A sessão de qualificação para as 24 Horas de Le Mans de 2026 ficou marcada pela intensidade e imprevisibilidade, com várias equipas de topo a lutarem centésima a centésima pelo acesso à aguardada Hyperpole. O destaque da tarde foi a surpreendente eliminação do Ferrari 499P, vencedor da edição anterior, que falhou por escassos décimos a entrada no grupo restrito que amanhã disputará as posições da frente da grelha de partida.
No final de uma sessão eletrizante no Circuito de La Sarthe, a Toyota Gazoo Racing garantiu o melhor tempo absoluto, com Kamui Kobayashi a rodar em 3:24.233 minutos, superando a Porsche Penske Motorsport por apenas 0,075 segundos. O terceiro melhor tempo ficou na posse do Cadillac Racing, confirmando o equilíbrio entre marcas e sublinhando as expectativas de uma luta renhida tanto na Hyperpole como na corrida. Dos 62 inscritos, apenas oito Hypercars passaram à Hyperpole, entre eles dois Toyota, um Porsche, um Cadillac, dois Ferrari 499P (embora o carro vencedor de 2025 tenha ficado de fora), um Peugeot e um BMW M Hybrid V8. A diferença entre o primeiro e o oitavo classificado cifrou-se em menos de meio segundo, evidenciando o nível competitivo da qualificação para esta 92.ª edição do clássico francês.
Este resultado altera significativamente o panorama do Campeonato do Mundo de Resistência (FIA WEC), já que a Ferrari, detentora do título e vencedora do ano passado, se vê relegada para posições intermédias na grelha. A Toyota, que procura recuperar o domínio perdido em 2023 e 2024, assume agora o papel de favorita, reforçando a rivalidade histórica com a casa italiana. Por outro lado, Porsche e Cadillac confirmam o regresso à luta pelo topo, enquanto Peugeot e BMW conseguiram surpreender, colocando um dos seus protótipos entre os melhores. Com a batalha pelas posições de partida a ser decidida amanhã na Hyperpole, a expectativa aumenta para saber se alguém conseguirá destronar a Toyota deste favoritismo renovado.
No final da sessão, Kamui Kobayashi, autor da melhor volta, mostrou-se satisfeito com a prestação da Toyota: “Sabíamos que tínhamos potencial para lutar pela pole, mas tudo dependeu da gestão do tráfego e de acertar a volta perfeita. Conseguimos o mais importante: garantir a passagem à Hyperpole e mostrar o nosso ritmo”, afirmou o piloto japonês, minutos após sair do carro. Já Alessandro Pier Guidi, piloto do Ferrari 499P que ficou fora da Hyperpole, manifestou a sua frustração: “É muito difícil aceitar. O carro tinha andamento, mas apanhámos demasiado tráfego e isso custou-nos caro. Vamos tentar recuperar na corrida.” Por parte da Porsche, Kevin Estre destacou a importância desta qualificação: “Estar na Hyperpole é fundamental, mas sabemos que a luta está muito aberta. Cada décimo conta e tudo se vai decidir amanhã”, referiu o piloto francês.
Com a Hyperpole marcada para amanhã, as estratégias das equipas ganham ainda mais relevância, já que a posição na grelha pode ser determinante para evitar confusões na primeira fase da prova. O Campeonato do Mundo de Resistência entra assim numa fase decisiva, com a Toyota a assumir o comando moral e a Porsche e Cadillac a mostrarem-se como sérios candidatos à vitória. A Ferrari, obrigada a partir de trás, terá de apostar numa recuperação épica para defender o título. Para os fãs portugueses de automobilismo, está tudo em aberto para uma das edições mais imprevisíveis das 24 Horas de Le Mans dos últimos anos, onde a incerteza será certamente a palavra de ordem até à bandeira de xadrez.
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