FIA quer reduzir quase 150kg no peso dos carros de F1 até 2031

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O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, lançou o tema do momento no universo da Fórmula 1 ao revelar o objectivo de reduzir quase 150 kg ao peso mínimo dos monolugares até 2031. Esta visão arrojada, que inclui ainda o desejado regresso dos motores V8, promete transformar radicalmente o panorama técnico e competitivo da categoria-rainha do automobilismo.

Actualmente, os regulamentos para 2026 já estipulam um peso mínimo de 768 kg para os carros de Fórmula 1, representando uma diminuição face às especificações anteriores. No entanto, Ben Sulayem considera que este valor ainda está longe do ideal e, em declarações recentes, traçou um plano de fundo ambicioso: “Temos de tornar os carros mais leves e ágeis. O peso actual compromete a performance, dificulta as ultrapassagens e está a afastar a Fórmula 1 da sua essência”, afirmou o presidente da FIA após uma reunião com representantes das equipas em Genebra. O objectivo passa por reduzir o peso mínimo para valores próximos dos 620 kg até ao final da década, aproximando-se dos tempos áureos do desporto.

O anúncio surge numa altura em que se prepara uma nova vaga de alterações regulamentares para 2026, com impacto directo no desempenho, segurança e sustentabilidade dos monolugares. Os actuais carros, equipados com unidades motrizes híbridas complexas e diversos sistemas electrónicos, tornaram-se significativamente mais pesados na última década. A redução de peso proposta obrigará as equipas e fornecedores técnicos a rever profundamente materiais, arquitectura dos chassis e mesmo as dimensões dos sistemas híbridos. “Queremos monolugares mais rápidos, mais ágeis e que proporcionem corridas mais animadas para os adeptos”, explicou Ben Sulayem, sublinhando que a FIA está empenhada em trabalhar em conjunto com construtores e equipas para garantir uma transição equilibrada.

Esta meta de emagrecimento dos carros pode ainda reabrir rivalidades históricas, especialmente entre equipas como a Red Bull e a Mercedes, que já têm filosofias distintas na abordagem ao peso e à gestão de performance. Com menos massa, espera-se que as ultrapassagens se tornem mais frequentes e que as diferenças de condução entre pilotos fiquem mais expostas. Os engenheiros enfrentam agora o desafio de conjugar a redução de peso com os requisitos de segurança cada vez mais exigentes e a integração de soluções híbridas eficientes mas compactas. “É fundamental garantir que a segurança nunca é comprometida. A evolução técnica tem de ser feita com responsabilidade”, frisou Toto Wolff, director da Mercedes, à margem de uma conferência técnica em Silverstone.

Christian Horner, responsável máximo da Red Bull Racing, também comentou o tema após os treinos livres do último Grande Prémio: “Reduzir o peso é um passo importante, mas exige uma abordagem global. A FIA deve dar condições às equipas para desenvolverem soluções inovadoras sem custos descontrolados.” Max Verstappen, campeão em título, mostrou-se entusiasmado com as perspectivas: “Com carros mais leves, voltamos a sentir a Fórmula 1 pura. Vai ser um desafio e tanto para os engenheiros, mas também para os pilotos”, referiu o neerlandês na conferência de imprensa pós-corrida.

O cenário traçado por Ben Sulayem antecipa uma F1 mais próxima das origens, onde a leveza e a destreza dos pilotos eram factores decisivos. A concretizar-se, esta revolução poderá alterar profundamente a hierarquia do campeonato, com equipas tradicionalmente mais criativas em chassis leves, como a McLaren ou a Alpine, a ganhar terreno. Tudo indica que a próxima década será marcada por uma luta intensa não só em pista, mas também nos gabinetes de engenharia.

No imediato, as atenções viram-se para o Grande Prémio da Áustria, onde as equipas já começam a preparar as adaptações aos regulamentos de 2026. A expectativa é grande quanto à forma como a FIA irá gerir o equilíbrio entre inovação, custos e espectáculo. Quem conseguir decifrar o novo puzzle técnico estará melhor posicionado para assumir a liderança de um campeonato cada vez mais imprevisível e competitivo. A redução de peso promete ser o grande catalisador da próxima geração de estrelas e máquinas na Fórmula 1.

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