também foi abordada, embora Sainz tenha admitido que o tema ainda não foi discutido na Associação de Pilotos: “É muito difícil para mim dizer exatamente o que aconteceu porque não me afetou a mim nem a nós diretamente, pelo que não analisei os detalhes. No entanto, sabemos que existem pistas onde é permitido cortar um pouco a entrada das boxes, ou a FIA demonstra-se confortável com isso, e talvez existam outros traçados onde isso não era esperado e, ao fazê-lo, acaba-se por ultrapassar o limite de velocidade.”

Quanto ao futuro da Fórmula 1 em Espanha, Sainz mostrou-se entusiasmado com o novo circuito de Madrid, salientando o carácter único do traçado: “Sinceramente, fiquei surpreendido pela positiva. Acho que fizeram um trabalho extraordinário, especialmente no segundo sector, e o facto de terem conseguido abrir essa secção para que se assemelhasse mais a uma pista permanente, com muitas curvas fluidas e, claro, aquela inclinação acentuada.” O piloto acredita que o circuito poderá proporcionar boas corridas, mas alerta que “é demasiado cedo para afirmar”, esperando que a filosofia de evolução contínua se mantenha em Madrid.

Olhando para a frente, Sainz mantém a ambição de pontuar em Barcelona, apesar das dificuldades esperadas: “Acredito que podemos. Teremos de fazer tudo na perfeição, e os pontos vão ser caros porque vai ser preciso um esforço tremendo para os alcançar. O Canadá, Miami e o Mónaco são pistas que se adequam um pouco mais ao nosso carro do que Barcelona. Mas estamos a melhorar a cada fim de semana e, se conseguirmos progredir mais um pouco aqui, espero que consigamos entrar na luta pelos pontos.”

A próxima ronda do campeonato será determinante para perceber se a Williams consegue traduzir o trabalho de desenvolvimento em resultados tangíveis. Para Sainz, a pressão de correr em casa é compensada pela motivação extra de tentar surpreender o público espanhol e relançar a sua época, com o olhar fixo nos pódios e na possibilidade de voltar a saborear vitórias.

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