Lando Norris e George Russell dominaram os treinos livres de sexta-feira para o Grande Prémio de Espanha, deixando para trás os principais favoritos do campeonato e lançando dúvidas sobre a capacidade da Red Bull e da Mercedes para lutarem pela vitória em Barcelona. Lewis Hamilton, que perdeu a primeira sessão por obrigação de rodar com um rookie na Mercedes, ficou apenas em nono na segunda sessão, a quase um segundo do seu colega de equipa Charles Leclerc, enquanto Max Verstappen terminou a quase nove décimos do líder Norris, com o Red Bull visivelmente instável em pista.
Os tempos de sexta-feira revelaram um cenário surpreendente: Lando Norris (McLaren) e George Russell (Mercedes) lideraram a tabela de tempos, ambos a rodar abaixo de 1:14, colocando-se como favoritos à pole position. Charles Leclerc (Ferrari) ficou a cerca de quatro décimos dos líderes, enquanto Hamilton terminou a 1,2 segundos dos mais rápidos. Verstappen, por sua vez, não foi além do sexto tempo, com a Red Bull a mostrar dificuldades de equilíbrio e aderência num traçado tradicionalmente exigente para a gestão de pneus. Oscar Piastri (McLaren) também brilhou, assegurando o terceiro melhor tempo da segunda sessão. A Ferrari trouxe o maior pacote de atualizações ao circuito catalão, mas ainda assim não conseguiu aproximar-se significativamente dos McLaren nem da Mercedes nos tempos de volta.
Este resultado lança incertezas sobre o domínio habitual da Red Bull e de Verstappen, que chega a Espanha com uma liderança confortável no campeonato, 66 pontos à frente de Hamilton e 68 sobre Russell. O calor intenso de Barcelona e o novo asfalto limitaram a durabilidade dos pneus, levando vários pilotos a queixarem-se da falta de aderência e de um comportamento imprevisível dos monolugares. Caso esta tendência se mantenha, o campeonato poderá conhecer um abrandamento do domínio da Red Bull e abrir espaço para uma luta mais aberta nas próximas corridas.
Após o final da segunda sessão, Lewis Hamilton não escondeu o desalento: “O Charles teve duas sessões e ficou a quatro décimos dos McLaren e da Mercedes. Claramente, ainda estamos bastante longe,” afirmou o britânico, sublinhando as dificuldades sentidas depois de perder o primeiro treino para dar lugar ao rookie da Ferrari. “O nível de aderência foi o mais baixo, com esta geração de carros, que já tive aqui. E porque está tão quente, os pneus só duram uma volta. Foi complicado entrar na segunda sessão e só ter duas voltas. Não sei bem o que vou fazer com o carro. Espero que amanhã seja um dia melhor.”
Max Verstappen também mostrou frustração após terminar o dia longe dos líderes: “Estamos a perder em alta, média e baixa velocidade – basicamente em todo o lado. O dia todo foi sem aderência, sem sentir o carro e sem equilíbrio. É algo que vamos tentar melhorar,” afirmou o campeão do mundo, reconhecendo que não espera lutar pela primeira linha na qualificação de sábado. “Nada se sentiu bem, mas penso que para ninguém. Cada vez que seguia alguém, não havia aderência. Os carros estavam literalmente a derrapar, os pneus não davam qualquer tipo de apoio.”
Do lado da McLaren, Norris reconheceu que o carro voltou a mostrar competitividade num circuito mais convencional, após duas rondas difíceis em Montreal e no Mónaco: “É muito mais rápido, por isso estamos a experimentar o carro num regime muito diferente do que nas últimas semanas e parece estar a funcionar melhor,” explicou Norris, que falhou a pontuação nas últimas duas provas devido a problemas de fiabilidade. “Foi uma sexta-feira razoável, ainda há muito para melhorar. Não foi como se me sentisse incrível ou feliz. Está calor, por isso acho que ninguém estará muito satisfeito. É difícil com o vento e as condições. Apenas parece estar a resultar melhor do que nas últimas semanas, o que é um bom sinal.”
Oscar Piastri, terceiro no segundo treino, destacou a importância de manter o ritmo: “O mais importante agora é manter este impulso até amanhã. Os sinais iniciais são encorajadores, mas ainda há muito para aprender e muito mais desempenho a encontrar. Vamos continuar a trabalhar para ver o que conseguimos extrair antes da qualificação,” comentou o australiano da McLaren.
O jovem Kimi Antonelli, que também assistiu ao primeiro treino das boxes, considerou esta a sua sessão mais complicada da temporada. Apesar disso, mantém-se confiante: “Foi um pouco complicado numa volta rápida. A janela é muito pequena. Os pneus estão a sobreaquecer bastante. Só estamos a tentar encontrar o melhor equilíbrio,” admitiu o italiano. “No geral, ainda há muito trabalho a fazer. Mas estou confiante para amanhã. O ritmo de corrida foi bom, isso é positivo. Estou ansioso pelas mudanças que vamos introduzir.”
O calendário do fim de semana mantém a expectativa elevada, com a terceira sessão de treinos livres e a qualificação marcadas para sábado a partir das 11h30 e 15h00, respectivamente. A corrida realiza-se no domingo às 14h00. Com as diferenças entre os favoritos a acentuarem-se e as equipas a enfrentarem desafios inesperados, a luta pela pole e pela vitória promete ser das mais imprevisíveis dos últimos anos em Barcelona. As próximas horas serão decisivas para perceber que equipa conseguirá adaptar-se melhor às exigências do asfalto catalão e dar o passo necessário para contrariar a tendência dos treinos de sexta-feira.
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