FIA autoriza melhoria no motor da Mercedes e decisão gera polémica na F1

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A decisão inédita da FIA de permitir à Mercedes um upgrade de motor para 2026, apesar do domínio absoluto da equipa alemã nesta temporada, está a abalar os bastidores da Fórmula 1. Depois de seis vitórias consecutivas e uma vantagem de 79 pontos sobre a Ferrari no Campeonato de Construtores, a atribuição deste benefício à Mercedes — e também à Ferrari, Audi e Honda — deixou muitos intervenientes do paddock perplexos, especialmente quando a Red Bull, considerada pela FIA como o novo referencial em potência de motor, fica de fora de qualquer melhoria.

No rescaldo do Grande Prémio do Mónaco, veio a público que a FIA, através do sistema ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Upgrade), avaliou as actuais unidades motrizes dos fabricantes para 2026: Red Bull, Mercedes, Ferrari, Audi e Honda. Segundo o documento revelado, a Mercedes apresenta-se mais de dois por cento atrás da Red Bull em desempenho do motor de combustão interna (ICE), o que lhe garante um upgrade este ano. Ferrari, Audi e Honda, estando a mais de quatro por cento da Red Bull, receberão dois upgrades cada uma. A Red Bull, líder no novo benchmark de potência, não terá direito a qualquer melhoria, por decisão da FIA.

Este critério levanta dúvidas, já que a Mercedes tem demonstrado não só o melhor conjunto motor-chassis, como também uma performance impressionante em recta, algo que se reflecte nos resultados: seis vitórias em seis provas e uma vantagem de 172 pontos para a Red Bull, que é apenas quarta classificada nos construtores. A FIA não revelou publicamente os métodos exactos de medição das unidades motrizes, de forma a impedir que os fabricantes manipulem a performance para se qualificarem para upgrades. Esta falta de transparência promete aquecer ainda mais as discussões técnicas e políticas quando o pelotão da Fórmula 1 chegar a Barcelona, dentro de dias, para o Grande Prémio de Espanha.

David Croft, comentador da Sky Sports F1, manifestou a sua estupefacção no mais recente episódio do podcast The F1 Show: “Como é que chegámos a uma situação em que a equipa com, aparentemente, o melhor motor e chassis recebe oportunidades de upgrade ao lado da equipa que está a ser batida por ela? E a equipa que agora está a sofrer um pouco, de repente tem o melhor motor de combustão interna e não pode fazer melhorias? Se isto é uma espécie de balanceamento de performance, não vai equilibrar absolutamente nada. Não entendo por que é que temos isto na Fórmula 1. Nunca existiu balanceamento de performance. Não percebo por que é que agora é necessário. Se no final da época alguém precisar mesmo de melhorar, tudo bem, dêem-lhes recursos para isso. Mas por que razão estamos nesta posição?”. Croft defende ainda que “no primeiro, talvez no segundo ano destes novos motores, deviam deixar os fabricantes desenvolver livremente, sem restrições de orçamento. Deixar gastar e fazer upgrades, descongelar o motor, porque são peças muito complexas e temos, com a entrada de Audi e regresso da Honda, novos actores em jogo. Simplifiquem. O que aconteceu é um verdadeiro enigma”.

Craig Slater, repórter da Sky Sports F1, confirmou que a Red Bull ficou estupefacta com a decisão da FIA e questionou o impacto que este cenário pode ter no futuro de Max Verstappen na modalidade. “Vi Laurent Mekies no avião de regresso, ia directo para Milton Keynes. Não disseram nada publicamente, mas percebe-se que estão atónitos. É um feito e tanto, temos de reconhecer o trabalho de Christian Horner, Ben Hodgkinson e Steve Brodie, que construíram este motor. Mas isto não equilibra nada do ponto de vista desportivo, porque a Red Bull precisa de alguma ajuda. E também não ajuda nada a manter Max na Fórmula 1, se queremos que continue competitivo. É uma situação estranha”. Slater destacou ainda a proeza da Red Bull: “Construíram um excelente motor de combustão interna. Para uma marca de bebidas, alcançar isto em cinco anos, contra construtores estabelecidos, é um milagre. Mas, no conjunto global — incluindo a bateria — provavelmente não têm ainda a melhor unidade motriz. E agora estão impedidos de a melhorar”.

Com o próximo Grande Prémio já este fim-de-semana em Barcelona, antevê-se um ambiente tenso e muitas questões pendentes no paddock. A luta pelo título poderá ganhar novos contornos, com Mercedes e Ferrari a beneficiar de uma via aberta para evoluir os seus motores, enquanto a Red Bull terá de arranjar outras formas de recuperar terreno, privada de upgrades por ser vítima do seu próprio sucesso. A batalha técnica e política está ao rubro, e o campeonato pode sofrer uma reviravolta inesperada se os novos desenvolvimentos se reflectirem imediatamente em pista. O que é certo é que, com a chegada do novo regulamento de motores em 2026, a discussão sobre equilíbrio competitivo, inovação e justiça técnica está longe de estar encerrada — pelo contrário, está apenas a começar.

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