O arranque oficial da acção em pista para as 24 Horas de Le Mans ficou marcado pela ausência inesperada das Iron Dames na grelha, mas também pelo domínio das Cadillac V-Series.R na qualificação, com Ferdinand Habsburg a registar o tempo mais rápido e Louis Delétraz, ao volante do n.º 12 da Hertz Team JOTA, a garantir o segundo lugar numa sessão disputadíssima. O grande destaque, porém, foi a eliminação prematura do Ferrari 499P n.º 83 da AF Corse, vencedor da última edição, que não conseguiu passar à Hyperpole, enquanto a Peugeot voltou a ficar aquém das expectativas no seu circuito “caseiro”.
No final da qualificação, Habsburg (Cadillac) destacou-se com o tempo mais baixo do dia, mas viu Delétraz ficar a escassos décimos, sublinhando a competitividade do pelotão. Os três Cadillac V-Series.R terminaram todos no top-5, reforçando a força da marca norte-americana nesta edição. Já o Ferrari n.º 83, guiado por Phil Hanson, ficou apenas em 17.º, um resultado que complica – e muito – as aspirações de revalidar o triunfo, já que nunca uma equipa venceu Le Mans a partir de tão atrás. Os Toyota TR010 Hybrid garantiram ambos a passagem à Hyperpole, marcando o regresso da marca nipónica à luta pela pole no mítico circuito de Sarthe desde 2023. Genesis Magma Racing surpreendeu ao qualificar os seus dois GMR-001 para a Hyperpole, ocupando provisoriamente o 11.º e 13.º lugares, superando todos os Ferrari 499P.
A qualificação deste ano tem fortes implicações para a luta pelo título mundial de resistência. Com a presença dominante da Cadillac e o renascimento da Toyota, a rivalidade entre as grandes marcas ganha novo fôlego, enquanto a Ferrari vê-se obrigada a uma corrida de recuperação épica. A Peugeot, que voltou a falhar o acesso à Hyperpole, mantém a seca de resultados de topo em Le Mans, apesar das promessas e da evolução do 9X8. O registo da Genesis Magma Racing, tornando-se o primeiro construtor coreano a qualificar oficialmente para a prova, é igualmente histórico, especialmente depois da tentativa falhada da SsangYong em 1996.
No final da sessão, Louis Delétraz, da Hertz Team JOTA, mostrou-se satisfeito com o segundo lugar: “Le Mans, pouco combustível e pneus novos, é sempre o melhor. Sem trânsito, portanto foi divertido. O carro estava bom e ficámos em P2, muito perto. A qualificação não significa tanto aqui, mas estou contente por estar na frente.” Emmanuel Esnault, director da Peugeot, não escondeu o desânimo após a eliminação: “É extremamente frustrante passar de candidatos à pole em Imola e Spa, para estarmos a dois décimos por quilómetro do ritmo na nossa corrida de casa. É o mesmo pacote, as mesmas pessoas, o mesmo carro. Esperávamos sofrer menos, sinceramente. Mas é o que é.” Stoffel Vandoorne, que ficou fora da Hyperpole por apenas 0,355 segundos ao volante do 9X8 n.º 93, também lamentou a oportunidade perdida.
Dani Juncadella, da Genesis Magma Racing, celebrou a estreia: “P11, estou muito feliz com isso. Apenas nove décimos dos mais rápidos, é muito entusiasmante para a nossa primeira vez em Le Mans.” Já Pipo Derani afirmou que “há margem para melhorar”, mas preferiu destacar o lado positivo: “Foi bom ver o que o carro pode fazer. Há pormenores a afinar, mas o dia foi excelente para a equipa.” Gray Newell, da Heart of Racing Team, ficou radiante com o terceiro tempo na LMGT3: “Ouvi dizer que a qualificação não conta muito numa corrida de 24 horas, mas para mim significou muito conseguir este resultado. Normalmente é o meu ponto fraco, por isso foi especialmente satisfatório ter acertado hoje.”
Nos bastidores, destaque para a BMW M Motorsport, que já utilizou três dos cinco “jokers” de evolução permitidos até ao final de 2025 no seu M Hybrid V8, incluindo melhorias de aerodinâmica e travagem, conforme explicou Andreas Roos, director da marca alemã. A Ford Racing deverá anunciar o resto do seu plantel para 2027 na sexta-feira, juntando-se a Logan Sargeant, Seb Priaulx e Mike Rockenfeller. Felipe Drugovich, piloto de reserva da Cadillac, está presente, com a Action Express Racing ausente pela primeira vez desde 2022, embora Gary Nelson e Iain Watt continuem a apoiar a estratégia das três Cadillac V-Series.R.
Com a Hyperpole a decidir as posições cimeiras da grelha já amanhã, as atenções viram-se agora para a luta pela pole e para as equipas que terão de arriscar estratégias alternativas para recuperar lugares. O Top 5 da qualificação sugere uma corrida muito aberta, com Cadillac e Toyota a prometerem duelo intenso, enquanto a Ferrari terá de desafiar as estatísticas para chegar à vitória. Genesis Magma Racing é a sensação desta edição, podendo baralhar ainda mais as contas. A próxima paragem é a terceira sessão de treinos livres, seguida da aguardada Hyperpole, que definirá as posições de arranque para as 24 Horas de Le Mans e poderá ser determinante para o desfecho do campeonato de resistência.
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