Ferdinand Habsburg surpreendeu tudo e todos ao garantir a volta mais rápida da semana, com um tempo canhão de 3:23.135 ao volante do Alpine A424 #35, colocando a marca francesa no topo da tabela e a encabeçar o acesso à Hyperpole do 24 Horas de Le Mans. No final de uma sessão de qualificação electrizante, marcada por voltas à centésima de segundo e reviravoltas nos últimos minutos, Alpine e Habsburg assinaram aquele que é já um dos grandes momentos desta edição da clássica francesa.
Na luta feroz pelo acesso à Hyperpole, dezoito Hypercars, representando oito construtores, deram tudo por tudo no Circuito de la Sarthe, com apenas quinze a conseguirem passagem. O Cadillac #101 WTR ficou a escassos 0,188 segundos do Alpine, registando 3:23.323, num autêntico duelo de titãs até ao último segundo. Louis Delétraz, estreante no Cadillac Hertz Team JOTA, ainda levou o #12 ao segundo melhor tempo da sessão, mas foi suplantado quase de imediato por Habsburg. Os BMW M Hybrid V8 #20 e #15, a par dos Aston Martin Valkyrie #009 e #007, também garantiram presença, enquanto a Toyota colocou os seus dois GR010 Hybrid – #7 e #8 – entre os quinze apurados. O Genesis Magma Racing fez história ao qualificar ambos os GMR-001-Hypercar para a Hyperpole na sua estreia em Le Mans. Já a Peugeot viveu uma noite amarga, eliminada com os seus 9X8 nos 16.º e 18.º lugares, tal como o Ferrari #83 AF Corse, campeões em título, que continuam a somar dissabores nesta semana.
No campo das LMP2, o duelo entre juventude e experiência foi intenso. Doriane Pin, ao volante do Oreca 07-Gibson #30 Duqueine Team, brilhou com uma volta de 3:34.662, superando Ian Aguilera (#37 Cool Racing), o mais jovem do pelotão, que ainda respondeu à altura com 3:35.229. O Inter Europol Competition #343, conduzido por Bijoy Garg, foi o único a aproximar-se do ritmo dos dois da frente. No total, quinze LMP2 conseguiram o passaporte para a Hyperpole, com destaque para a consistência da IDEC Sport (#28) e United Autosports (#22 e #222).
A categoria LMGT3 foi palco de equilíbrio absoluto, com sete marcas diferentes a ocuparem os sete primeiros lugares. Peter Dempsey colocou o Corvette Z06 LMGT3.R #34 Racing Team Turkey by TF na frente, com o Ford Mustang #77 Proton Competition, nas mãos de Eric Powell, a garantir o melhor resultado de sempre para a marca em Le Mans, logo seguido do Aston Martin Vantage AMR #23 Heart Of Racing, pilotado por Gray Newell. O Porsche 911 GT3 R #91 Manthey DK Engineering e o BMW M4 LMGT3 Evo #32 Team WRT também brilharam, mostrando o potencial de um pelotão altamente competitivo. A maior surpresa foi a eliminação do Mercedes-AMG LMGT3 #62 Team Qatar by Iron Lynx, de Abdulla Al-Khelaifi, que falhou a qualificação por menos de uma décima de segundo.
Esta sessão de qualificação reforça a importância estratégica da Hyperpole, que define a grelha de partida para as 24 Horas de Le Mans, e expõe já algumas tendências para a prova: a Alpine, na sua última participação antes da revolução regulamentar, demonstra velocidade pura e vontade de reescrever a história; a Cadillac confirma-se como adversário de respeito; e a estreia da Genesis coloca pressão sobre as equipas estabelecidas. O afastamento da Peugeot e do Ferrari #83 AF Corse evidencia como, em Le Mans, nada está garantido – nem para os campeões.
Após a sessão, Ferdinand Habsburg, visivelmente emocionado, comentou: “Este resultado significa muito para toda a equipa Alpine. Sabíamos que tínhamos potencial, mas fazer este tempo em Le Mans é especial.” Louis Delétraz, do Cadillac Hertz Team JOTA, salientou: “Foi uma sessão extremamente disputada. O nosso objectivo era garantir a presença na Hyperpole e conseguimos, mas sabemos que amanhã será ainda mais exigente.” Do lado da Genesis, Mathieu Jaminet sublinhou: “Levar os dois carros à Hyperpole na estreia é um feito tremendo. Estamos todos orgulhosos.”
Amanhã, a Hyperpole promete nova batalha ao cronómetro, com quinze Hypercars, quinze LMP2 e quinze LMGT3 a lutar pela melhor posição na grelha para a mítica prova de resistência. No campeonato mundial de resistência (WEC), os resultados desta qualificação podem ser decisivos, especialmente para Alpine e Cadillac, caso consigam converter o ritmo de uma volta em ritmo de corrida. Em sentido inverso, Peugeot e Ferrari veem-se obrigados a estratégias de recuperação, com o título mundial cada vez mais distante.
Os próximos capítulos escrevem-se já amanhã, numa Hyperpole que promete emoções fortes e pode definir o rumo de Le Mans 2024. A Alpine parte moralizada e a liderar a narrativa, mas a história das 24 Horas só termina com a bandeira de xadrez. Entre favoritos, surpresas e desilusões, Le Mans volta a provar que é o maior palco do automobilismo mundial, onde cada segundo conta e nenhuma glória é garantida.
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