Toto Wolff critica decisão do pódio de Gasly em Monaco e pede medidas à FIA

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O desfecho do Grande Prémio do Mónaco continua a agitar o paddock da Fórmula 1, depois de Pierre Gasly ter visto o seu pódio restaurado na sequência de uma reavaliação dos comissários. O erro de medição da velocidade na via das boxes lançou a polémica, deixando equipas como a Mercedes frustradas com as consequências directas que o incidente teve no resultado de George Russell e, em última análise, no campeonato.

No rescaldo de uma das provas mais emblemáticas do calendário, Pierre Gasly (Alpine) garantiu o terceiro lugar após a revisão da penalização, tendo terminado a corrida a 14,2 segundos do vencedor, Charles Leclerc (Ferrari), e a 7,5 segundos de Oscar Piastri (McLaren), segundo classificado. George Russell (Mercedes), vítima directa da confusão, terminou apenas em 12.º, penalizado com um drive-through por alegado excesso de velocidade na via das boxes e por não ter cumprido correctamente a penalização inicial. A polémica estalou quando se soube que, além de Gasly, mais quatro pilotos infringiram o limite de 60 km/h, mas apenas a Alpine recorreu a tempo. McLaren e Red Bull também ponderam contestar a decisão dos comissários, enquanto a Mercedes exige explicações à FIA quanto a eventuais “remédios” para Russell.

A importância do caso não se limita apenas ao rescaldo do Mónaco. A decisão de devolver o pódio a Gasly alterou o balanço do campeonato, oferecendo pontos cruciais à Alpine e retirando potencial vantagem à Mercedes. Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, não escondeu o descontentamento: “Foi uma situação muito infeliz”, afirmou em Barcelona, acrescentando que o erro teve “implicações massivas” para Russell. “Claramente, sem a penalização e sem termos falhado ao cumpri-la correctamente, o resultado da corrida teria sido totalmente diferente para o George. Se teria chegado ao pódio ou não, é outra questão, mas teria impacto no campeonato.” Wolff frisou ainda que a situação foi sinalizada à equipa antes da corrida: “Não foi algo que surgiu de repente no domingo, já sabíamos de antemão que vários carros estavam em risco de penalização.”

Questionado sobre a decisão dos comissários em relação ao caso de Gasly, Wolff foi peremptório: “Temos todo o direito de estar incomodados. Estamos a avaliar, neste momento, que impacto pode ter para o George. Não vamos recorrer do resultado do Gasly, mas queremos que a FIA analise que soluções podem existir para a corrida do George.” O dirigente da Mercedes reconheceu que as hipóteses de reverter a situação são escassas devido a restrições legais e de calendário: “Temos algumas limitações de tempo e legais, mas temos de tentar, nem que seja com uma ínfima hipótese. Tive de sair da reunião para falar com os nossos advogados e perceber o que é possível fazer”, revelou Wolff.

O chefe da Mercedes sublinhou ainda o peso da penalização: “O drive-through equivale a cerca de 20 segundos em tempo de corrida. O que teria significado isso para o resultado do George? Achamos que temos hipótese realista de reverter o resultado? Não, mas temos a obrigação de tentar, se houver sequer um milímetro de hipótese de o fazer e repor o que era justo.”

Com McLaren e Red Bull também a ponderar contestar a decisão e com o campeonato a meio, as implicações deste erro da FIA podem sentir-se nas próximas rondas. O paddock volta a reunir-se dentro de duas semanas no Canadá, onde se espera que o tema continue em destaque. A luta pelos lugares do pódio e pelos pontos do campeonato intensifica-se, com pilotos e equipas cada vez mais atentos à justiça e rigor das decisões dos comissários. A Mercedes, em particular, fica a aguardar uma resposta da FIA, sabendo que cada ponto perdido pode ser determinante na luta pelos objectivos de 2024. O desenrolar deste caso promete manter a tensão elevada no seio da Fórmula 1 e pode ainda trazer consequências para o desfecho do campeonato.

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