A eliminação precoce da Peugeot na qualificação para as 24 Horas de Le Mans deixou a equipa francesa completamente desiludida perante os seus adeptos, depois de ambos os carros ficarem fora logo na primeira das três sessões da noite de quarta-feira. O contraste com as prestações recentes em Imola e Spa foi gritante, especialmente tendo em conta que Le Mans é a prova em casa para a construtora do leão.
Os números não mentem: o Peugeot #93, pilotado por Stoffel Vandoorne, garantiu apenas o 16.º lugar com um tempo de 3:24.978, enquanto Malthe Jakobsen colocou o #94 na 18.ª e última posição da classe Hypercar, rodando em 3:25.660. Ambos ficaram, respetivamente, a 1,8 e 2,5 segundos do Alpine #35 de Ferdinand Habsburg, que dominou a qualificação com uma volta de 3:23.135. Os quinze carros mais rápidos seguiram para a Hyperpole 1, onde apenas dez lutarão depois pela pole position, deixando a Peugeot fora da discussão pelos lugares da frente logo à primeira oportunidade.
O desapontamento foi evidente nas palavras de Emmanuel Esnault, diretor de equipa da Peugeot, momentos após o final da sessão: “É extremamente frustrante passar de lutar pela pole em Imola e Spa para, na corrida em casa, estar a dois décimos por quilómetro do ritmo,” lamentou Esnault perante os jornalistas. “Mas é assim o desporto motorizado, não vamos baixar os braços. Temos uma corrida para preparar e a qualificação não é tudo, mas podem imaginar o que sentimos…”
O contexto agrava-se quando se recorda que a Peugeot tem investido fortemente no projecto Hypercar, apostando numa recuperação de prestígio em provas de resistência e colocando grandes expectativas nas 24 Horas de Le Mans, palco onde marcas francesas têm história e responsabilidade acrescida. Apesar de tudo, a diferença para os líderes foi ligeiramente menor do que em 2023, quando o carro mais rápido da marca ficou a 2,2 segundos do topo. Contudo, Esnault considera que a equipa não pode estar satisfeita com esta melhoria marginal: “Parece semelhante ao ano passado em termos de ritmo, mesmo que a diferença tenha sido mais curta, mas não podemos ficar contentes com isto. Representar a Peugeot e a sua herança obriga-nos a muito mais e não é assim que queremos correr.”
Questionado sobre os motivos para a falta de andamento, Esnault explicou: “A diferença está distribuída por toda a volta, basicamente. Mas o pacote é o mesmo, a equipa é a mesma, o carro é o mesmo dos dois últimos fins de semana.” Durante a sessão, ambos os pilotos tentaram encontrar aderência e ritmo através de diferentes escolhas de pneus. Vandoorne optou por dois jogos de médios, enquanto Jakobsen começou com macios e trocou para médios a meio da sessão, mas sem sucesso.
No rescaldo do desaire, Esnault mostrou-se pragmático ao abordar a estratégia para a corrida: “O ponto-chave agora, partindo de trás, é sobreviver”, referiu o francês. “Sobreviver e ser oportunista. Como sempre, executar da melhor forma possível e garantir operações limpas em termos de estratégia, paragens e ritmo. Não temos nada a perder. Quando se parte do fundo da grelha, temos de ser inteligentes. Vamos preparar o carro como deve ser e colocar os pilotos no estado de espírito certo — é isso que temos de fazer agora.”
Olhando para a frente, a Peugeot terá de apostar numa prova sem erros e esperar por incidentes ou problemas entre os adversários para recuperar posições numa grelha hipercompetitiva. O próximo desafio é, naturalmente, a própria corrida de 24 horas, onde tudo pode acontecer. No campeonato do Mundo de Resistência, este resultado na qualificação complica as aspirações da Peugeot e deixa a equipa sob pressão para reagir em pista, procurando minimizar danos e, quem sabe, surpreender com uma recuperação heróica perante os adeptos franceses.
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