Lewis Hamilton protagonizou no Grande Prémio do Canadá um dos melhores fins‑de‑semana desde que ingressou na Ferrari, mas a sua decisão de afastar-se do simulador da Scuderia está a levantar sérias questões sobre a eficácia do programa de simulação da equipa italiana. David Croft, comentador principal da Sky Sports F1, classificou essa escolha do sete vezes campeão do mundo como “bastante reveladora” para a equipa de Maranello, que enfrenta dificuldades na correlação entre a fábrica e a pista.
Desde a sua chegada à Ferrari em 2025, Hamilton tem enfrentado um período complicado, mas no Canadá mostrou sinais claros de viragem. O piloto britânico protagonizou uma intensa luta com Max Verstappen, quatro vezes campeão, nas voltas finais e conseguiu ultrapassá-lo para garantir o segundo lugar. Um resultado que surge depois de Hamilton ter confirmado que decidiu não recorrer ao simulador da Ferrari, optando por focar-se mais na análise de dados reais.
“Com as simulações, sinto que os parâmetros estão sempre a mudar”, explicou Hamilton antes da prova. Acrescentou ainda: “Decidi que para esta corrida ia deixar de usar o simulador e concentrar-me mais nos dados. Houve uma grande atenção ao equilíbrio em curva, equilíbrio mecânico, abordagens nas curvas, equilíbrio dos travões, optimização dos travões – algo que tem sido um problema para mim há algum tempo. Isso levou a uma integração muito boa com os meus engenheiros”.
David Croft, durante o programa Sky Sports F1 Show, comentou ao lado do apresentador Simon Lazenby e da ex-piloto da W Series Jamie Chadwick: “É ótimo ver o Lewis Hamilton feliz. Agora, se é aconselhável não usar o simulador durante o resto da temporada, não sei. Mas acho que é bastante revelador para o simulador da Ferrari que ele decida não o usar e depois tenha o seu melhor fim‑de‑semana como piloto da Ferrari. Preocupar-me-ia com os problemas de correlação se, como ele disse, as afinações que recebe após usar o simulador são frequentemente as erradas. Mas pelo menos ele tem a coragem das suas convicções, como muitas vezes tem, para tentar encontrar uma solução, e achei que fez uma corrida soberba. Quando sentiu que podia atacar o Max, que estava a perder temperatura nos pneus, foi mesmo para cima dele, e foi brilhante de ver”.
Este episódio lança luz sobre um desafio crítico para a Ferrari, que precisa de melhorar a precisão do seu simulador para fornecer aos seus pilotos dados fiáveis que se traduzam em desempenho na pista. A aposta de Hamilton em focar-se na recolha e análise de dados reais poderá ser um sinal para a Scuderia repensar a sua estratégia tecnológica, sobretudo numa temporada em que cada detalhe conta para combater a hegemonia da Red Bull.
O desfecho no Canadá deixa a Ferrari com um sabor misto: a confirmação do talento e capacidade de adaptação de Hamilton, mas também um alerta sobre a necessidade de reforçar a ligação entre a fábrica e a pista, para que os pilotos possam tirar o máximo partido do carro e das ferramentas disponíveis. A atenção está agora voltada para as próximas provas, onde se espera que a Scuderia demonstre uma resposta rápida a esta situação, garantindo que o sete vezes campeão mundial possa lutar consistentemente pelo lugar mais alto do pódio.
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